Cultura

Artistas reciclam os trabalhos anteriores em novo espetáculo

Da Redação
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“O Nome Científico da Formiga” é baseado em fotografias de produções realizadas desde 2000 por Ângelo Madureira e Ana Catarina Vieira

Juntos há 10 anos, os artistas Ângelo Madureira e Ana Catarina Vieira decidiram reciclar as produções que fizeram ao longo dessa trajetória para compor o mais novo espetáculo de dança da dupla.

O resultado, batizado “O Nome Científico da Formiga”, poderá ser conferido hoje à noite, no Serviço Social do Comércio (Sesc). A apresentação está marcada para as 20h30 e tem entrada gratuita.

Quinto trabalho da dupla, o espetáculo é baseado na pesquisa de linguagem de 1800 fotos, produzidas a partir de “Somtir” (2003), “Outras Formas” (2004), “Como?” (2005) e “Clandestino” (2006).

“As imagens dos espetáculos foram tratadas em um processo de colagem que reciclou os materiais originais destas coreografias”, afirmam os artistas em material de divulgação.

O repertório também surgiu durante uma das apresentações da dupla, ao ser questionada por uma menina sobre a predominância de movimentos pequenos nas coreografias.

“Ângelo perguntou se ela sabia que a formiga carrega dez vezes o seu próprio peso, sendo o animal mais forte do mundo. Comentei com ele que tínhamos que aprofundar o assunto. Assim, surgiu a ideia do espetáculo”, conta Ana Catarina, que já fez parte da Cisne Negro Cia. de Dança.

Para o diretor Fernando Faro, o trabalho é uma obra de metalinguagem, que expõe a sua pesquisa de movimentos e fala dela mesma e dos processos de pesquisa que ela adota.

“A obra discute e questiona o fazer artístico, fala de liberdade, brinca com a percepção do público. Durante um ano realizamos conversas com a plateia e fizemos um levantamento, organizamos e detectamos os principais pontos desses questionamentos para esta produção, que na sua essência carrega a vida para a arte”, explica.

Ao longo desses 10 anos, Ângelo e Ana Catarina receberam diversos prêmios como o Funarte Petrobras 2005 e 2006 e participaram de festivais importantes como o Move, de Berlim; da Bienal Internacional de dança e Panorama Rio Dança.

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Nada e tudo

Sem a pretensão de ser algo, a poesia é tudo. É dessa forma que o poeta Luiz Vitor Martinello encara os versos. Para ele, a poesia não deve ter afinidades ideológicas explícitas. “Poesia não foi feita para mudar o mundo. E, talvez, por isso mude”, acredita o autor que se envolveu com a literatura ao descobrir Manuel Bandeira, Carlos Drummond de Andrade e Mario Quintana.

“A descoberta dos modernistas abriu-me os olhos para uma poesia, na qual os elementos básicos são a ironia, o humor, o coloquial, a fragmentação. E muito cotidiano”, escreve o autor na introdução de “Poemas da Quase Religiosidade”. Segundo Martinello, seus versos enquadram-se na chamada Poesia Marginal, que teve seu auge na década de 1970 - uma poesia essencialmente de rua, feita em mimeógrafos, distribuída e vendida de mão em mão.

Por fim, para o bauruense, a poesia não foi feita para dar mensagens, mas para colocar o leitor em atividade. “Claro que cada poema traz consigo uma visão de mundo. Mas essa visão de mundo, por não estar, ou não dever estar explicitada, não faz de cada poema um apóstolo. Cabe ao leitor uma tarefa ativa na decifração do poema. E aí está a riqueza da poesia”, afirma. “A poesia, nesse sentido, por não estar atrelada a uma causa, a uma ideologia - seja política, religiosa ou social -, é revolucionária. E o poeta, uma eterna criança”, finaliza.

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