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PIB de São Paulo ultrapassa R$ 1 trilhão pela primeira vez

Folhapress
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Rio - O Produto Interno Bruto (PIB) do Estado de São Paulo ultrapassou pela primeira vez, em 2008, a marca de R$ 1 trilhão. Mas, apesar do recorde, a região manteve a perda gradual de participação na economia do País, com 33,1% naquele ano, ante 33,9% em 2007, porção bem inferior aos 37,3% que exibia em 1995.

No outro extremo, o Piauí, com fatia de apenas 0,6% no PIB nacional, registrou crescimento econômico em ritmo chinês: 8,8%, a maior expansão regional.

Segundo Frederico Cunha, gerente de Contas Nacionais do IBGE, a perda de São Paulo teve relação direta com a crise do final de 2008 e seus abalos sobre o setor de intermediação financeira, com forte peso na região. Ele acrescentou, porém, que a redução da fatia paulista no PIB, que vem ocorrendo seguidamente desde a década de 90, é reflexo do desenvolvimento em outros locais, como o Centro-Oeste e o Norte.

De 1995 até 2008, as perdas em São Paulo estiveram concentradas, sobretudo, no setor industrial. O Estado, que hoje reúne um PIB absoluto de R$ 1,003 trilhão, detinha 44,4% da produção industrial do País em 1995 e viu minguar esta participação para 33,9% em 2008.

Cunha explica que esse recuo tem relação direta com o aumento da importância do petróleo na economia fluminense, cuja fatia no PIB industrial nacional subiu, no período, de 8% para 12,7%, roubando o segundo lugar de Minas Gerais no ranking industrial, que agora está com 9,3%.

No que diz respeito especificamente à indústria de transformação, extraído o segmento extrativo mineral, a fatia paulista também caiu no período investigado, mas em ritmo menor, passando de 48,7% em 1995 para 43,7% em 2008.

Segundo Cunha, a redução da participação da região nesse setor reflete a guerra fiscal e os incentivos de outras regiões para instalação de plantas industriais, a busca de empresas de localizações mais próximas à matéria-prima ou novos consumidores e, ainda, a própria expansão da fronteira agrícola, que provocou o deslocamento de parte da indústria de alimentos para outros locais.

Mesmo com as perdas, a economia paulista como um todo ainda equivale, em fatia no total do País, ao conjunto de outros quatro Estados importantes no PIB brasileiro, como Rio (11,3%), Minas Gerais (9,3%), Rio Grande do Sul (6,5%) e Paraná (5,9%). Em 2008, o PIB no Estado cresceu 5,9%, pouco acima da média nacional de 5,2%.

Piauí

Região de menor PIB per capita anual do País (R$ 5.372, ante uma média nacional de R$ 15.989), o Estado do Piauí liderou a expansão do PIB entre as regiões em 2008, com uma alta de 8,8%. Cunha explica que as regiões com maiores ganhos naquele ano, inclusive o Piauí, tem economia estreitamente vinculada à agropecuária. “Foi um ano muito bom para a agropecuária e esse setor faz diferença nos locais com maior crescimento”, disse.

O gerente esclarece que a alta do Piauí também está relacionada a uma base deprimida dos anos anteriores. Segundo ele, outros exemplos de locais com elevada expansão no ano passado, e também com forte influência do setor agrícola, são Ceará (8,5%) e Goiás (8%).

No que diz respeito aos resultados das grandes regiões, o Sudeste continuou perdendo participação no PIB do Brasil em 2008, mas a concentração regional da economia prosseguiu elevada. A pesquisa revela que a região reduziu sua fatia do PIB de 56,4% em 2007 para 56%. Em 2002, a participação do Sudeste chegava a 56,7%. Por outro lado, a concentração econômica prosseguiu elevada. Em 2008, segundo o IBGE, oito Estados detinham quase 80% do PIB nacional.

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