Internacional

OEA defende manutenção de data do pleito no Haiti, apesar da cólera


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Caracas - Ruim com elas, pior ainda sem elas. Essa é dramática avaliação de organismos internacionais como a ONU e a OEA (Organização dos Estados Americanos) a respeito da realização das eleições gerais do Haiti no domingo que vem, em meio ao surto de cólera que já matou mais de mil haitianos.

ONGs ligadas à saúde e políticos clamam pelo adiamento do pleito -que provocará aglomeração de pessoas e uma possível aceleração das contaminações.

A OEA argumenta que a eleição pode ser “uma curtíssima janela de oportunidade’’ para o país e para a comunidade internacional, segundo o brasileiro Ricardo Seitenfus, representante da organização no Haiti. “É uma situação de urgência. Não pode haver um governo provisório para lidar com ela. Ruim com a eleição, impossível sem ela’’, diz.

Os desafios são vários e simultâneos: além da doença, dos protestos violentos e dos 1,3 milhão que ainda vivem em acampamentos, há o esforço de construir um registro eleitoral confiável.

Seitenfus afirmou que aproximadamente 4,3 milhões de novos títulos eleitorais foram distribuídos, mas o banco de dados dos eleitores ainda está desatualizado, pois não registra quem morreu no terremoto de janeiro.

Para evitar fraudes, o número de votantes será descontado em 6,1% no momento de calcular a porcentagem obtida por cada candidato.

Disputam a sucessão de René Préval, eleito em 2006, 19 candidatos. Pesquisa de opinião recente aponta dois deles na dianteira: Mirlande Manigat e Jude Célestin, ambos com menos de 25% das intenções de voto.

Mirland, 70, mulher de Leslie Manigat , presidente deposto em 1988 e candidato derrotado em 2006, faz campanha defendendo um “capitalismo com rosto humano’’ e propondo uma depuração nas ONGs que trabalham no país e, na prática, assumiram a prestação da maioria dos serviços básicos diretos.

Já Célestin é o candidato de René Préval, ainda que não todo seu grupo político. Ex-chefe da agência de reconstrução, só foi confirmado como candidato em agosto, e é considerado sem carisma. Em meio à situação caótica, seu slogan é “continuidade e estabilidade”.

Pouca Paixão

O perfil dos até agora mais cotados sugere a pouca paixão provocada pela votação após a saída de Wyclef Jean, haitiano celebridade do hip hop nos EUA que foi impedido de concorrer em agosto por não ter vivido no país nos últimos cinco anos.

Na falta do hip hop, está o ritmo local, a “kompa’’. O maior ídolo do gênero, Michel “Sweet Micky’’ Martely, aparece com 11% na pesquisa. É o que lidera na capital Porto Príncipe, fazendo comícios que chamam os haitianos a acordarem da letargia e prometendo casas para os desabrigados.

O advogado Jean Henry Céant é o que desponta entre os candidatos que se consideram herdeiros do ex-presidente.

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