Entrelinhas

Entrelinha

Da Redação
| Tempo de leitura: 3 min

• Direito ao contradito

Um leitor do JC fez um “comentário de notícia” ontem, no site do JC, discordando das críticas publicadas pela coluna ao Hospital Estadual (HE) de Bauru e sua resolutividade (amplitude de atendimentos). Como não falamos com o leitor, não vamos citar seu nome, mas parece tratar-se de alguém da área médica e, possivelmente, ligado ao HE. Vamos ao sagrado direito do contraditório: “Acredito que o comentário sobre o ‘feudo’ leva a população a ter uma ideia incorreta sobre um serviço que é de referência e o que tem “salvado” a combalida saúde bauruense”, diz ele.

• A Famesp e a Unesp

“A Famesp e a Unesp são instituições que deveriam ser valorizadas pelo trabalho que desenvolvem em nossa cidade e não ser vistas como ‘forasteiras’ e aproveitadoras. ‘Gente de Bauru’ no comando... É isso que você quer? Toma o HB!”, acrescenta o leitor. A Famesp e a Unesp a que ele se refere são de Botucatu, mais precisamente a Faculdade de Medicina da Universidade Estadual Paulista. De fato, o principal não é o hospital não ser gerido por Bauru, mas sua insistente negativa em atender mais pessoas necessitadas do que poderia.

• Mais resolutividade

O Hospital Estadual é do povo, pago com dinheiro do povo. Não é de médicos nem de políticos. Fazemos esta cobrança com base nas informações adquiridas após várias reportagens e por conversas mantidas regularmente com técnicos e até com um ex-secretário da Saúde (Barradas Barata), já falecido, que tentaram e ainda tentam melhorar a resolutividade desta instituição, cuja excelência técnica não se discute. Apenas poderia se abrir ao diálogo e servir mais aos necessitados, com um pronto-atendimento, para ficarmos em um exemplo apenas.

• Limites e a realidade

O JC já ouviu argumentos de gente ligado ao HE de que desta forma (com mais atendimentos) haveria o risco de a 'excelência' não ser garantida. E de que o hospital já opera com sua capacidade máxima. Que seja demonstrado publicamente e, acima de tudo, que o hospital se sensibilize com as demandas reais. As decisões dos dirigentes devem levar em conta não apenas suas metas, mas as necessidades do sistema de saúde público. O HE não é um hospital particular, que pode se dar ao luxo de não dialogar com o setor público e fixar li-mites distantes da necessidade social.

• Fala de Clodoaldo

Na matéria “Jornada discutirá direitos humanos”, veiculada na edição de sábado, houve um equívoco na compreensão de uma afirmação do professor Clodoaldo Meneghello Cardoso, organizador do evento. O professor não disse que o MST age de forma errada, mas sim que: “Nós só vamos conseguir fazer com que a cidade seja inclusiva se elas (pessoas) não atuarem como sujeito. E aí é preciso que elas se organizem. Um exemplo disso é os ‘sem-terra’. Então, é preciso que a população lute por uma reforma agrária, que demora muito tempo e que é um problema do século 19, ou melhor, a educação é um problema do século 19 que nós não resolvemos, já a reforma agrária é um problema do começo do século 20, e que nós também não resolvemos”. Dito e feito, a Jornada prosseguirá até o final do mês, com apoio do JC.

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