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Voluntários mudam a vida de portadores de deficiência em Agudos

Rita de Cássia Cornélio
| Tempo de leitura: 3 min

Um projeto inédito em Agudos (13 quilômetros de Bauru) está mudando a vida das famílias com portadores de deficiência física e mental. Quatro casas com toda a infraestrutura já foram construídas e entregues, inclusive com móveis. A intenção é atender 80 famílias que vivem abaixo da linha de pobreza.

O sistema escolhido para beneficiar as famílias é de comodato para evitar o comércio dos imóveis que estão sendo construídos com subsídios municipais e muita força de vontade de um grupo de voluntários que promove ações junto à comunidade.

O Projeto “Transformação: Liberdade, Ousadia e Iniciativa Transformando a Esperança e o Sonho em Realidade” foi fundado pela empresária Elza Mesquita Guerreiro com a intenção de atender crianças especiais. Porém, ao sair a campo ela deparou com uma realidade totalmente adversa. Famílias de deficientes vivendo em casebres sem a mínimo de infraestrutura.

De acordo com ela, em algumas residências não havia nem local adequado para banho. As pessoas não sabiam usar o vaso sanitário e não tinham noção da alimentação. Para essas famílias, o projeto adotou uma cuidadora para orientar, acompanhar e fazer com que os moradores mudem o comportamento.

Para a terapeuta ocupacional da Sorri/Bauru Alexandra Monteiro Fernandes ter uma casa com toda a estrutura é importante para o deficiente. “A palavra chave é independência. Precisamos fazer com que o deficiente seja independente. Execute atividades consideradas normais. Só assim ele terá melhor qualidade de vida e ganho na autoestima.”

Ela explica que aprender a tomar um banho usando sabonete. Fazer toda a higiene pessoal sozinho são avanços para muitos portadores de deficiência mental. “Eles têm condições de usar materiais. Quem não tinha um banheiro vai aprender a usar um vaso sanitário. Vai saber a funcionalidade do vaso.”

A terapeuta explica que a mudança de comportamento é sinônimo de inclusão. “A partir do momento que o deficiente aprende a se comportar de maneira adequada na sociedade, ele é incluído. Quando ele não sabe se comportar, ele não é aceito.”

Para ela, a tecnologia assistiva, ramo da tecnologia que trabalha com as deficiências, é uma ferramenta de inclusão. “Ela possibilita o uso de vários materiais. Para todas as pessoas a tecnologia torna as coisas mais fáceis. Para o portador de deficiência, torna as coisas possíveis.”

As adaptações feitas em vários materiais favorecem o acesso, frisa Alexandra Fernandes. “É possível, por exemplo adaptar utensílios de uso diário. Para pegar a colher podemos engrossar o cabo, colocar uma alça de elástico, torná-la mais fina ou mais grossa para que o deficiente consiga usá-la. Existe um leque enorme de opções, tem as órteses que posicionam algum membro. Esses recursos materiais são para trabalhar a independência das pessoas.”

Na área de informática é possível desenvolver um software para que o deficiente desenvolva algumas atividades que trabalhe com a inteligência. “Dependendo da atividade, eles podem executar. É tudo questão de estudar os casos e pesquisar.”

Para a psicóloga da Secretaria da Educação de Agudos, Karina Santarém Paschoal, ter uma casa com toda a infraestrutura é sinônimo de autonomia para o deficiente. “Com uma estrutura melhor, eles podem evoluir socialmente.”

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