Buenos Aires - As parlamentares opositoras que acusam o governo argentino de tentar comprar votos na Câmara dos Deputados para aprovar o Orçamento de 2011 disseram anteontem que o suposto esquema de suborno foi comandado pelos dois ministros mais fortes do gabinete da presidente Cristina Kirchner.
Em depoimento à Comissão de Assuntos Constitucionais da Câmara, três parlamentares formalizaram as denúncias que já haviam feito na semana passada e citaram os nomes do chefe de gabinete de Cristina, Aníbal Fernandez, e do ministro do Planejamento, Julio de Vido.
Segundo a deputada Elisa Carrió, ambos telefonaram para opositores durante a sessão parlamentar ocorrida há oito dias para pressioná-los a não votar e, assim, permitir a aprovação do projeto orçamentário do governo.
O Orçamento transformou-se numa guerra política por causa das discordâncias sobre a estimativa de arrecadação do Executivo.
A oposição acusa o governo de ter subestimado a inflação e o crescimento da economia para que sobrem US$ 20 bilhões para gastos livres. Mesmo com minoria no Congresso, o governo resistiu em alterar o projeto, partiu para o tudo ou nada e foi derrotado por 117 a 112.
Antes da votação, porém, 12 deputados opositores “desapareceram e apagaram os celulares”, segundo Carrió.Mais 15 deputados dizem ter sido assediados por ministros ou aliados.