Com uma população que passa dos 190 milhões de habitantes, o Brasil possui cerca de 5 milhões de deficientes auditivos no meio desse mar de gente. A verdade é que muitos demoram para diagnosticar o problema, principalmente nos bebês, o que gera consequentemente uma falha no desenvolvimento da fala.
Visando coibir esses problemas e também conscientizar os adolescentes que fazem o uso indiscriminado de MP3 players em volume acima do recomendável, hoje, Dia Nacional de Prevenção e Combate à Surdez, uma unidade móvel da Divisão de Saúde Auditiva do Hospital de Reabilitação de Anomalias Craniofaciais da Universidade de São Paulo (HRAC-USP/Centrinho) estará disponível para a orientação da população.
Ela ficará no estacionamento do Bauru Shopping das 8h30 às 17h, e cerca de cinco profissionais estarão prontos para abordar quem passar pelo local. A fonoaudióloga e diretora da Divisão de Saúde Auditiva do Centrinho, Regina Célia Bortoleto Amantini, revela que a população de surdos vem aumentando. “De 170 novos casos que recebemos todo mês, pelo menos 85% são idosos.”
Ela explica que, como a expectativa de vida aumentou, as células dessas pessoas não deixam de envelhecer. “As células ciliadas responsáveis pela audição também envelhecem e esses idosos acabam perdendo a audição como uma consequência natural. Somente os (sons) agudos são prejudicados neste caso, então, eles ouvem bem. Entretanto, sentem dificuldade de compreender as palavras”, explica Regina.
Idosos
Regina pede atenção à questão dos idosos porque, quando isso acontece, eles se afastam do convívio familiar. “Se a surdez começa a se desenvolver, ele começa a ficar ranzinza, não quer mais participar do convívio familiar e acaba se isolando. É preciso perceber isso e dar atenção para ele”.
A paciente Kátia Elmor Marchi, 60 anos, faz acompanhamento no hospital há aproximadamente quatro anos e conta que começou a desenvolver a surdez em decorrência de uma diabetes.
“Alguns médicos falam que é porque eu ingeri muito remédio para emagrecer. Outros falam que foi em decorrência da diabetes. E eu uso aparelho nos dois ouvidos.”
Kátia foi encaminhada da cidade de Pirassununga, onde mora, para Bauru, mas não reclama de ter que percorrer mais de 200 quilômetros para receber o atendimento. “Eu sou muito bem tratada aqui e recebo todo o atendimento necessário. Os dois aparelhos eu consegui gratuitamente. Não acho ruim de ter que vir de Pirassununga para Bauru para ser atendida”.
Atualmente, a Divisão de Saúde Auditiva do HRAC-USP/ Centrinho conta com o trabalho de otorrinos, fonoaudiólogos, assistentes sociais e psicólogos para atender diariamente cerca 130 pacientes e 170 novos casos por mês.
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Som alto continua como grande vilão
Um dos agravantes da surdez atualmente é o uso excessivo de MP3 players, Ipods, entre outros tipos de aparelhos eletrônicos utilizados para ouvir música. O que acontece é que o abuso do volume causa uma perda das funções das células ciliadas e, consequentemente, a surdez aparece.
“O MP3 ouvido em volume médio e agradável aos ouvidos chega a 60 decibéis. Mas muitos abusam do som que chega a 120 decibéis, o que corresponde quase ao som de uma turbina de avião”, salienta a fonoaudióloga Regina Célia Bortoleto Amantini. O limite máximo permitido de exposição a sons é de 85 decibéis.
Outro ponto crucial da conscientização é a vacinação contra rubéola, que ainda é uma vilã das mães no período da gravidez.
“Apesar das campanhas, a rubéola nas mães ainda é um agravante que causa a surdez em bebês em período de gestação. Além disso, nós queremos alertar a população para não titubear na hora da dúvida. Se achar que o bebê possui alguma deficiência na fala, é necessário procurar atendimento médico”, frisa.
Quando o bebê é diagnosticado com surdez logo no início, pode receber o atendimento necessário sem que prejudique o desenvolvimento da fala.
“Muitas mães ainda chegam aqui com a criança com 2 ou 3 anos de idade. E muitas delas falam que já percebiam que a criança tinha deficiência na fala. Quando descoberta com antecedência, a surdez pode ser corrigida com aparelhos ou até mesmo com o implante coclear, mais conhecido como ouvido biônico”, ressalta Regina.