Preocupados com o cenário de jovens em situação de vulnerabilidade social, membros do Conselho Comunitário de Segurança (Conseg) Centro Sul de Bauru defendem o trabalho multidisciplinar voltado a crianças e adolescentes envolvidos com drogas e prostituição. O posicionamento do Conselho é de que esse trabalho precisa ser realizado em sincronia com as diversas áreas das políticas públicas, como saúde, educação, lazer, esporte, entre outras.
O tema está pautado para ser discutido com prioridade na próxima reunião da entidade, que está marcada para amanhã, a partir das 9h, na Câmara de Dirigentes Lojistas (CDL) de Bauru. A médica infectologista Maristela Pastore, que também é chefe do Centro de Referência de Moléstias Infecciosas de Bauru, é um das convidadas para expor pontos sobre o assunto.
O presidente do Conseg Centro Sul, Olavo Pelegrina, diz que o jovem que está na rua precisa de medidas protetivas, pois está sujeito a todo tipo de violência. Entretanto, aponta que a responsabilidade não deve ser somente de um determinado órgão ou área.
“O uso do crack pelos jovens, por exemplo, é uma questão de saúde pública. E se não houver um tratamento médico efetivo, eles não vão se recuperar. Mas não adianta propiciar exclusivamente o tratamento sem focar a questão social. Há necessidade de um engajamento multidisciplinar para lidar com esses jovens. É preciso ainda envolver a família”, considera Pelegrina.
O presidente aponta que o desejo de apenas retirar a criança ou adolescente da rua não é suficiente para resolver o problema.
“Esses jovens estão atrás de dinheiro, precisam receber um auxílio, ser inseridos em programas de distribuição de renda. Mas como fazer isso acontecer na prática? O trabalho deveria envolver a rede municipal, interligando as ações sociais, de saúde, do Conselho Tutelar, ações de segurança, entre outras”, destaca.
“E nós sabemos quantos problemas reforçam a presença de crianças e adolescentes nas ruas. Faltam opções de lazer e esporte, que poderiam ocupá-los”, acrescenta Pelegrina.
Manifestação social
Não só as autoridades devem se mobilizar para mudar o cenário dos meninos e meninas em risco: a pressão por políticas públicas para essa faixa etária deve partir de toda a sociedade, na avaliação dos membros do Conseg Centro Sul.
“Jovens nessas situações de risco nos preocupam muito. Por isso, queremos multiplicar esse problema com os participantes da reunião do Conselho para ‘cutucar’ o governo”, mencionou o secretário do Conseg Centro Sul, Pellegrino Bacci Neto.
Da reunião, é deliberado um documento com reivindicações, que é encaminhado para autoridades municipais, associações e entidades sociais, juízes, promotores, entre outros atores responsáveis.
“A partir daí, iniciamos procedimentos de cobranças das medidas. Nós agendamos visitas com os secretários municipais, onde são retomados assuntos que não são resolvidos”, explica Pelegrina.
“Mas resolver a situação dos jovens na rua, que são vítimas da violência é uma urgência que já se arrasta na cidade por muitos anos. Por isso, pedimos iniciativa de entidades e sociedade civil, começando pela participação das reuniões dos Conselhos Comunitários de Segurança do seu bairro”, acrescenta.
O presidente finaliza dizendo que o número de crianças e adolescentes na rua, com a chegada de férias, pode aumentar. “Associações, entidades sociais e poder público precisam se posicionar”, reforça o secretário do Conseg Centro Sul. Durante a reunião, o público pode levar reclamações diretamente às autoridades e instituições presentes.
• Serviço
A reunião do Conseg Centro Sul será amanhã, a partir das 9h, na Câmara de Dirigentes Lojistas (CDL) de Bauru, que fica na rua Bandeirantes, 4-7, Centro. Contato com o Conseg Centro Sul: (14) 2106-7070.