São Paulo -Para salvar o Panamericano, após fraude que causou prejuízo de R$ 2,5 bilhões, o empresário Silvio Santos deu como garantia praticamente todo seu patrimônio empresarial. Para conseguir os R$ 2,5 bilhões do Fundo Garantidor de Créditos (FGC), entraram 44 empresas subordinadas à holding SS Participações, entre elas o SBT, sua participação no banco Panamericano, a Jequiti, a Liderança Capitalização e o Baú da Felicidade. O valor contábil de todas as empresas é de R$ 2,7 bilhões.
Segundo o presidente do conselho do FGC, Gabriel Jorge Ferreira, o empresário Silvio Santos se dispôs a vender todas essas empresas se for preciso para saldar o empréstimo. “Nunca vi um empresário fazer isso. Se colocar nessa situação”, afirmou Ferreira.
O FGC foi criado em 1995 para ressarcir os depositantes em caso de quebra de bancos. Em 2005, o fundo passou também a comprar carteiras de instituições com problemas de liquidez, papel que, depois, assumiu durante a crise de 2008. O socorro, por meio de empréstimo, é inédito na história do FGC. Ferreira justificou a operação afirmando que, se o fundo tivesse de bancar os compromissos dos depositantes, teria um desembolso de R$ 2,3 bilhões.
Segundo Ferreira, se não emprestasse o dinheiro, o banco sofreria intervenção e posterior liquidação. Nesse caso, teria de cobrir R$ 2,3 bilhões para os segurados. Com a operação, além de manter o banco funcionando, o FGC tem agora um ativo de R$ 2,5 bilhões que serão pagos corrigidos pela inflação.
Lula nega conversa
Antes de embarcar para Seul, onde participará da reunião do G20, o presidente Lula negou que tenha conversado com o empresário Sílvio Santos sobre a liberação de R$ 2,5 bilhões do Fundo Garantidor de Crédito (FGC) para cobrir o rombo no banco Panamericano.
Lula recebeu Silvio Santos em audiência no Palácio do Planalto no dia 22 de setembro. “Este não é assunto para o presidente da República. O presidente da República não empresta dinheiro, não faz negócio com banco e não fiscaliza banco. Isso é uma coisa do Banco Central do Brasil”, declarou.
Lula se irritou com a forma como a pergunta foi feita sobre o empréstimo ter sido concedido ao empresário menos de dois meses depois de Silvio Santos ter sido recebido por ele no Planalto. “É importante dizer por que, se a pergunta for meia pergunta, se não é inteira....”, observou Lula, sugerindo que isso poderia dar margem a interpretações erradas.
“O banco Panamericano do Silvio Santos tomou empréstimo dos próprios bancos, do fundo garantidor do banco e o fundo garantidor existe exatamente para isso, existe para o banco Panamericano ou para qualquer outro banco”, justificou, acrescentando que “se amanhã o Banco do Brasil tiver um problema e quiser dinheiro, ele vai no fundo garantidor, que é criado pelo banco, toma dinheiro emprestado, dá garantia, se tiver garantia, e recebe o dinheiro de volta”.
Na visita realizada ao Palácio do Planalto, a dez dias do primeiro turno das eleições, Silvio Santos, conforme informou a assessoria da Presidência na época, teria pedido apoio do governo para a realização do Teleton.