•A voz do leitor
Um leitor, funcionário público municipal, diante das notícias de ontem sobre as filas nos pronto-socorros central e da Bela Vista, questiona, em contato com o JC, via e-mail: “Por que os senhores vereadores, que votaram a favor do Plano de Carreiras, Cargos e Salários (PCCS), não se manifestam sobre as distorções no atendimento? Por que o sindicato dos enfermeiros também não se manifesta?”.
•Visão de dentro
“Entendo que antes de qualquer mudança é preciso estruturar. A redução da carga horária e o funcionamento do atendimento não foram levados em consideração pelos legisladores e Executivo? A notícia só fala em profissionais médicos e enfermeiros... e os demais fincionários da saúde?”. Trata-se de um funcionário municipal que, portanto, vê o problema de perto, diariamente. Por isso, vamos seguir ouvindo-o.
•Interesse egoísta
“Não adianta tapar o sol com a peneira ou inventar desculpas, o que está acontecendo é que após a incorporação está havendo um êxodo do Pronto-Socorro e outros locais onde se ganhavam gratificações. Todos os profissionais estão ganhando o mesmo, por isso estão se transferindo para as unidades básicas, onde o estresse de trabalho é menor...” Isso que ele diz é parte do que o JC apurou ontem, não apenas quanto a gratificações, mas pelas novas regras de horários e demanda que o PCCS gerou.
•Outra face caótica
Outro leitor, atento e preocupado com o atendimento de saúde à população mais carente, viu bem a outra face desse descaso com o cidadão comum que precisa da saúde pública: “Além do aumento de movimento de pessoas nas unidades de emergência, o que agrava a situação dos pacientes é também a falta de vagas de internação nos hospitais”. Não é novidade.
•A farra e o feudo
O JC denuncia há anos as mazelas na AHB, que culminaram com a Operação Odontoma, que completou um ano e ainda vai gerar processos penais. Por outro lado, este jornal já mostrou também, de forma enfática, a carência de oferta de resolutividade (atendimento ampliado) por parte do Hospital Estadual, um feudo ainda intocável, dirigido por uma instituição que nem de Bauru é. Talvez esse seja um dos motivos de tanta frieza.
•Pelos corredores
Segundo a cidadã Rose Lopes, do Conselho Gestor do Pronto-Socorro Central, 16 pacientes - sendo 50% deles com mais de 70 anos de idade - esperavam transferência para o Hospital de Base (HB), Hospital Estadual (HE) e Hospital Manoel de Abreu. Da lista apresentada ao JC, pelo menos três pessoas permaneceram no PSC nos últimos 4 dias. Quatro dias num corredor de pronto-socorro aguardando vaga em hospital! Dá para sentir o drama apenas lendo este relato?
•Hospital municipal?
O diretor do Departamento de Emergência e das Unidades de Pronto-Atendimento, Luiz Antonio Bertozzo Sabbag, reconheceu o drama. “Temos dificuldade para encaminhar pessoas muito doentes para os hospitais. Elas vão ficando retidas no PS, em macas, e ficam espalhadas pelos corredores”, diz ele, que cobra da administração municipal a construção de um hospital municipal. Há quem já defenda a municipalização do HB. Mas com que dinheiro, com que plano de ação e com que tipo de gestão?