Bairros

De mala e cuia

Wanessa Ferrari
| Tempo de leitura: 8 min

Por tempo indeterminado

Três mudanças de endereço para duas cidades diferentes em menos de seis meses. Esta é a maratona que Edilaine Losilla, 33 anos, e sua família pretende cumprir até o final do mês de janeiro.

Tudo começou em agosto passado quando, motivada por sua aprovação em um concurso público, Edilaine decidiu se mudar do apartamento onde morava, em Bauru, para uma casa em Avaré, município próximo da cidade onde iria trabalhar.

Ficou em Avaré por um mês, tempo que foi suficiente para desembalar seus pertences e providenciar móveis adequados ao novo espaço. Porém, quando menos esperava, seu esposo, Alexandre Losilla recebeu a notícia de que também fora aprovado em um concurso, desta vez, para trabalhar na cidade de Jaú.

Com a nova oportunidade profissional, Edilaine e Alexandre não pensaram duas vezes: embalaram e encaixotaram tudo novamente e retornaram a Bauru.

“Já planejávamos voltar para cá, tanto que, ao invés de vender, alugamos nosso apartamento. Só não imaginávamos que ia ser tão rápido”, conta, rindo. “Tive de pedir transferência”, completa ela.

Porém, por conta da mudança repentina de planos, a família se deparou com um problema: não tinham onde morar.

“Nosso apartamento foi alugado por 30 meses, não havia como pedi-lo de volta. Também descobri que prefiro morar em casa por conta do espaço que é maior para as crianças. Além disso, meus móveis novos não cabem mais no apartamento. A solução foi financiar um imóvel”, conclui Edilaine.

Até que o negócio se concretize, os móveis da família estão aos cuidados da transportadora, que oferece o serviço de guarda-móveis, e eles provisoriamente instalados na casa dos pais de Alexandre.

“Posso dizer que, quando o assunto é mudança, sou uma pessoa experiente. Da última vez, por exemplo, deixei a cargo da transportadora o serviço de embalar todos os objetos de casa. A regra é: quanto menos trabalho, melhor”, orienta.

Agora a família vive a expectativa de rever os móveis e mudar-se novamente até meados de janeiro. “Ah, quero acabar logo com isso, arrumar minhas coisas em casa... começar o novo ano com vida nova e não pensar em mudança por um bom tempo”, planeja Edilaine.

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Ano novo, vida nova

Mudar de apartamento por um período de 35 dias foi a alternativa encontrada por Heloísa Myriam Silva Viti, 48 anos, para realizar o antigo sonho de transformar e redecorar de cima a baixo o imóvel onde mora.

A vontade data de 2003, quando ela e a família se mudaram para o edifício. Porém, a coragem para promover uma revolução dentro de casa é recente e foi planejada.

“Quando entrei no apartamento não tive condições de refazer o piso e o acabamento da cozinha, e isso me incomodava muito. Depois que começamos a morar aqui foi tudo mais difícil. É complicado reformar apartamento com quatro pessoa morando nele”, justifica.

Depois de sete anos, decidida a arriscar, Heloísa procurou por um pedreiro e por um pintor e, quando recebeu a informação de que começariam a obra no início da semana, teve de correr para dar conta da mudança.

A primeira providência foi alugar o apartamento de hóspedes, disponível em seu condomínio. Depois, passou o final de semana embalando seus pertences e contratou uma equipe para fazer a mudança.

“Quando os pedreiros chegaram aqui, na segunda-feira, o apartamento já estava vazio. Daí ficamos morando no espaço de hóspedes, que já é mobiliado, e meus móveis, por sua vez, foram guardados em um outro local, também de propriedade do prédio”, conta.

Ela destaca que, embora a mudança tenha sido provisória e realizada dentro do mesmo prédio, certamente deu mais trabalho que uma mudança normal, entre casas diferentes. Isto porque, além de cuidar de todos os detalhes, como transporte e embalagem das coisas, tive de se preocupar com a reforma em andamento.

“Sem contar que quase enlouqueci morando em um apartamento que não tinha, nem a minha cara, nem gás. Eu adoro cozinhar! Ter de me privar deste gosto me deixou ainda mais ansiosa. Mas valeu a pena o sacrifício”, completa, animada.

Depois de 35 dias, completos na última segunda-feira, Heloísa e a família voltaram para o imóvel antigo, mas com cara e cheiro de novo, e começaram a trabalhar na organização do local.

“Vou começar 2011 fervendo! Tenho certeza que vai ser um ano de realizações”, planeja, empolgada.

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O chefe é o trabalho

Um colchão, uma cadeira, uma televisão e muitos sonhos. Esta é, temporariamente, a mobília do apartamento do advogado Cristiano Silvestre Péra, 28 anos. Para muitos, viver com tão pouco pode parecer absurdo, mas para Cristiano representa o começo de uma vida mais tranquila, repleta de realizações pessoais e profissionais.

“Além disso, já estou providenciando o resto das coisas. É que entrei no apartamento ontem (segunda-feira, dia 15) e você já me ligou!”, justifica, rindo.

Cristiano nasceu em Avaré e morou em São Paulo nos últimos dez anos. Sempre teve vontade de voltar para o Interior, fato que veio a calhar com a necessidade da empresa onde trabalha e que culminou em sua transferência de cidade na última segunda-feira, dia 15.

“Para falar a verdade, nunca gostei muito de morar em São Paulo. Acho que lá perde-se muito em qualidade de vida. Além disso, sempre quis morar em uma cidade perto de Avaré, onde vive toda minha família. A decisão de vir morar em Bauru conciliou minha vontade e a necessidade da empresa”, explica.

O planejamento da transferência começou há cerca de três meses. Sua primeira providência foi buscar um imóvel próximo ao seu emprego, de forma que pudesse ir trabalhar caminhando e levasse pouco tempo para chegar.

Quanto à mudança dos móveis, Cristiano foi prático. Deu todos aos parentes que moram na Capital. Desta forma, seus pertences, que se resumem a um colchão, roupas e televisão vieram compactados no carro.

“Para trazer os móveis de São Paulo para Bauru não compensava. Ficava mais caro o frete que comprar tudo novo aqui. Então nem me preocupei, doei tudo e já encomendei tudo novo. Deve estar para chegar”, afirma.

Tranquilo, Cristiano diz que não teve problemas nem muito trabalho ao mudar de endereço. A principal dificuldade, segundo ele, está justamente no significado da palavra mudança.

“Ah, é tudo novo, né?! Amigos, empresa, casa... Só preciso de um tempo para me adaptar, mas sei que este é o melhor caminho”, pondera.

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Mudança de planos

Com cheiro de tinta, as paredes bem brancas e alguns móveis novos. É desta forma que a aposentada Therezinha de Oliveira Vendemiatti, 82 anos, vai dar boas vindas a 2011 e, de quebra, desejar que o ano que se anuncia seja bem diferente de 2010. É verdade que, para ela, 2010 foi um ano de mudanças, porém não tão positivas quanto se esperava.

Therezinha tem casa própria, mas morava provisoriamente na casa de um filho, na vila Nipônica, por conta das dificuldades de locomoção e das facilidades que o comércio ao entorno ofereciam. Porém, em agosto passado, seu filho precisou vender o imóvel e Therezinha retornou à sua casa, localizada na Vila Maria, em companhia dos três netos de quem cuida.

Quando parecia levar uma vida estabilizada, foi surpreendida por uma enchente, que alagou e destruiu parte de sua residência, no último dia 07 de outubro. Ela teve de ser salva por um vizinho, que precisou arrombar a porta.

Com a nova condição, Therezinha foi morar temporariamente na casa de sua sobrinha, Denise Maria Pereira da Silveira, 46 anos, e começou a procurar um novo lar.

Cerca de 20 dias depois de iniciada a pesquisa, Denise encontrou o lugar ideal, dentro das condições estabelecidas pela família.

“Procuramos um lugar seguro e pequeno, com espaço para as crianças brincarem, e que estivesse localizado em um bairro que ofereça facilidades no comércio e serviço. Foi quando optamos por este apartameto. Acho que ela vai ficar bem aqui”, pondera.

A mudança foi feita na última terça-feira, dia 16, na parte da manhã. Therezinha não acompanhou e deixou a responsabilidade sob a tutela de Denise, que orientou os funcionários da transportadora e iniciou a organização da casa.

“É muito trabalho. A pessoa tem de ficar atenta a uma porção de coisas e os imprevistos acontecem aos montes. O armário por exemplo, teve de ficar do lado de fora porque não coube no apartamento, era grande demais”, exemplifica Denise.

Passada a fase mais complicada, Therezinha planeja mudar-se para o novo lar até o final de semana. “Assim que chegar os móveis novos, que ela comprou, tudo estará resolvido e a tranquilidade voltará a reinar”, desabafa Denise.

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Cuidados especiais

Reservar cuidados especiais para os animais de estimação também é um item importante dentre as obrigações originadas por uma mudança de imóvel.

Isto porque, de acordo com o veterinário Ricardo Massaru Tamaoki, assim como os humanos, os bichos costumam se estressar com a intensa movimentação e com a mudança de ambiente.

“No caso de gatos, por exemplo, é comum que eles não reconheçam o novo espaço e tentem fugir. Já outros animais passam a se comportar de forma agressiva”, exemplifica Ricardo.

Para evitar que isto aconteça, o veterinário destaca a importância de realizar o transporte dos bichos em uma caixa apropriada e mantê-los em um cômodo vazio ou até mesmo em uma clínica no dia da mudança.

“O animal deve se adequar ao novo ambiente. Uma técnica é, nos primeiros dias, limitá-lo a um cômodo e, com o passar do tempo ir liberando o restante da casa. Outra opção é pedir ao veterinário que indique um tranquilizante para deixá-lo mais calmo”, ensina.

Já no caso de de mudança de cidade é fundamental que o bicho não seja transportado solto no carro porque, além de ser ilegal, pode atrapalhar o motorista e causar acidente.

Além disso, em alguns casos, mudança de cidade ou de estado exigem que o animal porte o Guia de Transporte Animal, um documento emitido pelo Coordenadoria de Assistência Técnica Integral (Cati), órgão ligado a Secretaria de Agricultura e Abastecimento, que autoriza o transporte do bicho.

“E lembrando que, jamais, a pessoa deve mudar e deixar o bicho em casa. Isso é maus tratos e tem pena prevista em lei. Se isso acontecer, os vizinhos devem denunciar”, enfatiza.

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