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Reino Unido indeniza presos de Guantánamo


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Londres - O Reino Unido concordou em pagar indenizações milionárias a um grupo de ex-prisioneiros de Guantánamo, a prisão americana para suspeitos de terrorismo, que processaram o governo por cumplicidade em tortura.

Depois de meses de disputa legal, as agências de espionagem do Reino Unido preferiram fechar um acordo com os ex-prisioneiros para evitar um julgamento longo e custoso - e no qual os ex-detentos detalhariam em público as denúncias de torturas feitas sob conhecimento de espiões britânicos em seus interrogatórios.

Ao menos sete ex-detentos devem receber pagamentos cujos valores não foram divulgados. Fontes consultadas pela agência de notícias Associated Press afirmam que ao menos um deles deve receber mais de 1 milhão de libras (R$ 2,76 milhões). O caso está sendo mantido sob sigilo, a pedido dos advogados.

O jornal britânico “The Guardian” afirma que ao menos 16 ex-detentos estão inclusos no acordo. Os termos incluiriam ainda a autorização para os ex-prisioneiros com passaporte britânico para retornar ao país e um visto para aqueles que não são cidadãos.

Os papeis, afirma o jornal, confirmam que o alto escalão do governo britânico, incluindo Tony Blair e Jack Straw, estavam envolvidos nas decisões de sequestrar e entregar suspeitos de terrorismo para os EUA.

Os documentos serão avaliados pelo juiz de apelação aposentado Peter Gibson, que monitora atividades das agências de inteligência britânicas. Ele deve liderar, ainda segundo o “Guardian”, o futuro inquérito governamental sobre abuso de suspeitos realizados desde 11 de Setembro e decidir se os documentos devem ser divulgados ao público.

• Participação

Os espiões britânicos nunca foram acusados diretamente por torturar prisioneiros, mas outros ex-prisioneiros da chamada guerra ao terror já haviam denunciado oficiais britânicos por conivência com a prática e por não fazer nada para impedi-la.

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