Após uma série de negociações e tentativas de manter propostas em sigilo, a sede social da Associação Luso Brasileira de Bauru finalmente foi vendida. Um conglomerado de empresas, do qual fazem parte inclusive grupos internacionais, comprou a área de 17 mil metros quadrados por R$ 15,4 milhões.
Em reunião realizada ontem com a diretoria do clube para a assinatura do contrato de compromisso de compra e venda do imóvel, a empresa Vitórias Participações, representante do negócio, informou que deverão ser investidos mais de R$ 300 milhões para a instalação de um empreendimento multiuso no local, que englobará um shopping, um hotel e ampla área comercial. “Para isso, as construções existentes terão de ser demolidas. Vamos começar do zero, o que só deverá acontecer a partir do segundo semestre de 2011”, adiantou Narciso Alonso Filho, sócio-proprietário do Vitórias, grupo de São Paulo especializado no ramo de construção de shoppings, hotéis e prédios comerciais.
Advogados e representantes da empresa que estiveram ontem em Bauru preferiram não estabelecer prazo para que o complexo fique pronto, mas a expectativa, de acordo com o cronograma de obras, é de que seja concluído em meados de 2013. “Vai ser o maior projeto arquitetônico do Interior. Não tem nada que se compare em termos de tecnologia, de aproveitamento do espaço e sustentabilidade. No longo prazo, a tendência é a gente colocar um empreendimento desse em cada grande cidade do Estado de São Paulo”, afirmou o também sócio-proprietário David Leon Rubinsohn.
Embora o projeto já esteja pronto, o início das construções dependerá ainda de aprovação em assembleia geral com os associados da Luso. As condições do contrato deverão ser submetidas à votação em 11 ou 12 de dezembro e dependerá da aprovação de, pelo menos, 50% dos sócios presentes mais um.
Convencimento
Conforme apurou o JC, a assembleia será realizada apenas nesta data – com possibilidade de ser adiantada ou atrasada em algumas semanas - porque, neste intervalo, a diretoria executiva deverá contatar os associados para convencê-los sobre a necessidade e as vantagens que serão obtidas com a venda da sede. Segundo o presidente do clube, José Ângelo Oliva, o prazo também servirá para que a documentação restante para a efetivação da venda também seja providenciada.
Para que os trâmites burocráticos sejam concluídos, durante a assinatura do contrato de compromisso, os compradores adiantaram R$ 100 mil à Luso. “Temos que correr com alguns papéis porque a família Martha havia feito a doação de parte da área da sede social da Luso sob a condição de que nela fossem mantidas atividades sociais e esportivas. Agora, teremos que transferir essa exigência formalmente para a sede de campo”, frisa o presidente.
Paralelamente, a empresa compradora deverá enviar o projeto da construção de um shopping no local para aprovação da prefeitura, processo que poderá demorar mais de seis meses para ser concluído. Por esse motivo, a ideia é que as atividades do clube sejam mantidas integralmente pelo menos até junho de 2011.
Após os R$ 100 mil oferecidos como sinal, se a venda for aprovada em assembleia, em janeiro a empresa deverá pagar o maior montante dos R$ 15,4 milhões combinados, mas o valor desta quantia não foi revelado. As demais parcelas serão quitadas nos próximos meses e serão encerradas antes que 2011 termine.
As negociações para a venda da sede social da Luso foram iniciadas há um ano. Na época, o clube chegou a receber cinco ofertas de compra, extraoficialmente, de cerca de 6,8 mil metros quadrados de área, que deveriam render algo em torno de R$ 6 milhões.
Já em março de 2010, a diretoria do clube iniciou diálogo com uma construtora de São Paulo para a mesma área, correspondente a cerca de 40% da metragem total do terreno. Entretanto, nenhuma das negociações avançaram.
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O grupo
O conglomerado de empresas que irá construir um complexo multiuso na área da sede social da Associação Luso Brasileira de Bauru atua no ramo de construção de shoppings, hotéis, galpões e outros empreendimentos comerciais em todo o Estado. Entre os investimentos já consolidados, estão os Shopping Mogi, em Mogi das Cruzes, Shopping Raposo, em São Paulo, Shopping Poli, em Indaiatuba e Território do Calçado, em Jaú. Como projetos de construção já em andamento, estão o Território do Bordado, em Ibitinga e um hotel em Rio Claro.
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Basquete
O presidente da Associação Luso Brasileira de Bauru, José Ângelo Oliva, esclarece que o contrato de aluguel com o Bauru Basket para uso do ginásio do clube vence em dezembro deste ano. Mas, caso houver interesse da equipe, os treinamentos e jogos poderão ser mantidos até abril, já que a cobertura do local será retirada em maio para ser instalada na sede de campo.
“O contrato tinha sido prorrogado até o final deste ano porque eles tinham planos de ir para o Panela de Pressão, mas isso não aconteceu. E, se eles forem para Marília, como tem sido dito, também não será culpa nossa. O que a gente pode fazer é conversar sobre a prorrogação do contrato com a Luso até a retirada da cobertura do ginásio”, esclarece.
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Parte do dinheiro vai ser aplicado na sede de campo
Cerca de R$ 7 milhões dos R$ 15,4 milhões que serão pagos pela venda da sede social da Associação Luso Brasileira de Bauru serão investidos na sede de campo, situada às margens da rodovia Marechal Rondon, ao lado do Alameda Quality Center. De acordo com o presidente do clube, José Ângelo Oliva, as obras começam já em janeiro para que as dependências da unidade da cidade possa ser desocupada sem causar maiores transtornos aos sócios.
Os investimentos serão iniciados com a construção de um espaço para a secretaria e diretoria do clube, restaurante, academia e sauna. “Vamos fazer algo mais moderno e maior do que temos na sede social para garantir que o associado não fique sem essa estrutura em nenhum momento”, pontua. Logo em seguida, está nos planos do clube construir também um salão de festas, uma piscina de 50 metros, uma sala de jogos, uma quadra e ginásio poliesportivo mais amplo, reformar os campos de futebol, cobrir a quadra de futebol society, recuperar calçadas e a entrada do clube, além de recapear ruas e criar oito estacionamentos, sendo alguns deles cobertos.
Até junho do próximo ano, a Luso também pretende quitar a dívida de cerca de R$ 2 milhões oriunda de atrasos no pagamento junto ao Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), além de Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS), empréstimos bancários e indenizações de ações trabalhistas. O clube também possui débito de Imposto Predial e Territorial Urbano (IPTU), que está sendo negociado.
Com o restante do dinheiro, o plano da diretoria é investir em ações e compra de imóveis como forma de acumular uma reserva financeira para o futuro. “Queremos garantir que o clube não volte a viver essa situação de inadimplência que viveu até agora. Mas só no meio do ano que vem começaremos a analisar como esse investimento será feito”, pontua.