Política

Saúde precisa de 50 médicos para 2011

Lígia Ligabue
| Tempo de leitura: 7 min

Para dar conta do plano de expansão da rede municipal previsto para 2011, com a inauguração das Unidades de Pronto Atendimento (UPAs), formação de mais equipes do Programa Saúde da Família (PSF) e cobrir parte do déficit atual de 70 vagas na rede municipal de Saúde já existente, a Prefeitura de Bauru terá que contratar para o ano que vem pelo menos 50 médicos. Para amenizar a necessidade emergencial, recentemente foi aberto concurso público para a entrada de psiquiatras, cirurgiões, clínicos, pediatras, infectologistas e ortopedistas. Com baixo número de inscritos, as inscrições foram prorrogadas até o dia 19.

Para Fernando Monti, secretário municipal de Saúde, houve falha na divulgação por parte da pasta, o que prejudicou o número de inscrições. Para atrair candidatos, o secretário determinou a intensificação da publicidade, principalmente em universidades. “O conhecimento do concurso foi pequeno. Houve falha nessa divulgação, por isso pedi para ser mais focado nos aparelhos formadores, para atrair também os jovens médicos”, ressalta.

Para o secretário, com a implementação do Plano de Cargos, Carreiras e Salários dos servidores da Saúde o ingresso na rede municipal se tornou mais interessante aos profissionais.

Ainda assim, há resistência, dentro do quadro atual, para o cumprimento de novas regras. No Pronto-Socorro Central, por exemplo, a distribuição de plantões enfrenta divergência de médicos. Muitos tentam impor a vontade pessoal na distribuição do agendamento, em detrimento a lógica de necessidades dos usuários.

Enquanto isso, a administração tenta repor o quadro. Monti observa que faltam 70 profissionais para completar as vagas na secretaria, mas ressalta que com a contratação de 15% dessa demanda a pasta poderia reduzir de forma acentuada o déficit. “Com o ingresso de 30 médicos na rede, já dá outro panorama ao atendimento”, afirma o secretário.

O Departamento de Urgência e Emergência, que abrange o Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu), os prontos-socorros Central e da Bela Vista, além do Pronto-Atendimento Infantil (PAI), é a área com maior carência de profissionais, afirma Fernando. “Principalmente na questão de pediatras e cirurgiões. Além disso, precisaremos ampliar ainda mais o número de vagas por conta do Samu regional”, ressalta. Toda a regulação do sistema na região será feita em Bauru.

As necessidades

Além disso, com a inauguração no ano que vem das quatro Unidades de Pronto Atendimento (UPAs), nos Núcleos Geisel e Mary Dota, Jardim Bela Vista e Vila Ipiranga, a demanda por profissionais aumentará ainda mais. Porém, como o programa das UPAs é do governo Federal, a União custeia parte da manutenção e salário de profissionais. Cálculos aproximados da Saúde apontam que para as unidades Mary Dota, Ipiranga e Bela Vista, o aporte mensal saia em torno de R$ 500 mil.

Pelas contas do secretário, serão necessários contratar 20 médicos somente para cobrir os plantões das UPAs. As unidades de menor porte – Geisel, Mary Dota e Ipiranga – terão dois plantonistas cada uma. Já a do Jardim Bela Vista, a maior delas, empregará três médicos.

Outra necessidade da secretaria é a contratação de profissionais para regulação e auxiliares de enfermagem para atuar na rede de Saúde. “Vamos abrir novos processos seletivos. E, recentemente, convocamos seis enfermeiros aprovados no último concurso”, ressalta Fernando.

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Saúde da Família

Para o ano que vem, a Secretaria de Saúde também tem o objetivo de ampliar a rede de unidades e equipes do Programa Saúde da Família (PSF). Para isso, também terá que aumentar o número de vagas de médicos. “Para esse programa, precisamos de um outro perfil de profissional. É preciso ser um médico mais generalista”, ressalta Monti. A expectativa é passar das sete equipes existentes hoje para 33 grupos de trabalho. O PSF também recebe subsídio do governo Federal.

Com as 26 novas equipes, serão necessários contratar mais 26 novos médicos. Mas Monti ressalta que com a ampliação do PSF e a inauguração das UPAs a tendência é a diminuição da procura pelos Prontos-Socorros da cidade e, consequentemente, no número de atendentes nessas unidades de urgência e emergência.

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Tempo pressiona informatização da pasta

A informatização da rede de saúde municipal é inevitável em 2011, senão o sistema atual, com várias obras em andamento, não vai funcionar. São as construções das novas Unidades de Pronto-Atendimento (UPA) do Núcleo Mary Dota, Vila Ipiranga e Jardim Bela Vista, que devem, ser entregues no ano que vem - além de uma quarta que será construída no Núcleo Geisel - somada à criação de mais 26 unidades do Programa Saúde da Família e a geração de guias para consultas e exames das vinte núcleos da cidade.

Sem o sistema online, integrado, a rede não vai funcionar. Essa é a avaliação do secretário municipal de Saúde, Fernando Monti, que há dois anos tenta informatizar a pasta. Para ele, a maior dificuldade é a não existência no mercado de programas que dialoguem com o do governo federal.

De acordo com Monti, os softwares para gerenciamento de saúde existentes hoje não atendem uma necessidade das prefeituras que é a compatibilização com a linguagem adotada pelo programa do governo federal. “Nós teríamos dois trabalhos. O primeiro seria o normal, do dia a dia das atividades da secretaria. Mas, ao passar as informações para Sistema Único de Saúde, os sistemas não conversam entre si. Então, teríamos que digitar novamente todas essas informações no programa do governo federal. É um retrabalho que eu considero desnecessário. Mas não existe essa interface comum pronta”, afirma.

No início deste semestre, Monti, representantes do Conselho Nacional dos Secretários Municipais de Saúde e do DataSus foram a Florianópolis (SC) para conhecer o sistema utilizado na cidade, que teria essa propriedade. Porém, de acordo com o secretário, a prefeitura daquele município mantém contrato com a empresa fornecedora e não poderia disponibilizar o software para ser usado por outras prefeituras.

Uma outra saída vislumbrada por Monti é a que o próprio Ministério da Saúde ofereça um programa compatível com o seu sistema. “E já oferecemos Bauru como cidade piloto para testar esse software. Dessa forma, o próprio Ministério absorveria boa parte do custo e teríamos um programa definitivo, que converse automaticamente com o do Ministério e não exija um esforço duplo”, pondera.

Para isso, Monti, em parceria com outros secretários, mantém conversa com o Ministério da Saúde para que a proposta deslanche já na próxima administração federal. Porém, ele reconhece que não pode insistir muito tempo nessa proposta. “Caso não dê certo, vamos ter de optar por um sistema e partiremos para a licitação e verificar qual o programa mais adequado para Bauru”, avalia.

Monti reconhece que com todo o investimento na ampliação da rede de atendimento da Saúde na cidade, o tempo para a informatização está se esgotando. “Sem isso, o sistema de saúde não tem como progredir. No começo do ano que vem, se não tiver vingado o projeto com o Ministério da Saúde, vamos licitar o sistema. Ano que vem, teremos o sistema informatizado em Bauru de um jeito ou de outro”, pontua.

O secretário afirma que a informatização do sistema de saúde não é um problema exclusivo de Bauru. “É um gargalo em todo país”, pontua. “Temos que fazer uma estratégia segura para implementar esse sistema de informatização na cidade, até avaliando o custo, que é de cerca de R$ 3 milhões a R$ 4 milhões, para implantação. Não é barato para o município”, ressalta.

Infraestrutura

Mas o problema da informatização da rede não se restringe à questão de aquisição de programa. A estrutura da secretaria ainda não comporta a implantação do sistema. “Mesmo se tivéssemos o programa agora, não teria condições para ele ser instalado”, admite o secretário.

Mas ele vê solução a caminho. “Mas o processo não está parado. Estamos investindo na aquisição de novos equipamentos e na adaptação dos imóveis”, explica o secretário. Monti conta que a prefeitura está adquirindo um grande lote de computadores e a Saúde entrou como partícipe dessa licitação, para a obtenção de equipamentos.

Outro problema, a adaptação da infraestrutura, também está sendo equalizado. “Descobrimos, por exemplo, que não tinha nem tomadas para os computadores nas unidades. Tivemos que fazer toda uma revisão da rede elétrica e logística específica para os equipamentos”, completa.

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