São Paulo - O pagamento do 13.º terceiro salário aos trabalhadores brasileiros deve injetar até dezembro cerca de R$ 102 bilhões na economia, valor 20% maior que o estimado para o ano passado (R$ 85 bilhões), segundo previsão do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese).
A quantia representa 2,9% do Produto Interno Bruto (PIB) e será paga a cerca de 74 milhões de brasileiros. Desse total, 28,6 milhões são aposentados ou pensionistas (38,6% do total).
Os trabalhadores com carteira assinada, 45,4 milhões de pessoas, correspondem a 61,4% do total. E os empregados domésticos (formais com carteira de trabalho) somam 2,3 milhões, ou 3,1% do total. Cerca de outras 1 milhão de pessoas (1,3% do total) são aposentados e beneficiários de pensão da União.
O aumento de 20% no valor total do 13.º salário pago neste ano se explica principalmente em função do aumento do número de pessoas que conseguiram emprego com carteira assinada ou passaram a receber benefícios da Previdência (aposentadoria e pensão).
“São 4,9 milhões a mais de pessoas, o que representa acréscimo de cerca de 5,85% ao que verificamos no ano passado”, diz José Silvestre Prado de Oliveira, coordenador de relações sindicais.
Outras razões que devem ser consideradas para explicar o acréscimo, segundo diz, são a valorização do salário mínimo - que teve aumento nominal de 9,68% ou ganho real de 6,02% (acima da inflação acumulada de fevereiro a dezembro de 2009).
O coordenador do Dieese afirma que a ampliação dos ganhos reais nas negociações salariais de várias categorias profissionais também contribuiu para o acréscimo no valor do 13.º salário pago neste ano.
“Os trabalhadores receberam no ano passado, em média, aumentos reais que variaram de 1,5% a 2% acima da inflação. Neste ano, devem ficar entre de 2% e 4% acima da inflação”, diz Prado de Oliveira.
A escassez de mão de obra em alguns segmentos também tem impacto, segundo afirma o especialista, para a melhora dos salários e, consequentemente, dos valores do 13.º salário.
A região Sudeste é a que deve concentrar a maior parte da quantia que será injetada na economia (51,4%) porque possui a maior parte de trabalhadores, aposentados e pensionistas do país. Outros 15,4% devem ficar na região Sul e 14,9% na região Nordeste. As regiões Centro-Oeste e Norte devem ficar com 8,5% e 4,3% do valor, respectivamente.