Alunos do programa de turismo rural realizado desde março pelo Serviço Nacional de Aprendizagem Rural (Senar) em parceria com o Sindicato Rural de Pederneiras (26 quilômetros de Bauru) fizeram no Recanto Itatinguy um “avant-première” da culinária à base de aipim (mandioca), eleita como produto turístico no município.
O Festival Gastronômico do Aipim saiu do plano teórico e foi para o prático pelas mãos das alunas que identificaram qual seria o prato local que ‘merecia’ ser usado em um evento, explica o responsável pelo curso do Senar, Luiz Carlos Matelli da Silva.
“O curso foi desenvolvido em 10 módulos. O primeiro deles é negócios e oportunidades. O segundo é dedicado a identidade e cultura local. Nesse módulo os alunos escolheram o aipim para ser o prato principal do festival gastronômico.”
Silva ressalta que na matéria há um resgate da história e da produção local. Porém, como em Pederneiras atualmente a agricultura está voltada ao cultivo da cana-de-açúcar, os alunos foram buscar no passado e encontraram o aipim. “A mandioca era consumida pelos índios caingangues que ocupavam o município e a região. Até hoje, muitas residências na cidade mantêm sua ‘roça’ de mandioca no quintal. Fizemos esse resgate para promover o festival que é o número zero e não o primeiro. Nós esperamos que alguém compre a idéia e que no ano que vem lance o 1º Festival do Aipim atraindo turistas para Pederneiras.”
Para atingir o objetivo traçado no curso, o festival foi apresentado para formadores de opinião, todos com capacidade para capitaniar a idéia.
A intenção é que anualmente os empreendedores façam o festival oferecendo pratos típicos da comida caipira, especialmente aqueles confeccionados a partir do aipim.
Com a mandioca, também conhecida como aipim, foram desenvolvidas receitas de doces e salgados. “O aipim pode ser produzido o ano todo. O evento pode fazer parte do calendário anual do município como aconteceu na cidade de Brotas onde há o festival da polenta.”
Segundo Silva em 2008 foi feito trabalha semelhante e identificada a polenta como sendo o prato que fazia parte da história da cidade. “Tem até uma rua que tem o apelido de polenta porque nela havia grande concentração de imigrantes italianos e todo mundo fazia e se alimentava dela. A rua cheirava polenta. Fizemos o festival e um restaurante adotou a idéia e continua fazendo.”
Outras experiências, igualmente orientadas pelo Senar, garantiram o sucesso de eventos que são realizados até hoje em todo o Estado de São Paulo. “Tem um restaurante que realiza o festival do pinhão, outro da batata, dependendo da região do Estado.”
Em Pederneiras, o projeto acompanhou o nascimento de um restaurante da família Pallarini. Em busca de novas oportunidades, a mãe e o filho participaram do curso e resolveram instalar no sítio um restaurante voltado a culinária caipira focada no aipim. Para isso, fizeram um investimento de cerca de R$ 80 mil.