Brasília - A Justiça Federal negou ontem o pedido de condenação do ex-reitor da Universidade de Brasília (UnB) Timothy Mulholland por ter gasto, em 2007, cerca de R$ 470 mil para decorar o apartamento onde morava, comprando até latas de lixo de R$ 1 mil. O juiz Hamilton de Sá Dantas considerou que não houve desvio de recursos ou má gestão por parte do ex-reitor ao usar dinheiro da Fundação de Empreendimentos Científicos e Tecnológicos (Finatec) para mobiliar o imóvel, que é de propriedade da UnB.
O juiz deixou claro, contudo, que discorda da ideia de que instituições precisam de instalações luxuosas para conduzir seus trabalhos. Mas, como isso é uma decisão administrativa, não caberia condenar o ex-reitor por conta da reforma feita no apartamento.
“Do contrário, o Ministério Público Federal teria de ajuizar inúmeras ações contra os administradores e membros dos Poderes Legislativo, Executivo e Judiciário, e até mesmo do próprio Ministério Público, que, notoriamente, transitam em carros luxuosos e usam instalações dignas de reis e rainhas.”
Na sentença, o juiz afirmou que enquanto não houver a instituição do “princípio da simplicidade” será preciso “conviver com o pensamento de que o luxo promove o desenvolvimento institucional ou é compatível com a dignidade do cargo”.