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Entrevista da semana: José Alcântara Marangon Júnior e Simone Cristina Montagna Marangon

Ana Paula Pessoto
| Tempo de leitura: 7 min

A tarefa de ser pai e mãe não é nada fácil. Dar a vida, cuidar, alimentar e educar são funções que demandam responsabilidades de gente grande. Mas, e quando essa responsabilidade recai sobre dois adolescentes? Foi o que aconteceu com Júnior e Simone Marangon. Apesar da pouca idade, eles não fugiram da responsabilidade, batalharam juntos e, hoje, se sentem vitoriosos por terem criado duas filhas. “Hoje, as meninas dominam os negócios da família e posso dizer que nós nem fazemos mais falta”, diz Júnior, sorrindo.

O comércio sempre foi a luta do casal, que se firmou em 2002 com um dos restaurantes mais conhecidos na cidade, o Nações Grill. “Montá-lo também não foi nada fácil. Precisamos reformar tudo e este foi um desafio que durou sete meses. Praticamente precisamos demolir tudo e fazer outro (restaurante). Tanto é que, na época, coloquei uma faixa em frente à construção com os dizeres 'Português derruba muralha da China'", diz Júnior. “ Acho que esse foi o maior desafio da família”, lembra Simone.

A paixão por passeios de moto e histórias de pescaria - hobby do casal, trabalho em família, relação com clientes e funcionários, além de muitas outras histórias de vida fazem parte da entrevista que Júnior e Simone Marangon concederam ao Jornal da Cidade. Confira o bate-papo completo abaixo.

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Jornal da Cidade - Vocês costumam fazer tudo juntos?

Simone (risos) - Quase tudo. Isso acontece desde o casamento.

Júnior - Na verdade, nos casamos muito cedo, ela com 16 anos e eu, 17 anos. Praticamente começamos nossa vida juntos. Desde bem novos, nossa vida é trabalhar e cuidar de nossas filhas.

JC - Essa convivência fortalece o casal?

Simone - Acho que o casamento fica mais forte, sim. Procuramos passar a importância do trabalho em família para nossas filhas.

Júnior - Elas trabalham bastante. Praticamente nasceram dentro do comércio. Morávamos nos fundos de um açougue quando elas eram pequenas. Tanto é que, hoje, elas cuidam de tudo. Elas dominam os negócios da família e posso dizer que nós nem fazemos mais falta (risos). Acho que minhas filhas são muito responsáveis para a idade que têm.

JC - Sempre trabalharam com comércio?

Júnior - Sim. Começamos com a Casa de Carnes Vera Cruz, no Nova Esperança, depois na Vila Universitária. Também montamos o Delícia’s Grill e o Simone Refeições. Mais tarde, compramos o Bar do Português, mas vendemos porque não estávamos dando conta de trabalhar dia e noite. Foi assim que, em 2002, montamos o restaurante Nações Grill. Então, estamos no ramo desde 1988.

JC - Vocês tiveram influência da família nos negócios?

Júnior - Meu pai tinha um sítio e eu vivia no meio dos açougueiros. Acho que foi por isso que tive vontade de montar um açougue.

Simone - E, como eu sempre gostei de cozinhar, aprendi com minha mãe e minha sogra.

JC - Qual é o prazer de cozinhar?

Simone - Cozinhar é como arte. Meu prazer está em ver as pessoas saboreando a comida e sentindo um sabor diferente. Gosto quando dizem que a comida está gostosa, porque é feita com carinho, amor e prazer.

JC - São pessoas realizadas?

Júnior - Muito. Hoje, nosso projeto é continuar com o trabalho familiar e melhorá-lo sempre. Temos funcionários com a gente há 14 anos. É importante tratar as pessoas bem, dar uma boa qualidade de vida a eles e não pensar só na gente. Fazemos tudo com prazer.

JC - Fizeram grandes amizades durante todos esses anos?

Júnior - E como! Temos clientes que são nossos amigos há décadas.

Simone - Tem gente que nos acompanha desde a época do açougue. Comprava com a gente e hoje frequenta o restaurante. Só não conseguimos sair muito com esses amigos porque trabalhamos no fim de semana. A gente trabalha enquanto o pessoal se diverte aos sábados e domingos (risos).

Júnior - É, mas depois, enquanto eles trabalham na segunda, a gente descansa (risos). Realmente, a maioria dos nossos amigos é formada por pessoas do comércio. Em algumas ocasiões atípicas, como festas, a gente dá um jeito e vai.

JC - Sei que se casaram cedo. Alguma coisa ficou para trás por causa do casamento precoce?

Júnior - A importância de se casar cedo é que você cria responsabilidades também cedo. Mas, por outro lado, você perde uma parte da sua vida, aqueles anos dedicados ao lazer, aos amigos, aos estudos. Eu, por exemplo, precisei parar com os estudos para me dedicar ao trabalho e à família. Ela também.

Simone - Eu pretendo voltar a estudar em breve. Uma das meninas já se formou e a outra está prestes a isso, então vai ser a minha vez. Antigamente, eu tinha vontade de fazer faculdade de direito, mas para continuar na área de alimentação, vou fazer gastronomia.

JC - E você, Júnior?

Júnior - Eu sempre gostei de motocicleta e de pescar. Aliás, esse é meu hobby. Tenho uma XT660. Antigamente, eu andava com a turma do Lelo’s, mas agora não tenho mais tempo e nem existe mais a turma. Ando muitas vezes sozinho, mesmo. Gosto de espairecer, curtir a paisagem, principalmente fazer trilhas. Sempre faço passeios com a Simone pela zona rural da região, como Arealva, por exemplo.

JC - Vocês colecionam histórias de pescador?

Simone - (risos) Temos algumas, sim.

Júnior - Saímos sempre para pescar, principalmente para o Mato Grosso. Uma vez, eu peguei um dourado de 11 quilos e, na hora de tirar a foto, ele me deu uma rabada entre as pernas que eu cheguei a cair dentro do barco. Outra vez, a Simone fisgou um dourado de 13 quilos e não acreditava que tinha conseguido a façanha.

Simone - Quase morri do coração. O peixe era muito grande e foi muito difícil tirá-lo da água. Naquelas águas, também tem um peixe muito feio chamado cachorra. Ele é dentuço e eu nunca havia fisgado um daqueles. Tinha 11 quilos e fiquei assustada, quase soltei o peixe de tão horrível que era (risos).

JC - Quais são as lembranças da infância?

Júnior - Meus pais foram excelentes, sempre nos apoiaram. Não consigo conter as lágrimas quando falo do meu pai. Lembro-me que fui campeão de judô quando tinha 12 anos de idade. Fui competir em Araçatuba e meu pai não botava fé que eu iria ser campeão. Então, ele prometeu que me daria uma moto CG se eu ganhasse. Fui com garra, treinei e ganhei. Ele foi obrigado a me dar uma moto aos 13 anos de idade e, como eu não tinha habilitação, andava somente no sítio. Aposto que a Simone vai falar de quando foi “Garota Minissaia” (risos).

JC - Então já ganhou um concurso de beleza?

Simone - Fui Garota Minissaia do Cine Bauru, não lembro exatamente o ano, algo em torno de 1983 ou 84. Nós desfilávamos de minissaia e depois nos davam notas. O evento era promovido pelo Cine Bauru, Paulinho Keller, Roberto Godoy, entre outros.

JC - Vocês já namoravam nessa época?

Júnior - Não. Éramos amigos porque estudamos juntos no Liceu Noroeste. Acho que começamos a namorar em 1985.

JC - Quais foram as grandes dificuldades que vocês passaram e superaram juntos?

Simone - Foram muitas mesmo. Primeiro porque casamos muito jovens. Criar duas filhas e trabalhar para isso não é nada fácil. Passamos por dificuldades financeiras, emocionais... Para vencer, nós trabalhamos muito tempo dia e noite. Temos orgulho em ver tudo o que passamos, ver nossas filhas criadas, formadas e trabalhando com a gente. Contamos muito com a ajuda de meus sogros. Montar o Nações Grill também não foi nada fácil. Precisamos reformar tudo e este foi um desafio que durou sete meses. Praticamente precisamos demolir tudo e fazer outro (restaurante). Tanto é que, na época, coloquei uma faixa en frente à construção com os dizeres “Português derruba muralha da China”. Acho que esse foi o maior desafio da nossa vida.

JC - Como foi a experiência de morar sozinhos tão jovens e com um bebê?

Simone - Isso nos ajudou a amadurecer muito. Moramos um ano com meus sogros, mas depois, nos viramos sozinhos. O Júnior viajava a semana toda por causa do trabalho e eu ficava sozinha com as meninas. Era complicado. Mas também tinha a parte divertida. Nós buscávamos a Karol na escola de moto, sem ter habilitação. Uma loucura. Ano que vem, completamos 25 anos de casados, bodas de prata que serão comemoradas por tudo o que passamos juntos.

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