Registros apontam que o macarrão é um alimento antigo: foi criado bem antes de Cristo, logo que o homem descobriu que podia moer alguns cereais, misturar com água e obter uma pasta para ser cozida ou assada.
Porém, curioso é notar que, mesmo após tantos aniversários, o macarrão não envelheceu. Pelo contrário, as receitas da massa e dos molhos passaram de geração em geração e o prato se consolidou como um alimento simples de preparar, barato, gostoso, prático e refinado
De tão popular, a mistura de farinha de trigo, ovos e água ganhou até data de comemoração. Amanhã, dia 25 de outubro, é o Dia Mundial do Macarrão. A data, que foi instituída há 15 anos na cidade de Roma, durante um congresso internacional sobre o alimento e que reuniu os principais fabricantes do mundo, é comemorada em países como o Brasil, Itália, México, Turquia, entre outros.
Homenagem justa, já que a massa ocupa uma boa porção no prato do brasileiro. Segundo a Associação Brasileira das Indústrias de Massas Alimentícias (Abima), só no ano passado foi consumido mais de 1,2 milhão de tonelada de macarrão, média de 6,4 quilos por habitante, colocando o País no 13º lugar do ranking mundial de consumo per capita.
Além disso, o Brasil é o terceiro maior produtor de massas alimentícias no mundo, ficando atrás apenas da Itália e dos Estados Unidos. Ao todo, são fabricados em terras verde e amarela 30 tipos de macarrão, distribuídos entre massas secas, instantâneas e frescas.
E quando o cenário é Bauru, as estatísticas da Abima que apontam o consumo e a produção de macarrão no País são confirmadas. Isto porque, pouca gente sabe, o Distrito Industrial da cidade abriga os galpões da Mezzani, fábrica líder de produção do alimento no Interior de São Paulo. A empresa chega a produzir 600 mil quilos de massa por mês, dos quais 10% correspondem ao macarrão.
Já no quesito consumo, o que não faltou foi gente aficionada pela massa para dar depoimento. As preferências são as mais variadas possíveis: vão desde pratos simples, como o miojo, aos mais elaborados, como as massas artesanais e os molhos exóticos, perpassando o yakissoba e os doces árabes, que também fazem uso do macarrão.
“Ah, não tem coisa melhor que almoçar uma bela macarronada acompanhada de frango assado aos domingos. Só de pensar me dá uma baita fome”, afirma, empolgada, Clélia Maria Paixão, 43 anos.
Alimento completo
Embora seja um alimento saboroso e popular, basta a palavra dieta para que o macarrão seja jogado, impiedosamente, para o escanteio. Isto porque, quando a finalidade é emagrecer, a maior parte das pessoas acredita que o macarrão encabeça a lista de proibições, já que massas engordam e todo regime que se preze deve ser feito à base de saladas e grelhados.
Porém a nutricionista Sylvia Regina Vieira Tosi absolve o macarrão de todas estas acusações e explica que o que engorda, na realidade, é o molho que o acompanha.
“O macarrão está na base da pirâmide alimentar e, por ser uma ótima fonte de energia, desempenha função equivalente à do arroz na alimentação diária. Contudo, as pessoas devem tomar cuidado com os molhos, especialmente os de quatro queijos, que são bastante calóricos”, alerta.
E para quem ainda tem um pé atrás com o macarrão, Sylvia indica o consumo do produto integral que, por ser rico em fibras, causa sensação de saciedade prolongada e evita que a fome volte à bater às portas do estômago algumas horas depois.
Quanto ao famoso macarrão instantâneo, o alerta da nutricionista é direcionado ao sachê de tempero. “É preciso cuidado, especialmente com as crianças que adoram miojo. Aquele tempero de saquinho contém muito sódio e não faz bem à saúde se consumido com frequência. Além disso, é bom lembrar que o macarrão instantâneo tem composição mais simples que os produtos normais”, orienta.
Com os devidos apontamentos feitos, Sylvia afirma que o macarrão pode, sim, ser consumido diariamente, desde que acompanhado de um bom molho de tomate ou de legumes, além de uma porção de carne. “Prova disso são os italianos, que comem macarrão todo dia. A porção ideal é de 100 gramas do alimento cru”, define.