Caso o Departamento de Água e Esgoto (DAE) tivesse peças de reposição em estoque para reparos na rede e o plano interno de manutenção funcionasse, a intervenção feita ontem pela autarquia no reservatório da Vila Falcão não teria demorado dois meses. A fragilidade do plano de manutenção de rede e a deficiência de comando de gestão foram os principais responsáveis pela interrupção do abastecimento de água que atingiu cerca de 23 mil moradores da região.
Conforme revelou ontem o JC, a estrutura já apresentava vazamento em agosto em um ponto e, neste, duas intervenções foram feitas para “remendar” o serviço incompleto. Para o conserto de ontem, em outro ponto da tubulação do mesmo sistema, foi necessário adquirir peça para o reparo.
Segundo a autarquia, por esta razão o processo de compra levou mais de 40 dias. A expectativa era que o fornecimento na região fosse restabelecido até às 22h de ontem.
O abastecimento da região foi interrompido pouco depois das 7h de ontem. Para consertar a tubulação da saída térrea na caixa de manobra, onde estão localizados os registros que abrem e fecham a distribuição de água no setor para a manutenção, o fornecimento foi interrompido. De acordo com o chefe de Divisão do DAE, Manuelino Câmara Filho, foi necessário abrir a caixa, que possui uma parede de concreto com 20 centímetros de espessura, para resolver o problema.
Antes de iniciar a operação, o DAE precisou adquirir as peças que fazem a junção dos dutos, já que a autarquia não possui este tipo de item em estoque.
Por isso, no caso do reparo de ontem, foi necessário mandar confeccionar as junções. “Elas são feitas sob medida em empresas de fora de Bauru. Por isso foi necessário fazer licitação para a compra. Foram adquiridas seis novas junções. Duas serão usadas no reparo e as outras quatro permanecerão como reserva”, destaca o diretor.
Manutenção
Já os problemas ocorridos em agosto foram detectados nas tubulações que ligam o reservatório à caixa de manobra. Para o chefe de manutenção, os problemas foram ocasionados pelo desgaste natural das peças. “Os materiais possuem uma certa vida útil e acredito que a idade dessas tubulações já foram ultrapassadas”, observa Manuelino.
Ele defende que o DAE planeja a recuperação do sistema do reservatório, porém para isso será necessário aguardar a construção do novo equipamento, ao lado do já existente, para não comprometer o abastecimento por muito tempo.
O novo reservatório semienterrada terá capacidade para 1,5 milhão de litros de água e sua construção está orçada em R$ 530 mil. Assim, a capacidade total do sistema da Vila Falcão passará a 3 milhões e 750 mil litros de armazenamento de água.
Outra alegação para o problema, dada pela assessoria de imprensa, é de que o feriado de 7 de setembro é quem gerou o atraso na resolução do novo defeito no sistema da região da Falcão. Isso porque a autarquia teve de se concentrar em ligação emergencial na avenida Duque de Caxias para, somente depois do tempo melhorar, retornar à Falcão.
A estrutura de equipe, então, também seria deficiente para atendimento de demandas operacionais. Além disso, o feriado não se justifica já que o problema na tubulação da Falcão surgiu antes, em agosto.
Em maio passado, quando o Sindicato dos Servidores Municipais (Sinserm) denunciou o sucateamento de parte da frota operacional do Departamento de Água e Esgoto, também alertou sobre a falta de peças de manutenção para a rede. A Comissão de Fiscalização e Controle da Câmara Municipal avalia as denúncias e o processo tem como relator o vereador José Roberto Segalla (DEM).
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Problema
Sílvio Simeone, que trabalha numa clínica veterinária em frente ao reservatório, conta que desde agosto acompanha as intervenções realizadas pelo DAE na rede no local, na quadra 9 da Rua Salvador Filardis. Ele lembra que foram deixados montes de terra na área, que foi cercada por tapumes.
Porém, ele conta que a cada chuva a lama escorria pela calçada e rua. “E o problema continuou depois, quando seca e o pó começaram a entrar nas lojas. Aqui é uma clínica, tem que manter a limpeza”, afirma.
Bruno de Oliveira D’ Avila, atendente de uma lan house também próxima ao local, conta que os vazamentos são constantes. “Nesses últimos dois meses, chegamos a ficar alguns dias sem água e conviver com o barulho das máquinas”, conta.
Na casa onde a doméstica Vera Lúcia Ribeiro trabalha não faltou água. Ela acredita que a caixa estava cheia, por isso, não houve problemas.
O maior prejuízo foi para o cabeleireiro Carlos Alberto Gomes. Sem água para lavar os cabelos dos clientes, teve de dispensar clientes ontem. “O dia foi perdido. Tive um grande prejuízo. E também não tinha água em casa nem para fazer o almoço. Tivemos que comprar marmitex”, conta.
Segundo o DAE, até o final da tarde ontem, 14 moradores formalizaram reclamação à central de atendimento.