Regional

Cidade tinha esgoto tratado e até água encanada em 1916

Rita de Cássia Cornélio
| Tempo de leitura: 3 min

Botucatu prosperou nos 20 anos que a cidade produziu café. Os recursos obtidos com a exportação do produto possibilitaram que fossem feitos grandes investimentos na área urbana. Em 1916, o município exibia uma situação invejada pela maioria das cidades paulistas. Tinha iluminação pública, 100% de água encanada e 100% de esgoto tratado, explicou o presidente do Centro Cultural, João Figueiroa.

“O município acumulou recursos de exportação suficiente para fazer investimentos na área urbana. Em 1995 tivemos o primeiro grupo escolar, só tínhamos isso porque a cidade tinha orçamento. Depois que a cidade entrou em crise não houve mais investimento na rede coletora e nos anos 50 o mais barato que existia foi jogar o esgoto no rio. Coisa que só agora está sendo superado com uma estação da Sabesp que custou cerca de R$ 25 milhões.”

À época, por volta dos anos 50, a ferrovia oferecia 1.500 empregados diretos para uma população em torno de 40 mil habitantes. “Botucatu nasceu, cresceu, prosperou e consolidou sua economia com o transporte ferroviário. Pelo transporte ferroviário não viajavam só as pessoas, mas também toda a economia da cidade, inclusive no ramo de serviços.”

Foi pelos trilhos da ferrovia que ‘viajavam’ os filmes distribuídos pela empresa local, a Pedutti. Os grandes sucessos da 7.a arte eram levados de trem para o Norte do Paraná, Oeste de São Paulo e Sul do Mato Grosso.

“Enfim, onde tinham salas de exibição. A cidade se utilizou deste meio de transporte conjuntamente com o transporte pesado de cargas. Quando parou o café começou o algodão, o cimento. Formou-se em torno da ferrovia uma cultura de viver. As famílias que formaram na Vila dos Lavradores, Maria, Jaú e Ema. A cidade não teria sido o que é hoje sem que a ferrovia tivesse existido. Ela não se limitou só a exportação do café, que foi o que de fato enriqueceu a cidade.”

O fato da empresa Sorocaba ter escolhido Botucatu como uma de suas sedes administrativa, lembra o presidente do Centro Cultural, foi o motor gerador do aprendizado e das indústrias metalúrgicas. “Duas grandes indústrias produziam máquinas de beneficiamento de café para que o trabalho fosse feito nas propriedades rurais. Essas empresas comercializavam com fazendas fora do município.”

Paralelamente nasceu a indústrias metalúrgicas subsidiárias que trabalhava só com tornearias, com fundição e as madeireiras que completavam o trabalho. “As indústrias não faziam máquinas só de metal, na época. Tinham suportes de madeira. Em cadeia a cidade foi experimentando um desenvolvimento provocado pela produção do café e pelo chegada do trem.”

De acordo com Figueiroa, Botucatu acumulou mão de obra especializada, formada por artífices com formação prática ou escolar na área metalúrgica para manutenção do material rodante. “Isso motivou inclusive que a cidade ganhasse um investimento na área de escola industrial. O impacto da mão de obra e do valor dos salários, proporcionalmente é o mesmo que tem hoje o núcleo da Unesp, que despeja na cidade através de salário, compras, bens e serviços a ordem de R$ 400 milhões/ano. A ferrovia tinha o mesmo papel contando proporcionalmente ao número de habitantes da época.”

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