É a quarta vez em aproximadamente três meses que uma mesma lotérica de Bauru é vítima de roubo. O estabelecimento, localizado na quadra 5 da rua Carlos Marques, no Jardim Bela Vista, foi alvo de um rapaz que aparentava ter entre 20 e 25 anos, na ocasião mais recente, que ocorreu por volta das 8h50 de ontem. Ele entrou na lotérica e, em seguida, rendeu uma das atendentes que estava no caixa recebendo clientes.
De acordo com policiais da Base Noroeste, o assaltante vestia um moletom, com capuz da blusa encobrindo parte de seu rosto e carregava um mochila e estaria armado com uma pistola. Mediante ameaça, exigiu que a funcionária lhe entregasse dinheiro.
A vítima entregou a quantia que estava disponível no caixa. Não satisfeito, o rapaz teria exigido mais dinheiro e, nesse momento, se mostrou violento ao quebrar o vidro do balcão de atendimento da lotérica com o cabo da arma de fogo que portava.
Após concluir a ação, o ladrão fugiu em uma motocicleta Honda Bros, de cor laranja, levando documentos, aparelho celular e quantia em dinheiro da lotérica não divulgada pela polícia. Ainda não há pistas do autor do crime, que teve sua ação registrada pelas câmeras de monitoramento do local.
Funcionários e o proprietário do local, muito abalados com o ocorrido, não quiseram falar com a reportagem do Jornal da Cidade. Na ocorrência anterior, há cerca de um mês, houve até troca de tiros entre polícia e assaltantes.
O crime ocorreu por volta das 11h45, quando dois homens que estavam na fila, passando-se por clientes, após simular uma discussão, acabaram roubando R$ 1.885,00 em dinheiro e mais R$ 69,60 em dois cheques. Porém, os dois acusados foram presos pela Polícia Militar (PM). Ao se ver cercado, um deles se entregou e o outro foi baleado em troca de tiros com os policiais.
Insegurança
O movimento na lotérica da quadra 5 da rua Carlos Marques costuma ser bastante intenso na parte da manhã, de acordo com a vizinhança. No momento do delito, os clientes começavam a chegar no estabelecimento, mas nenhum teria sido rendido no momento do assalto. Meia hora após o ocorrido, a fila de pessoas ultrapassava a porta de entrada do local.
“Por saber que a circulação de dinheiro é constante, a lotérica vira alvo fácil e predileto dos assaltantes, que cometem estes tipos de roubos a procura de grande quantidade de dinheiro”, analisa o tenente Samuel Gomes Pereira, comandante da Base Noroeste.
Uma vendedora, que preferiu ter sua identidade preservada, disse que se sente cada vez mais vulnerável quanto à segurança do bairro. “Trabalho na mesma rua onde a lotérica foi assaltada e sinto que o problema da violência se alastra em todo o bairro. O ideal seria que a polícia tomasse alguma medida e reforçasse o patrulhamento por aqui”, ressaltou.
A empresária Nilma Agnelli Motti, que é proprietária de um estabelecimento comercial vizinho ao da lotérica, também afirma se sentir insegura naquela região. “Aqui se tornou uma localidade com grande movimento comercial: temos supermercados, lotéricas, bancos. Por esse motivo, a região precisa de mais atenção da polícia”, salientou Motti.
A empresária indica, ainda, que uma loja nas imediações também foi alvo de assalto há pouco tempo. “E não há mais horário certo para sofrer um roubo. Os ladrões estão cada vez mais ousados, assaltando em qualquer período do dia, inclusive em horários que você antes não imaginava que aconteceria”, frisa.
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Medidas de prevenção
Preocupado com prática de roubos em série registrados durante o 1º semestre deste ano, o comando do 4.º Batalhão ministrou palestra com cerca de 25 donos de lotéricas de Bauru para passar dicas de segurança e alguns procedimentos a serem adotados para que se previnam de roubos em seus estabelecimentos.
Durante a palestra, a polícia chegou até a criar uma espécie de manual com procedimentos que vão desde à prevenção até o modo de agir durante o roubo, caso ocorra.
Para prevenção foram passados conselhos variados, que vão desde o posicionamento dos guichês, que precisam estar voltados para a rua, até evitar colar cartazes nas vitrines, pois dificultam a visibilidade sobre o que acontece dentro do estabelecimento.
Outra dica importante é em relação à observação dos clientes. Em um dos roubos, funcionários afirmaram que o assaltante entrou e saiu da lotérica várias vezes. De acordo com o manual da PM, quando um cliente age assim, é muito provável que ele esteja com a intenção de cometer um crime.
Em relação à repetição de crimes num mesmo local, o comandante do 4.º Batalhão da Polícia Militar, tenente-coronel Nelson Garcia Filho, ressalta que essa incidência é mais comum em postos de combustíveis, que são alvos frequentes de assaltantes.
“Os proprietários precisam mudar a estratégia de segurança quando um crime reincide”, destaca.
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Criminalidade
Uma praça que fica na quadra acima da lotérica assaltada pela quarta vez é apontada pelos comerciantes como “problemática”. “Percebo que ela tem sido mal frequentada, atraindo a criminalidade”, aponta um deles, que preferiu não divulgar o nome.
O comandante da Base Noroeste, tenente Samuel Gomes Pereira, alegou que os frequentadores da praça não teriam ligação com delitos. “O que temos ali naquela praça do Bela Vista são dependentes alcóolicos, que ficam vagando por ali, sem causar maiores problemas”, afirmou.
Quanto ao reforço da segurança na região, o tenente Pereira disse que as imediações da lotérica, inclusive a rua Carlos Marques, recebem frequentemente patrulhamento. “Temos uma ronda reforçada naquela região, até com uma viatura exclusiva para circular por ali. No entanto, diante essa incidência de delito, vamos intensificar ainda mais a ronda policial”, garantiu.
O problema, para Pereira, é que esses roubos são difíceis de evitar, já que acontecem de maneira muito rápida. “Em menos de um minuto, o assaltante conclui o crime e foge”, aponta.
O comandante do 4.º Batalhão da Polícia Militar, tenente-coronel Nelson Garcia Filho, atenta para a importância dos moradores praticarem a observação a fim de levantar suspeitos. “Assim que achar necessário a presença da polícia, as pessoas devem comunicar e acionar a base policial responsável por aquele bairro.”