Política

Habitação faz CEF terceirizar serviço

Nélson Gonçalves
| Tempo de leitura: 6 min

O boom na habitação no País, sobretudo a partir do programa “Minha Casa, Minha Vida” e com o crescimento da economia, forçou a Caixa Econômica Federal (CEF) a contratar o serviço de terceiros para concretizar negócios na faixa de 3 a 10 salários mínimos na regional de Bauru. Apesar disso, a cobertura do chamado serviço de retaguarda dentro do banco, para quitação de contratos por exemplo, ainda gera reclamações.

Para não deixar o mutuário sem atendimento e visando suprir a demanda, o gerente regional de construção civil da CEF em Bauru, Olair Ribeiro Filho, explica que o caminho foi a contratação de empresa correspondente. A CEF remunera a empresa para que viabilize o contrato com o mutuário. O maior ou menor tempo de espera para a efetivação do negócio depende da formação do pacote mínimo de pessoas.

Jornal da Cidade - Como a CEF está resolvendo a exigência de serviços de retaguarda para atender ao aumento na demanda de contratos de habitação, sobretudo com o “Minha Casa, Minha Vida”?

Olair Ribeiro Filho - É uma situação que a Caixa vem trabalhando desde o início do programa. Não com relação à cidade de Bauru, mas em todo o Brasil. Nós estamos implementando, em uma fase bem adiantada, as nossas contratações via correspondentes. Os correspondentes bancários que já vinham atuando com a gente estão tendo os processos otimizados, ficando na mão deles a contratação de quase 95% do operacional desses serviços. Isto está trazendo um retorno muito bom desse processo. Com certeza absoluta o aumento de volume de contratos não será um gargalo para a gente. A gente tende a melhorar muito o processo individual também, possivelmente entre janeiro e fevereiro de 2011.

JC - Que resposta vocês estão tendo para esses serviços contratados, entre tempo e demanda?

Olair - Há só uma diferenciação. O contrato para renda de zero a três salários mínimos, é um contrato sem ter os mutuários antecipadamente. É feita a obra e, quando falta três meses para finalizar, a prefeitura encaminha para a Caixa a demanda e nós fazemos um contrato extremamente simplificado, diretamente pela Caixa. E é tranquilo porque para essa faixa não há problema de restrição cadastral e a comprovação de renda é inversa, a pessoa não pode é exceder o limite de três salários mínimos. Já da faixa de três a 10 salários mínimos, onde o serviço é feito pelo correspondente, a gente tem tido uma resposta que depende da modalidade do financiamento. Temos algumas situações. Se o imóvel está na planta, nós temos de contratar toda a demanda. Em um empreendimento de 150 unidades, por exemplo, o ponto de equilíbrio é de 120 unidades. O tempo de resposta entre a apresentação da relação de mutuários exigida para um empreendimento e sua efetivação pela Caixa é de três dias.

JC - A CEF identificou dificuldade do mercado em contar com mão de obra na construção civil no mesmo patamar da demanda?

Olair - A percepção que a gente tem tido junto aos empresários que estão atuando com a gente é que há dificuldade em mão de obra. É um mercado aquecido e que precisa dessa mão de obra em maior escala. A gente tem tido discussões, como com o SindusCon, e discutimos incentivos para a formação de mão de obra. Este é um cenário nacional. Na semana passada, em uma reunião com todos os regionais da Caixa do Estado, a mão de obra foi uma preocupação latente. As empresas estão tendo de investir em formar novos profissionais, porque senão o aquecimento do mercado terá este gargalo o pressionando com maior preocupação.

JC - Há ou não dificuldades em expandir os contratos, sobretudo em Bauru, por falta ou dificuldade de área a preço razoável?

Olair - Sem dúvida, o acesso a área é o nosso maior problema. Em nossa região ainda temos um certo privilégio, onde a área ainda não tem sido motivo para inviabilizar projetos. É o que mais pesa, pelos limites que há no programa de zero a três mínimos, onde o custo da área tem relação direta com o sucesso do programa nesta faixa. Em outras regiões o problema é mais grave. Na grande São Paulo, em Campinas, Jundiaí e Sorocaba, por exemplo, sem área doada dificilmente se viabiliza o empreendimento. Em Bauru ainda conseguimos fazer empreendimentos pagando inclusive a área.

JC - O cadastro de zero a três mínimos tem mais de 20 mil inscritos em Bauru. Apenas uma pequena parcela vai conseguir sua moradia?

Olair - O problema maior não é a área aqui. Infelizmente é o volume de recursos necessários para atender a todos os inscritos. Nessa primeira fase do programa ‘Minha Casa, Minha Vida’ para até três mínimos, o escalonamento é de que o objetivo é atender 20% da demanda definida pelo IBGE. Então, para a cidade de Bauru nós direcionamos 1.300 unidades. Infelizmente esse número é muito aquém do total de inscrições que a gente teve. Mas eu imagino que este é um programa que está dando o primeiro passo e, após se consolidar a longo prazo, a gente vai solucionando. E vai promovendo também um movimento de algumas unidades em que a pessoa que ocupa na faixa do 3 a 10 salários mínimos, em pouco tempo ela melhora de condições e pula de faixa e o de baixo vem e assume este imóvel. É um movimento de mercado que vai gerando novas oportunidades. Mas não há recursos necessários para fazer tudo de uma vez só. E se tivesse recurso para toda a demanda, também não haveria mão de obra disponível. Para 2010 a CEF fecha o número esperado. No contexto geral, faltam 300 unidades para a meta do zero a 10 na região, que é de 9.300 unidades. Estamos com 9.008 contratadas na região, mas vamos superar a 10 mil unidades na região. Em Bauru, contratamos 570 das 1.300, mas já temos 1.200 em condições de contratar. Para 2011, precisamos esperar os números.

JC - O Ministério Público Federal vem atuando em ações onde chama a CEF a responder também pela fiscalização e andamento das obras. Por que a CEF não quer responder pela qualidade e efetivação da execução da obra em se tratando de recurso público do FGTS?

Olair - Existe uma posição do Ministério Público de que a gente faça um acompanhamento de obra. E para isso precisaria ter um engenheiro da CEF em cada obra 24 horas por dia. Este não é o entendimento da CEF e não é o procedimento que a CEF adota. Todas as contratações são feitas dentro da normatização, com projetos aprovados, responsáveis técnicos, empresas responsáveis e pela execução. Todos os empreendimentos têm uma medição por mês, onde além de medir a questão física da evolução da obra, a gente também faz a verificação da qualidade de execução. Quando não está a contento, nos aproximamos mais daquele empreendimento e ajustamos.

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