O edital de licitação para instalação de sete quilômetros de interceptores, no chamado trecho 2 da avenida Nuno de Assis, vai sofrer modificações que estancam a previsão de aumento da despesa. As alterações, que aguardam aval do prefeito Rodrigo Agostinho (PMDB) para serem inseridas na nova concorrência, vão impedir que mais dinheiro do Fundo de Tratamento de Esgoto (FTE) seja utilizado para a realização da obra.
O JC vem pesquisando e questionando há pelo menos quatro meses o andamento do processo de contratação de interceptores na Nuno. No início deste ano, a reportagem mostrou que a opção pela escavação com tubo de concreto cravado com o uso do equipamento Shield – uma espécie de “tatuzinho” - elevou o contrato do trecho 1 dos interceptores da Nuno em mais de R$ 4 milhões. Nos dois trechos do projeto, a previsão de gasto total atinge R$ 30 milhões.
Frustrada a licitação do trecho 2, onde a única concorrente habilitada, a empresa Passarelli, não apresentou proposta de valor comercial por não considerar interessante o contrato (R$ 11 milhões), no início deste ano, a discussão em torno da adoção do equipamento shield para escavar as margens do rio Bauru levou a Divisão de Planejamento do Departamento de Água e Esgoto (DAE) a levantar alternativas.
O presidente do DAE, Rafael Ribeiro, confirma que o novo edital está pronto, com a retirada do “tatuzinho” de cena. Mesmo com a atualização da tabela de preços de engenharia e serviços (Pini), de dezembro do ano passado, para valores de setembro deste ano, a planilha global do trecho 2 da nova licitação apresenta custo final de R$ 12 milhões para a obra.
O JC apurou que as previsões superavam significativamente este valor. As alterações promovidas no projeto podem evitar o esvaziamento de recursos do FTE apenas com a instalação dos interceptores. O DAE assinou os serviços do trecho 1, de oito quilômetros, por R$ 19 milhões.
O “tatuzinho” e a profundidade de sete metros na escavação na margem esquerda do rio Bauru, do lado da região do Jardim Santa Luzia, próximo ao trevo da Rondon, tiveram peso sobre o custo final acima da expectativa original, sem o Shield (método destrutivo). Além disso, o trecho de escavação com tubo de concreto cravado foi adotado para uma extensão de 1.100 metros. No trecho 2, com passagens sob trilhos, o método não destrutivo (chamado de MND) atinge no máximo 370 metros.
Onde o custo caiu
A despeito da futura e necessária inspeção comparativa nos indicadores de serviços e insumos a serem lançados na planilha atualizada do trecho 2 da rede de interceptores da Nuno de Assis, a Divisão de Planejamento do DAE decidiu pela adoção da escavação manual com montagem de tubo de aço, chamada de túnel line.
Ou seja, enquanto o trecho 1 dos interceptores a serem instalados entre a alça da Rondon até o Distrito Industrial I se valeu do equipamento mini shield para instalar os tubos de diâmetro de 1,20 metro a 2,0 metros, a sete metros de profundidade em alguns trechos, no trecho 2 a revisão levou à escolha da escavação manual com profundidade de três metros (menos da metade para as condições da área que vai da altura da Rodoviária à região da Sambra, próximo da Comendador Martha).
A diretora de Planejamento do DAE, Nucimar Paes, conta que o método não destrutivo adotado na primeira licitação tem custo de R$ 4.000,00 o metro, enquanto que pelo túnel line o valor do metro de instalação cai pela metade. “Como temos profundidade menor, em média de três metros, e solo mais firme nesta parte dos interceptores, levantamos que o túnel é adequado para este trecho, ao custo de R$ 2.000,00 o metro”, cita.
Mas a licitação também vai apresentar mudança na forma de escavação. Ao invés da vala aberta – utilizada pelo DAE nos serviços de interceptores realizados por equipe própria -, a engenheira apontou o sistema de vala escorada como melhor solução. A modificação veio de avaliação da forma junto a técnicos da Sabesp. Visitas em Botucatu (SP) contribuíram para o procedimento.
A diferença é que, no caso do trecho de interceptores da Nuno, a escavação por vala escorada vai reduzir a destruição do pavimento da avenida para uma faixa de dois metros, contra sete metros do sistema anterior. Preservar pelo menos duas faixas do pavimento da avenida significa custo menor.
O DAE tem até dezembro do ano que vem para realizar a instalação dos interceptores nas duas margens do rio Bauru. Já a entrega da estação de tratamento do Gasparini, cujas obras também estão atrasadas, tem de ser concretizada até o final deste ano. As obras integram o cronograma físico-financeiro estabelecido em termo de acordo assinado com o Ministério Público (MP).