Ocorrências de agressões e problemas com drogas têm tirado o sono dos pais de alunos da escola estadual Walter Barreto Melchert, localizada no Núcleo Octávio Rasi, em Bauru. No caso de Patrícia Genaro Hashimoto Venâncio, 29 anos, a falta de segurança na unidade começou assim que matriculou seu filho Lucas Genaro Hashimoto Venancio, de 6 anos. Ele já foi agredido de diversas formas por colegas de classe. No último registro, em 9 de novembro, o garoto foi empurrado, fraturou o cotovelo direito e quase perdeu o movimento do membro.
Com a falta de um inspetor de aluno, que se aposentou recentemente e antes zelava pelos estudantes - principalmente os pequenos - nesse período, seis mães se candidataram voluntariamente como inspetoras voluntárias para dar mais segurança aos filhos. Entretanto, o pedido foi negado pela diretoria da escola.
A equipe do Jornal da Cidade procurou os responsáveis pela instituição - localizada na rua José Fazzio, sem número -, que disseram não poder conceder entrevista sem autorização da assessoria de imprensa da Secretaria Estadual de Educação. A diretora estadual de ensino em Bauru, Ângela Maria Furquim Carneiro, também foi procurada e se dispôs a falar, mas também precisava da “liberação”. No final da tarde de ontem, a autorização foi concedida para uma entrevista que será feita hoje, numa continuação desta matéria.
Revoltada com a situação na escola, a mãe Patrícia Venâncio conta que tem medo de deixar seu outro filho, de 8 anos, na mesma instituição.
“Quando eu matriculei o Lucas na primeira série, ele começou a sofrer pequenas agressões. A primeira foi quando um coleguinha tentou perfurar suas costas com um lápis. A segunda foi mais grave, ele foi cortado com um estilete, por sorte não aconteceu nada mais sério. Depois levou um soco na boca e cortou o lábio. Então pedi que trocassem ele de classe, já que tudo isso acontecia no interior da sala de aula”, relatou, aflita.
Agressões
Parte do problema estava resolvido. Lucas parou de ser agredido em sala de aula e melhorou nos estudos. Entretanto, com a saída da inspetora de alunos que zelava pelas crianças - que se aposentou dias antes do acidente com Lucas -, a escola ficou “vulnerável”, na opinião de Patrícia. O garoto conta que estava sentado em um palco na escola comendo seu lanche, quando foi fortemente empurrado por um colega de classe. Ele caiu em cima do braço direito, que foi fraturado.
“Ele me contou que os colegas diziam: Levanta! Levanta! Mas ele não conseguia. O vice-diretor da escola me ligou e disse que ele tinha caído por volta das 15h30 deste dia. Quando eu cheguei lá, fiquei assustada. Lucas estava com o braço inchado e com os lábios tremendo de tanta dor. Eles não acionaram nem a ambulância, eu mesma que o socorri até o Pronto-Socorro Central”, relatou a mãe.
Decidida a levar a queixa adiante, ela registrou um boletim de ocorrência, de número 1904, no Plantão Policial de Bauru sobre a agressão contra o filho.
“Eu vou levar a queixa adiante porque meu filho foi prejudicado, está de licença de no mínimo 40 dias e corre o risco de perder o ano escolar. Sem contar com o prejuízo financeiro. Já gastei mais de R$ 150,00 só com remédios para ele”, afirmou.
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Consequência
Com a demora no atendimento de primeiros socorros após a queda sofrida na escola, o garoto Lucas Genaro Hashimoto Venâncio, de 6 anos, quase perdeu o movimento do braço direito. “O médico me disse que por conta da fratura ter atingido o nervo, quase ele perdeu o movimento do braço. Ele foi operado às pressas, fez a redução do membro para colocar no lugar a articulação e recebeu dois pinos para corrigir a fratura”, apontou a mãe dele, Patrícia Genaro Hashimoto Venâncio.
Sensibilizadas com a situação das crianças, Patrícia - que não trabalha e cuida dos serviços de casa e da mãe que está doente -, a irmã de dela, Rosângela Aparecida Genaro Hashimoto da Silva, que também tem um filho matriculado na mesma escola, e outras mães como Karina da Costa se propuseram a trabalhar voluntariamente como inspetoras no horário de intervalo das aulas para zelar pela segurança dos filhos, até que outro profissional fosse contratado. Mas a resposta da diretoria foi negativa para a proposta.
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Alunos relatam uso de drogas na unidade
Patrícia Genaro Hashimoto Venâncio teme pela segurança dos estudantes, já que outra mãe de aluno, Karina da Costa, contou a ela que há duas semanas um adolescente teria oferecido drogas à sua filha de apenas 6 anos dentro da escola. “A gente instrui os nossos filhos, mas sentimos medo desse tipo de coisa”. Karina revela que quando foi buscar a filha na escola, notou que ela estava estranha.
“Eu chamava e ela ficava parada olhando um garoto. De repente ela ouviu meu chamado e veio correndo. Assustada, ela contou que o garoto que ela estava olhando havia oferecido maconha para ela na porta no banheiro. Ela disse que ele falou: ‘prova, fuma um pouquinho, você vai ver que vai ficar doidona’. Com medo, ela correu do garoto. Essa situação não pode se repetir”.
A escola atende alunos do ensino fundamental e médio. Outras reclamações das mães são as frequentes abordagens da Polícia Militar no local. “Já acharam até arma de fogo na escola”, finalizou Patrícia Venâncio.
O grupo de mães que denunciam os problemas na escola estadual Walter Barreto Melchert também está fazendo um abaixo-assinado - que já teria cerca de 200 assinaturas - reivindicando mais atenção dos funcionários com os alunos e a contratação de funcionários.