Além do aumento de movimento de pessoas nas unidades de emergência, o que agrava a situação dos pacientes é também a falta de vagas de internação nos hospitais. Ontem, segundo Rose Lopes, membro do Conselho Gestor do Pronto-Socorro Central (PSC), 16 pacientes - sendo 50% deles com mais de 70 anos de idade - esperavam transferência para o Hospital de Base (HB), Hospital Estadual (HE) Bauru e Hospital Manoel de Abreu. Da lista apresentada ao JC, pelo menos três pessoas permaneceram no PSC nos últimos 4 dias.
O diretor do Departamento de Emergência e das Unidades de Pronto-Atendimento de Bauru, Luiz Antonio Bertozzo Sabbag, reconhece o drama. “Temos dificuldade para encaminhar pessoas muito doentes para os hospitais. Elas vão ficando retidas no PS, em macas, e ficam espalhadas pelos corredores”, ressalta ele, que cobra da administração municipal a construção de um hospital municipal.
Rose explica que o tempo de espera para transferência de um paciente para unidades hospitalares - conforme prevê o Termo de Ajustamento de Conduta (TAC) firmado em 2006 entre todos os organismos da área de saúde em Bauru - é de, no máximo, 48 horas após o diagnóstico. Todavia, ela esclarece que o prazo de transferência para hospitais, em casos de gravidade, nem sempre é respeitado devido à ausência de leitos disponíveis nas unidades, muitas vezes ocupados por outros pacientes que não conseguem retornar às suas residências para receber os cuidados médicos.
“Nós temos muitos casos de pacientes, especialmente idosos, que não têm familiares preparados para dar continuidade ao tratamento em casa”, aponta Rose. “Esses acabam ficando na unidade hospitalar durante longos períodos, fator que dificulta a entrada de novos pacientes que precisam de atendimento.”
Segundo ela, as doenças vasculares são as que mais atingem a população acima de 60 anos. “Um idoso com um problema vascular, por exemplo, às vezes precisa amputar uma parte do corpo, e muitos deles ficam no hospital por um período de 90 dias, sendo que poderia receber cuidados em casa por familiares ou cuidadores.”
Também por conta da crise financeira da Associação Hospitalar de Bauru (AHB), Rose reconhece que o HB não pode comportar um número de pacientes além do que tem conseguido atender. Por esse motivo, cobra do HE uma maior facilidade de acesso às vagas de internação.
Procurada pela reportagem, a assessoria de imprensa do hospital informou que a unidade trabalha em sua capacidade máxima. Ontem, somente em Bauru, 10 pacientes vindos do PS Bela Vista e do PSC foram transferidos para a unidade hospitalar, sendo que apenas um constava da lista apresentada por Rose.