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Cirurgias cardíacas eletivas demoram 20 dias no H. Estadual

Tisa Moraes
| Tempo de leitura: 3 min

Como já era esperado, os bloqueios eletrônicos judiciais resultantes de ações impetradas por fornecedores que não foram pagos pela Associação Hospitalar de Bauru (AHB) provocaram consequências no atendimento do Hospital de Base (HB). Em razão da falta de recursos para a compra de materiais, cirurgias cardíacas previamente agendadas estão sendo atrasadas em cerca de 20 dias na unidade e os pacientes, já debilitados, precisam permanecer internados à espera do procedimento.

Somente no mês passado, cerca de R$ 700 mil em recursos recebidos da União e do Estado foram bloqueados assim que creditados na conta da AHB. Com isso, a primeira parcela da verba extra repassada pela Secretaria da Saúde do Estado para minimizar a crise da associação, de R$ 800 mil, foi praticamente ‘neutralizada’. Sem recursos, a entidade não pôde adquirir todo o material necessário para a demanda de cirurgias cardíacas e os casos que não fossem considerados de urgência começaram a ser adiados.

“O problema é que os materiais para cirurgia cardíaca são de alto custo e o fornecedor só nos envia esses insumos mediante pagamento antecipado, em virtude dos débitos que temos junto a eles. Qualquer negociação com essas empresas é bastante difícil”, revela o interventor da AHB, Fábio Tadeo Teixeira.

O recebimento, na última sexta-feira, da segunda parcela de um total de R$ 2,4 milhões prometidos pelo Estado à AHB foi o que aliviou a situação do hospital e a preocupação da família de Lourdes Maria de Jesus Santi, 79 anos. Cardíaca, ela está internada desde o início do mês no HB aguardando a chegada de um marca-passo que substituiria o equipamento antigo instalado em seu peito, que deixou de funcionar corretamente.

Com a injeção de mais R$ 800 mil em conta, o hospital encomendou mais quatro dispositivos, além de outros materiais para cirurgias cardíacas para atender os pacientes internados, e Lourdes já foi submetida à operação ontem. “Felizmente, parece que a situação se resolveu. Mas ela sofreu muito, não estava comendo e teve diarreia durante esse tempo de internação”, comenta a filha, Maria Ceolim, que chegou a cogitar retirar a mãe do hospital por conta da demora.

Além do incômodo pela espera, o tempo de internação prolongado também representa um custo adicional para o hospital. Mas Teixeira afirma que, diante da insolvência da associação, adiar as cirurgias é a única saída possível.

“A gente sabe que é inadequado manter o paciente hospitalizado, mas não há como transferi-lo para que outro hospital faça a cirurgia, porque ninguém aceita. E também não há como o HB adquirir materiais bastante caros como marca-passos, que custam cerca de R$ 8 mil cada, sem que haja recursos para isso”, frisa, salientando que as cirurgias de urgência continuam sendo realizadas normalmente.

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Novo fôlego

Para tentar dar novo fôlego à AHB, a Secretaria Municipal de Saúde (SMS) convocou uma reunião que será realizada amanhã com representantes da associação para discutir de que maneira o município poderia efetuar os repasses referentes ao Programa Pró Santa Casa 2. Pelo projeto, criado pela Secretaria de Estado da Saúde para diminuir o déficit causado pela defasagem da tabela de procedimentos do Sistema Único de Saúde (SUS), municípios da região que remetem pacientes para atendimento no HB devem apresentar uma contrapartida financeira.

Mas, neste ano, pelo fato de a AHB acumular mais de R$ 154 milhões em dívidas e não poder apresentar Certidão Negativa de Débito, a Prefeitura de Bauru deixou de efetuar os repasses. Somente pelo programa, a estimativa é que a associação tenha deixado de receber cerca de R$ 700 mil do município.

“Nesta reunião, estarão presentes os departamentos jurídicos da associação e da prefeitura para tentar encontrar uma saída para essa pendência. A expectativa é de que o cumprimento desse convênio dê certo”, pondera o interventor Fábio Teixeira.

Segundo o secretário municipal de Saúde, Fernando Monti, o pagamento mensal de R$ 20 mil referentes à utilização da sala de gesso do hospital e aos salários da retaguarda de médicos que atendem pacientes oriundos do Pronto-Socorro Central (PSC). Prometido para maio, o convênio acabou não sendo firmado também em razão da ausência do certificado de regularidade fiscal.

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