Polícia

Imprudência causa tragédia em família na Bauru-Marília

Tisa Moraes
| Tempo de leitura: 5 min

A imprudência de um motociclista e do proprietário de um cavalo provocou uma tragédia em família no início da noite de ontem, na rodovia Comandante João Ribeiro de Barros (SP-294), a Bauru-Marília, em Bauru. O condutor da moto, Daniel Luiz Leonardo, 32 anos, levava a esposa, Ariane Rufino dos Santos, 24 anos, e o filho de 4 anos na garupa do veículo quando, na altura do Núcleo Fortunato Rocha Lima, no sentido Bauru-Duartina, se deparou com um equino que tentava atravessar a pista.

Como o animal tinha pelagem de cor parda e a visibilidade no momento do acidente, por volta das 19h30, bastante reduzida, o tempo de reação foi quase nulo. Mais exposto ao impacto, Leonardo não resistiu aos ferimentos e morreu no local. A criança, que não usava capacete, e a mulher foram socorridas pelo Corpo de Bombeiros ao Pronto-Socorro Central (PSC) em estado grave.

Elas deveriam ser encaminhadas ao Hospital de Base, mas a informação é de que não corriam risco de morte. O Policiamento Rodoviário informou que Leonardo não possuía habilitação para dirigir motocicletas e que o veículo, uma Honda Titan KS 150 cilindradas, com placa de Bauru, estava com o licenciamento vencido desde 2007.

O acidente ocorreu no quilômetro 350 mais 700 metros da rodovia, próximo ao Núcleo Fortunato Rocha Lima, onde é comum os moradores criarem animais para transporte ou trabalho. Como geralmente são mantidos em quintais sem o cercamento adequado, não é raro que escapem e sigam em direção à rodovia.

Há menos de duas semanas, no quilômetro 349 da mesma via, o motorista de um Ford Fiesta ficou gravemente ferido após atropelar um cavalo, também já no período noturno. Já em junho deste ano, José Luiz Augusto Martins, 32 anos, se chocou contra um equino no quilômetro 352, mas por sorte, sofreu apenas ferimentos leves.

Risco

Pelo risco que aquela região representa para os motoristas, o comandante do 1º Batalhão da Polícia Rodoviária em Bauru, tenente Luiz Carlos Ferreira dos Santos, orienta os condutores a ter a atenção redobrada quando precisarem trafegar por aquele trecho. “Dependendo da cor da pelagem do animal, o motorista só consegue vê-lo quando está muito próximo. Então a recomendação é reduzir a velocidade, no perímetro urbano, para 80 quilômetros por hora, para ter chances de uma reação adequada”, frisa.

Até o fechamento desta edição, o proprietário do cavalo atropelado não havia sido identificado. O equino permaneceu agonizando às margens da rodovia por cerca de uma hora. Os policiais rodoviários informaram que não tinham autorização para sacrificá-lo e ele morreu antes da chegada da equipe do Centro de Controle de Zoonoses (CCZ), com quem eles tentaram contato.

A cena chocante do animal lutando pela vida e do corpo do motociclista estendido no chão chamou a atenção de dezenas de moradores dos bairros adjacentes. Preocupados com a possibilidade de ocorrer um novo acidente, os policiais não permitiram que eles se aproximassem do local. Como a moto, o equino e a vítima fatal foram lançados ao acostamento, não foi preciso interditar o tráfego.

Por volta das 21h, a presença da Polícia Científica, do serviço funerário e de guincho ainda era aguardada. Quando chegassem, eles se deparariam com um cenário de destruição. Além de peças da moto espalhadas por todo lado e de uma grande mancha de sangue na proteção de concreto que separa as duas pistas, os chinelos do filho do casal, abandonados no acostamento, denotavam o quanto uma combinação de atitudes imprudentes pode ser trágica.

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Criança em moto só a partir dos 7 anos

A legislação de trânsito brasileira prevê que crianças podem ser transportadas na garupa de motocicletas apenas a partir dos 7 anos. Antes disso, segundo o comandante do 1º Batalhão da Polícia Rodoviária em Bauru, tenente Luiz Carlos Ferreira dos Santos, ela não tem capacidade física para se manter com segurança sobre o veículo.

“Ela simplesmente não consegue se sustentar. Não consegue alcançar os estribos para apoiar o pé e perde o equilíbrio muito facilmente. Até mesmo em uma reta, em baixa velocidade, o risco para ela é muito grande”, pontua. A partir dos 7 anos, elas podem ser levadas desde que utilizem capacete, equipamento que é obrigatório para todos os ocupantes.

Santos aponta que crianças em nenhuma idade podem ser carregadas à frente do condutor, próximo ao tanque de combustível da moto. Esta é uma prática comum entre pais que acreditam que, desta forma, garantirão maior segurança a seus filhos. “O que ocorre é que, se houver uma colisão ou mesmo frenagem mais brusca, a criança é a primeira a ser lançada ao solo, porque nada vai mantê-la fixa ao veículo”, observa.

A lei também proíbe que haja mais de um passageiro na moto, como trafegava a família vítima do acidente de ontem. “Além de a criança não estar usando capacete, aparentemente ela tinha menos de 7 anos e estava sendo transportada entre os pais. Estava tudo errado”, avalia.

Considerada infração de trânsito, o transporte de crianças em moto entre adultos gera multa de R$ 197,00, mais a apreensão do veículo e cassação da carteira de habilitação. O artigo 244 da lei número 9.503, de 23 de setembro de 1997, considera infração média o transporte de “crianças que não tenham, nas circunstâncias, condições de cuidar de sua própria segurança”.

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Sem CHN

O motociclista que morreu no acidente registrado ontem na Bauru-Marília não possuía habilitação para conduzir motocicletas e o veículo que ele guiava estava com os documentos vencidos há três anos. A irregularidade não é novidade para a Polícia Militar (PM) de Bauru, que realiza operações de fiscalização com frequência para tentar coibir o descumprimento da legislação por parte dos motociclistas.

Em abril deste ano, o JC publicou reportagem em que policiais, instrutores de trânsito, psicólogos e especialistas atestavam que a falta da Carteira Nacional de Habilitação (CNH) é o problema mais comum entre esta categoria de condutores. Em uma blitz realizada na época, o Pelotão de Trânsito da PM multou 47 motociclistas por irregularidades em apenas um final de semana, sendo que 31 deles não tinham habilitação.

Em caso de flagrante, o condutor é multado em R$ 574,62 pela infração, considerada gravíssima, e o veículo é apreendido. O motociclista também fica obrigado a arcar com os custos com guincho e com diárias de R$ 18,06 pela manutenção da moto no pátio da Circunscrição Regional de Trânsito (Ciretran).

Em Bauru, as motocicletas estão envolvidas em cerca de 50% dos acidentes de trânsito ocorridos dentro do perímetro urbano. No ano passado, 70% das vítimas fatais no trânsito da cidade estavam em uma moto.

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