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Caçadores de lixo

Wellington Balbo
| Tempo de leitura: 2 min

No mundo há verdadeiros caçadores de lixo de todas as espécies. Caçam lixo emocional, afetivo, no coração dos outros, nas atitudes das pessoas, enfim, lixo.

Caçadores de lixo emocional – aqueles que procuram freneticamente lembrar as situações que os fizeram sofrer. Caçadores de lixo afetivo – ciumentos inveterados que tentam podar a liberdade alheia. Caçadores de lixo no coração dos outros – aqueles que vêem maldade em tudo o que as pessoas fazem.

Caçadores de lixo nas atitudes dos outros – aqueles que não se cansam de procurar as falhas e contradições do comportamento humano.

Há gente que só tem olhos para o lixo e lamentavelmente não cogitam em reciclar suas próprias atitudes, pensamentos, posicionamentos, idéias. Acomodam-se na busca insana pelo lixo nos outros. Criticam o parente que não visita, falam mal da empresa, despejam suas frustrações no cônjuge, rebelam-se com a postura do vizinho. Vivem reclamando da vida, do mundo, enfim, de tudo.

Perseguem lixo nos outros como se fosse a jóia mais preciosa da Terra. Lembram-se daquela suposta ofensa cometida por alguém nos idos de... sei lá, nos idos de algum tempo já perdido e ultrapassado, mas elas, inapelavelmente ainda se lembram. E bradam orgulhosas da boa memória: “No dia 30 de fevereiro do ano de 1976... você me ofendeu!”.

E seguem intrépidas caçando lixos: Fulano errou! Sicrano não devia ter agido assim! Beltrano não acerta uma!

Você deve conhecer alguém com essas características, não é mesmo? Talvez seu pai, tio, irmão, amigo, enfim, qualquer, um menos você. Afinal, o lixo está sempre nos outros, certo?

Mas por que essas pessoas agem assim? Maldade? Não creio. Falta de assunto? Talvez. No entanto prefiro apostar na ignorância. Ignoram princípio básico: estamos todos aprendendo. Equivocamo-nos hoje e equivocaremo-nos amanhã. Um dia, porém, aprenderemos, aliás, esta é uma das certezas que temos na vida, um dia, cedo ou tarde, neste ou em outro século aprenderemos; aprenderemos a amar, respeitar, colaborar, servir e, principalmente, refletir. Na atual conjuntura evolutiva em que vivemos se procurarmos equívocos e contradições no comportamento de qualquer pessoa iremos encontrar aos montes. Nem é preciso muito empenho para isso. Porém, o fato de não procurarmos o “lixo” não nos isenta de analisar as situações. É preciso analisar para aprender e até compreender as razões do equívoco cometido pelo outro, se é que existiu mesmo.

Entretanto, uma coisa é certa: nem só de limitações é feito o ser humano. Há muitas coisas boas que podemos procurar e encontrar nos outros, basta ter boa vontade. Quando exercitamos a boa vontade para com o semelhante fatalmente aprenderemos a ver suas virtudes e o valor que cada criatura tem. Óbvio que não encontraremos perfeição em ninguém, aqui neste Planeta estamos ainda em processo de aperfeiçoamento, todavia pelo menos teremos existência mais leve sem sentir o fétido odor do lixo que costumamos carregar pela vida afora.

O autor, Wellington Balbo, é colaborador de Opinião

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