Política

Vereador propõe ‘Remédio em Casa’

Tisa Moraes
| Tempo de leitura: 4 min

Para reduzir o fluxo de pessoas nas unidades básicas de saúde e, ao mesmo tempo, oferecer maior conforto aos portadores de hipertensão arterial e diabetes que são atendidos pelo Sistema Único de Saúde (SUS), o vereador Fernando Mantovani (PSDB) propôs ao prefeito Rodrigo Agostinho instituir na cidade o programa “Remédio em Casa”.

Iniciativa bem sucedida implementada na cidade de São Paulo desde 2005, o projeto consiste na entrega domiciliar de medicamentos a pacientes que sofram de doenças crônicas, mas que não necessitem de acompanhamento médico mensalmente.

Nesta semana o parlamentar esteve com coordenadores do programa, na Capital, de onde retornou com um modelo para que a ideia possa ser instituída em Bauru. “É um projeto simples e barato, mas extraordinário quanto à sua repercussão social”, pontua.

Consultado pela reportagem, Rodrigo informou que a iniciativa já vinha sendo estudada pela prefeitura, mas que ainda será necessário aguardar o processo de informatização da rede de saúde municipal para poder avaliar a real viabilidade do programa. “É algo que a gente vê com bons olhos, mas antes precisamos analisar como serão instalados os softwares (de gerenciamento de saúde), que precisam ser compatibilizados com os programas do governo federal”, adianta.

No formato desenvolvido pelas equipes de São Paulo, hipertensos e diabéticos que realizam tratamento pelo SUS e estão com a doença em nível estável e controlado recebem, via Correios, remédios em quantidade suficiente para o tratamento no período de três meses.

Passado esse tempo, eles precisam retornar ao médico para nova avaliação, para então poderem receber nova remessa de medicamentos.

A facilidade seria uma forma de estimular os pacientes a não interromper os cuidados com a saúde, que são para a vida toda.

“O que se observou nessa experiência é que, antes, muita gente abandonava o tratamento porque tinha que buscar o medicamento no posto de saúde e, além de ter de deslocar até lá, muitas vezes com dificuldade, ainda era obrigado a enfrentar fila”, observa Fernando Mantovani.

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Maior adesão

Depois que os remédios passaram a ser entregues nas casas dos doentes com o programa instalado em São Paulo, além do nível de adesão ao tratamento ter aumentado consideravelmente, o movimento de pessoas nos postos de saúde também registrou decréscimo, o que colabora para o melhor funcionamento das unidades, conforme destaca o vereador bauruense Fernando Mantovani (PSDB).

“Além dos médicos e funcionários passarem a ter mais tempo para se dedicar aos doentes que realmente estão precisando naquele momento, os hipertensos e diabéticos também preservam sua saúde, porque não precisam mais circular entre os enfermos”, pondera.

Conforme lembra o prefeito Rodrigo Agostinho, a proposta vai ao encontro da intenção da prefeitura de retirar as farmácias de dentro das unidades de saúde e instalar unidades farmacêuticas ao lado das Unidades de Pronto-Atendimento (UPAs) que serão construídas.

Se implantado em Bauru, o programa “Remédio em Casa” poderia beneficiar inúmeros moradores, já que, segundo estimativas da Secretaria Municipal da Saúde, somente a hipertensão acomete pelo menos 45.710 habitantes que fazem uso do Sistema Único de Saúde (SUS), sendo que 22.507 deles já recebem acompanhamento e atendimento gratuitos.

“A hipertensão, assim como o diabetes, é uma doença que se tornou o maior problema médico da atualidade. Muita gente está morrendo em função da alimentação, do sedentarismo e do estilo de vida moderno”, diz o vereador.

Como medida inicial para fazer o programa vingar na cidade, Mantovani propôs a instituição de um projeto-piloto em apenas uma das unidades básicas de saúde da cidade. A ideia é atender em torno de 100 pacientes por um prazo determinado e, posteriormente, ampliar a abrangência da iniciativa para toda a cidade.

Por considerar que este processo se daria de maneira simples e com baixo custo para os cofres municipais - cerca de R$ 2,00 por paciente a cada mês, ele avalia que falta apenas vontade política para que os pacientes de Bauru passem a receber os medicamentos em casa.

“Nós já temos os medicamentos e a logística para a entrega, porque a prefeitura tem contrato com os Correios. Já conversei com o prefeito e com o secretário municipal e eles demonstraram entusiasmo. Agora, falta a pressão da sociedade e da mídia para que esse programa possa ser trazido para a cidade”, pondera.

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