Washington - A epidemia de cólera que já matou mais de mil pessoas no Haiti é parte de uma pandemia iniciada há 49 anos, que provavelmente chegou ao país caribenho por causa de uma só pessoa contaminada, disseram cientistas ontem.
A epidemia no Haiti ainda pode se agravar facilmente, apesar dos esforços para controlá-la, disseram o Centro de Prevenção e Controle de Doenças (CDC) dos Estados Unidos e a Organização Pan-Americana da Saúde (Opas).
Essa enfermidade bacteriana é transmitida por água e alimentos contaminados, e pode matar por diarreia em questão de horas se não houver tratamento.
O Haiti passou um século sem ter casos da doença, mas especialistas dizem que o país é propício à sua proliferação - pela falta de saneamento básico, grande aglomeração humana, chuvas torrenciais e falta de acesso à água tratada.
Exames genéticos mostram que as bactérias presentes em muitas amostras são quase idênticas entre si, o que sugere a ideia de uma só origem para a epidemia, segundo o CDC e a Opas.
A cepa presente no Haiti é muito semelhante à que circula no sul da Ásia, o que gerou a suspeita de que soldados nepaleses tivessem levado a doença, algo que a ONU nega. Os técnicos do CDC disseram que a atual pandemia de cólera, da qual o Haiti é a mais recente vítima, “começou 49 anos atrás em Sulawesi, na Indonésia, e durou mais e se espalhou mais longe do que qualquer pandemia de cólera anteriormente conhecida.”
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Ataque a patrulha da ONU
Porto Príncipe - A onda de protestos contra a Minustah (a missão da ONU no Haiti) promovida nesta semana por manifestantes que atribuem a seus membros a epidemia de cólera que afeta o país chegou ontem pela primeira vez a Porto Príncipe.
Segundo relatos, uma patrulha da ONU foi apedrejada em meio a protestos na capital realizados por centenas de haitianos entoando gritos de “fora Minustah” e “Minustah trouxe a cólera ao Haiti”.