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Dr. Automóvel: Dúvidas sobre carros novos

Consultoria: Marcos Serra Negra Camerini*
| Tempo de leitura: 4 min

Comprar um carro zero quilômetro é sempre uma emoção, pois pode ser a realização de um sonho ou de uma necessidade, mas sempre será um investimento alto que demandará responsabilidades financeiras. Afinal, um carro no Brasil tem 46% de impostos embutidos em seu preço de venda e é um dos mais caros do mundo. Aliado a um rendimento médio baixo da população, acaba tornando a compra de um veículo novo uma conquista pessoal ou familiar.

Este fator induz a outro muito sério que sempre mencionamos aqui nesta coluna: o fator emocional que leva a fechar uma compra. Aconselhamos sempre a definir primeiramente as suas necessidades, o que espera do carro e que preço está disposto a pagar por ele. Depois disso, avalie as enormes oportunidades de mercado com diferentes modelos e opções de dezenas de fabricantes. Quando achar algumas opções que se encaixem em seus pré-requisitos, negocie e decida por um deles. Exija test drive prévio, sinta os modelos, compare com os concorrentes e decida conscientemente. Se a cor preferida não estiver em estoque na concessionária, faça com que esta providencie uma data para entrega do modelo escolhido ou procure em outra concessionária. Faça valer sua opinião e não a do vendedor.

O problema surge quando depois da escolha e recebimento do carro, o proprietário fica desgostoso com algumas características do veículo não vistas antes do fechamento do negócio ou do mau atendimento da concessionária em caso de problemas. Foi o que aconteceu com minha sobrinha Paula e seu marido Renato, que moram na capital e compraram um sedan Peugeot 207 Passion em uma concessionária no bairro da Lapa. A vendedora só tinha lábia para tentar vender o carro e não disponibilizou um veículo para test drive nem deu opções ou atenção adequada. Mesmo assim, Paula estava decidida a comprar aquele modelo e foi em frente. Fechado o negócio, retirou o carro e só então percebeu que o túnel central que envolve o câmbio esquentava muito e transferia calor para sua perna direita, incomodando bastante. Ela e seu marido foram falar com a concessionária e a resposta foi que “todo carro Peugeot esquenta e que é normal no modelo”. Ao solicitar uma solução para o problema, veio outra resposta lapidar: “Como não é um item de segurança, só vamos mexer na revisão dos 10.000 km”. O carro está com 4.000 km e eles rodam cerca de 1.200 km por mês, então ainda terão que esperar mais 5 meses para ter uma avaliação e eventual solução. Claro que ficaram possessos com o ocorrido e estão tomando as providências judiciais cabíveis no caso. Onde estão os erros?

1- Se tivessem feito um test drive prévio poderiam ter detectado o problema e verificado com a vendedora se haveria solução, como a existência de uma proteção térmica ou uma versão de acabamento superior que a contivesse, ou mesmo se é um problema crônico do modelo;

2- Nunca se aceita uma resposta como a primeira dada acima pelo funcionário da concessionária, ainda mais por vir de fonte oficial. Desta forma, estão chamando a fábrica e seus técnicos de incompetentes (o que não são);

3- Com a segunda afirmação, estão insinuando que a fábrica estaria agindo de má fé e retirando peças importantes por razões de custo. Se for verdade, o caso merece ser divulgado;

4- A concessionária da Lapa está demonstrando enorme despreparo para atendimento pós-venda e uma total falta de treinamento de seus funcionários técnicos e de vendas. Paula e Renato foram à outra concessionária da marca na capital e constataram outro atendimento, o que demonstra que o problema não é da fábrica e sim daquela concessionária, a princípio;

5- Se o problema de mau atendimento não for reportado, as conseqüências se voltarão contra o próprio fabricante, seus produtos e rede de distribuidores, pois os clientes insatisfeitos irão se livrar de seus veículos e falar mal da concessionária e de seus ex-carros.

A solução técnica (em garantia, claro!) é simples: levantar o carro em um elevador, verificar por baixo se tem algum vazamento do escapamento na região do aquecimento ou se a tubulação do mesmo passa muito perto da parede do túnel. Se não houver uma proteção térmica, verifique se há uma opção de fábrica de alguma versão mais luxuosa e instalá-la na própria concessionária ou fazer uma em qualquer boa oficina de escapamentos. E de imediato, não esperar a revisão dos 10.000 km. Se não for bem atendido, meta a boca no trombone!

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