Rio - A retenção das receitas de antibióticos nas farmácias, já anunciada pela Anvisa, é importante para evitar o surgimento de outras bactérias resistentes ao tratamento, mas não teria sido suficiente para conter o desenvolvimento da KPC. É o que afirma a bacteriologista Ana Paula Assef, do Laboratório de Pesquisa em Infecções Hospitalares do Instituto Oswaldo Cruz, da Fiocruz.
“Acho que (a determinação da Anvisa) realmente tem que ter, é importante, mas não foi isso que gerou a KPC”, disse a especialista, cujo laboratório já recebeu para análise 115 amostras de pacientes de diversos estados com suspeita de infecção pela superbactéria. O Distrito Federal tem o quadro mais grave, com 183 casos e 18 mortes confirmadas até anteontem.
Para Assef, o desenvolvimento da superbactéria KPC (Klebsiella pneumoniae Carbapenemase), que tem causado surtos de infecção em hospitais do País, está mais ligado ao consumo excessivo de antibióticos nos hospitais do que nas farmácias.
O fundamental, segundo ela, é que os hospitais tenham comissões de controle de infecções para monitorar o uso de antibióticos. “O ideal é começar com uma arma mais fraquinha e deixar as bombas para o final”, disse, referindo-se aos diferentes tipos de antibióticos disponíveis.
A bacteriologista afirmou ainda que testes realizados no Instituto Oswaldo Cruz mostraram que parte das amostras da superbactéria são suscetíveis a “dois ou três” antibióticos. Um deles deixou de ser usado nos anos 80, por conta do alto nível de toxicidade. “Agora os hospitais estão tendo que recorrer novamente a ele”, diz a pesquisadora, que não quis revelar o nome do medicamento por receio de incentivar a automedicação.
Assef destacou também que não há risco de a superbactéria sair dos hospitais e causar um surto de infecção na população. “Ela atinge pessoas debilitadas, não causa nada na população saudável”, diz.
A pesquisadora ressaltou ainda que a bactéria Klebsiella pneumoniae é encontrada comumente no trato intestinal das pessoas e já causava infecções hospitalares há muitos anos. Como tem capacidade de trocar informações genéticas, porém, acabou se tornando resistente aos antibióticos.
A resistência é decorrente da produção da enzima Carbapenemase, que destrói a maior parte dos medicamentos usados ontem no controle das infecções.
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Confirmada no ES e na BA
Vitória - Mais dois Estados confirmaram casos de contaminação pela superbactéria KPC (Klebsiella pneumoniae carbapenemase) ontem. Na Bahia, são dois casos suspeitos e, no Espírito Santo, um confirmado.
No Espírito Santo, a notificação da bactéria foi feita em julho, segundo a Secretaria Estadual de Saúde. O paciente infectado morreu, mas, ainda de acordo com o órgão estadual, a causa da morte não foi a KPC. A secretaria não informou a idade ou o sexo do paciente nem em que cidade ele estava internado.
Na Bahia, os dois casos suspeitos são de pacientes de Salvador. A Secretaria de Saúde do Estado também não soube informar a idade dos pacientes e se eles ainda estão internados ou se vieram a óbito. Não há previsão de quando os exames serão concluídos.
O Ministério da Saúde confirma a existência da KPC no Distrito Federal, em São Paulo e Paraná. O número de pessoas contaminadas pela bactéria no Distrito Federal aumentou 69,44% em menos de duas semanas. Mais três mortes foram registradas até anteontem.
Segundo informações divulgadas anteontem pela Secretaria de Saúde do DF, o total passou de 108, no dia 8 de outubro, para 183, em 17 hospitais. Na última sexta-feira, os registros somavam 135 casos.