Geral

Problemas no Enem geram instabilidade entre alunos

Alexandre Padilha
| Tempo de leitura: 3 min

O final de semana teve Grande Prêmio de Fórmula 1 em Interlagos, a presidente eleita Dilma Rousseff decidiu morar na Granja do Torto até sua posse, o presidente dos EUA Barack Obama forçou Índia e Paquistão a resolver seus problemas juntos e o ex-Beatle Paul McCartney tocou em Porto Alegre. Porém, um dos assuntos que mais chamaram a atenção na mídia foram os erros na impressão do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) e a possibilidade de cancelamento da prova (leia mais na página 16).

Com isso, os jovens vestibulandos que estão com o nível de ansiedade próximo do auge ficaram ainda mais confusos quanto aos dias que se seguem. Por outro lado, professores do ensino médio de escolas bauruenses destacam a importância de manter a calma para que essa instabilidade de emoções não influencie nos resultados de outros exames marcados para os próximos meses.

Um exemplo da confusão que se instalou entre os estudantes pode ser destacado na opinião do vestibulando Bruno Melani, de 17 anos, que prestou a prova com vistas a uma vaga no curso de administração. O adolescente afirmou que a prova teve problemas, mas também pontuou que a situação foi resolvida e não chegou a atrapalhar nenhum dos candidatos.

“A fiscal deu a indicação de que era para esperar antes de passar para o gabarito e depois confirmou o procedimento correto”, revelou Melani ao considerar “uma injustiça” remarcar a prova para todos, incluindo as pessoas que não encontraram problemas para passar as respostas para o gabarito.

Críticas

Outra estudante que criticou as falhas apresentadas pelo modelo de exame unificado foi Marina Rays. Com 17 anos e o objetivo de entrar em uma faculdade de medicina, a jovem enumerou a perda de credibilidade da prova e as incertezas transmitidas aos vestibulandos como os maiores problemas dos erros na impressão e montagem dos cadernos de respostas. Porém, disse não acreditar que isso tenha prejudicado os estudantes.

“A falha não prejudicou os alunos. O problema foi que alguns fiscais orientaram para fazer o contrário. Mas, se conseguirem pedir para corrigir o gabarito de maneira invertida, não deve ter problema”, ponderou ao citar uma das possibilidades apresentadas pelo Ministério da Educação para não precisar reagendar a prova.

Do outro lado da sala de aula, o professor de química Antônio de Andrade definiu o papel das escolas e dos professores como tranquilizadores de alunos. Segundo ele, deve ser realizado um constante acompanhamento das novidades que surgem sobre o caso para poder instruir os vestibulandos da melhor maneira. Para isso, ele disse usar tanto o site da instituição quanto o contato direto com os estudantes.

“Neste momento, o que sentimos com o impasse é a angústia dos alunos. A maioria estava bem preparada para fazer a prova e se frustrou com os erros que aconteceram. Pedimos calma e paciência para conseguirem administrar essa ansiedade”, frisa.

____________________

Decepção

Bastante decepcionado com os problemas ocorridos durante as provas do Enem e sem descartar a possibilidade do reagendamento da prova, o estudante Luiz Gustavo Daré, 17 anos, resumiu o exame como uma prova de resistência. Candidato a uma vaga em engenharia civil, ele disse que pesaria os prós e contras antes de resolver novamente as questões.

“Eu acho que será muito difícil fazer outra prova porque temos Unesp (Universidade Estadual Paulista), Unicamp (Universidade Estadual de Campinas) e Fuvest pela frente. Fazer a prova novamente dependeria da situação que eu estivesse no momento, porque é muito cansativa e eu poderia optar por outras preferências”, afirmou Daré.

Mais firme em sua crítica, Aryel Trabulsi, 17 anos, classifica o Enem como uma prova que perdeu sua credibilidade. “Pelo que aconteceu no ano passado e neste final de semana eu acho inaceitável que o exame represente um caminho unificado para as universidades brasileiras”, analisa a candidata a uma cadeira nas aulas de medicina.

Sobre a possibilidade de realização de uma nova prova apenas para os estudantes que sentiram-se prejudicados, Trabulsi pontuou que os candidatos que a fizessem seriam privilegiados por já conhecerem a estrutura do exame. “Mas se a prova fosse reagendada para todos eu faria por obrigação, se não precisasse eu não faria”, conclui.

Comentários

Comentários