Cultura

Poesia renovada

Karla Beraldo
| Tempo de leitura: 2 min

São-paulino “roxo”, o jovem Vitor partiu feliz, aos 15 anos, após uma noite de vitória do time tricolor. Uma lembrança que o pai Luiz Vitor Martinello recorda com saudade. O falecimento do filho caçula, portador de distrofia muscular, é um divisor de águas na vida e na obra do poeta bauruense que, após 10 anos sem publicar, lança, de uma só vez, dois novos livros.

O quinto de poesia com conteúdo inédito “Gosto dos Dias de Muito Sol (Só Pra Ficar na Sombra)” e “Poemas da Quase Religiosidade”, no qual Martinello reúne produções sobre o tema que o acompanhará por toda a vida: a (in) existência de Deus - ambos lançados hoje à noite, no Automóvel Club.

No primeiro, constata-se a volta da ironia, do humor e da poesia enxuta e precisa, marcas do autor. Nele, se pode encontrar impressões sobre o amor, o cotidiano simples e a inocência da criança. “A poesia é a minha forma de ler a existência, de encará-la”, resume Martinello. Para o poeta, dividi-los com o leitor, depois de tanto tempo “recluso”, significa conformar-se com a imperfeição. “Enquanto estamos vivos, o poema nunca está perfeito. Mas tem um momento em que você precisa se livrar dele, então você publica”, brinca. “Agora me sinto aliviado”, completa.

Já “Poemas da Quase Religiosidade”, refletem a caminhada de Martinello do seminário ao ateísmo. “A reunião desses poemas perpassam esses momentos da minha vida: o seminarista que fui por 10 anos, a minha perda de fé com a doença do meu filho e tudo o que eu penso e a forma como me sinto em relação a religião - ora mais pesado, ora mais leve e solto”, explica. Esse segundo momento é no qual encontra-se o poeta atualmente. “Me sinto livre agora. Hoje, não me preocupa essa coisa de saber se Deus existe ou não. Nem me importa afirmar ou negar sua existência”, conclui.

Agora que voltou à ativa, Martinello não quer mais parar. Já para o ano que vem, prevê o lançamento de mais duas publicações: “Para o Sol, Dia de Chuva é Feriado”, com poesias infantis; e “Do Amor, da Amada e Outros Objetos”. Ambos os títulos são provisórios. O bauruense é autor também de “Mãos nos Bolsos” (1978), “Os Anjos Mascam Chiclete” (1983), “Lixeratura” (1990) e “Me Apaixonei Por Mim, Mas Não Fui Correspondido” (1999), além dos infanto-juvenis “O Sapato Que Sabia Andar” (1984) e “O Penuginha” (1989).

• Serviço

Lançamento dos livros “Gosto dos Dias de Muito Sol (Só Pra Ficar na Sombra)” e “Poemas da Quase Religiosidade”, de Luiz Vitor Martinello, hoje, às 20h28, no Automóvel Club.

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