Caros amigos amantes da pesca e da natureza, estou de volta. Que saudade de uma boa pescaria! Dia desses, conversava eu com o simpático Eros, funcionário público municipal e, naquela oportunidade, concordávamos que o mundo se modernizou rapidamente.
Imaginem comida mais gostosa do que aquela feita no antigo e tradicional “fogão de lenha”, não é mesmo? Imaginem, então, uma pessoa tão “modernizada” que poderia pescar usando um computador?! Seria possível? Vamos aos fatos que comprovam mais esta coincidência.
Olhem só o que aconteceu em nossa última incursão pelos rios do Pantanal. Estávamos mais uma vez no lendário rio Miranda, bem próximo à sua foz, junto ao não menos famoso rio Paraguai. Eu e meu fiel “piloteiro” Sidnei aproveitávamos a sombra generosa de grandes árvores e apoitados às margens do barrento e já não tão piscoso Miranda.
Lançadas na água, nossas linhas traziam na ponta dos respectivos anzóis tuviras fresquinhas (no bom sentido) que nadavam ainda vivas na parte mais profunda do rio, à espera de serem abocanhadas por um dourado atrevido ou talvez por um menos afoito pintado.
Imaginem o nosso espanto ao vermos aproximar-se de nós, rodando na calmaria do rio, um barco com um senhor compenetrado em seu “notebook”, varrendo o fundo do rio com um “sonar” de última geração! As imagens na tela eram quase nítidas, perfeitas! E ele estava conectado à Internet, usando o seu celular. Já havia pescado, com a ajuda do “sonar” (para localizar o peixe), dois enormes “jaús” que jaziam no fundo do barco. Seu molinete estava preparado para mais fisgadas.
E o mais incrível é que aquele pescador inusitado, sem tirar o olho da “telinha”, com uma câmara digital, batia foto dos peixes, transportava-as para o computador e as mandava imediatamente, via e-mail, aos amigos lá de São Paulo, tirando aquele costumeiro “sarrinho” de pescador.
Lembrei-me do amigo Eros e da nossa conversa lá em Bauru. Não é uma loucura? Olhem o que é a tecnologia, coisa de louco! E continuamos embasbacados a ver o solerte “homem cibernético”, quase um “ET”, a pescar, tirar fotos e mandar para para os amigos, num esnobismo por “controle remoto”! Coisa de cinema!
Mas o desfecho foi muito interessante. Seu último peixe a ser capturado foi um pequeno cachara de apenas 40 centímetros de comprimento, portanto, fora da medida permitida. Entusiasmado pelo momento de alegria, ele nem se deu conta da infração que estaria cometendo ao embarcar o peixe. Tascou-lhe uma foto colorida e dá-lhe e-mail prá tudo quanto é amigo no Brasil inteiro! Era o momento de glória do pescador!
Mas um “amigo” seu, só por sacanagem, ao receber a foto do “pintadinho”, num gesto de “doce vingança” e dor-de-cotovelo por estar trabalhando lá em São Paulo, perdendo aquela bela pescaria , fez o quê? É isso mesmo, conectou-se ao site do Ibama e denunciou o amigo pescador!
Surpresa maior. Em pleno Pantanal, recebe, via e-mail, aquele “ tecnólogo da pesca”, uma multa por pesca ilegal, além de ser intimado a comparecer no escritório mais próximo do Ibama e devolver sua licença de pesca que fora cassada! É isso que dá tanta tecnologia, não é mesmo?
Tem coisa melhor que uma varinha de bambu com a tradicional minhoca? Acho que não!
Um abraço a todos os pescadores e leitores deste delicioso caderno, lembrando que, pegar peixes usando o computador é um “e-mail “ muito difícil de pescar, não acham?
Fernando Lucilha Júnior é pescador e contador de histórias.