Ciências

Ciência no Dia a Dia : Você está de mudança. Sabia?!

Alberto Consolaro
| Tempo de leitura: 4 min

Pode ser que não lhe avisaram, mas você e toda espécie humana está se preparando para mudar de casa, ou melhor, de planeta. Os astrofísicos procuram uma alternativa à Terra pois daqui centenas de anos ela não mais será propícia para a vida como a conhecemos agora. Em setembro deste ano, anunciou-se que astrônomos estado unidenses identificaram um corpo celeste que pode substituir a Terra e está a 20 anos-luz. Já foram identificados mais de 25 planetas semelhantes à Terra. Sim! Estamos procurando uma casa nova para mudarmos.

O genial físico inglês Stephen Hawking, sucessor de Isaac Newton na cátedra da Universidade de Cambridge, afirmou que “a única chance de sobrevivência a longo prazo para a espécie humana seria deixar a terra e habitar novos planetas, tarefa na qual deveríamos dedicar nossos esforços nos próximos dois séculos.” Não podemos nos iludir, a casa nova ou planetas candidatos têm uma vida inóspita, como era a Terra antigamente com muito frio, calor, radiações, falta de oxigênio e outros reveses.

Em cada 100 estrelas semelhantes ao Sol no universo e localizadas a 80 anos-luz, aproximadamente 25 podem ter planetas do tamanho da Terra. Estes planetas de tamanho e com semelhanças ao da Terra são conhecidos como planetas-gêmeos e localizados em uma região do universo conhecida como zona habitável das estrelas com temperatura compatível com a existência de água líquida, uma condição básica para a vida humana. Estas afirmações foram extraídas de um estudo liderado pelos astrônomos Andrew Howard e Geoffrey Marcy da Universidade da Califórnia em Berkeley. Esta pesquisa demorou 5 anos para ser concluída pois foram analisadas 166 estrelas semelhantes ao Sol e os planetas que as circundam. Os resultados foram publicados recentemente na prestigiosa revista “Science”.

Os planetas são classificados como super-terras quando apresentam massa entre três e dez vezes ao da Terra. A quantidade de planetas com massa realmente semelhante ou até duas vezes à Terra é feita por estimativa. Howard explicou que para o homem encontrar planetas do tamanho da Terra na próxima década, não precisará ir muito longe.

Procuramos o novo lar com telescópios!

O telescópio Hubble foi um bem sucedido empreendimento, mas vai deixar de operar em 2014. Para o lugar dele está sendo construído um ousado instrumento para observar o universo: o telescópio Webb, ou James Webb, em homenagem ao administrador da NASA na época das missões Apollo. O conjunto de seus espelhos e lentes será um olho poderoso que está sendo construído pela NASA e agências espaciais da Europa e Canadá com gastos de US$ 5 bilhões. O Hubble foi espetacular e circula a 570km de distância da Terra desde 1990, enquanto que o Webb estará a 1,6 bilhão de km da Terra para evitar a radiação térmica de nosso planeta.

O Hubble forneceu imagens maravilhosas das galáxias, testemunhou nascimentos e mortes de estrelas, encantou os cientistas e o mundo. Mas, enquanto o espelho do Hubble tem 2,4 metros o do Webb tem 6,5 metros e constituído por berílio, por isto muito mais poderoso. Ele vai gerar imagens deslumbrantes, descobertas desconcertantes e vai permitir estudarmos a infância e o início do universo. Algumas estrelas que nasceram após o Big Bang poderão ser visualizadas e a origem da Via Láctea desvendada. Luz, raios infravermelhos e calor produzidos há 13 bilhões de anos atrás e que ainda estão cruzando o universo poderão ser detectados pelo Webb gerando imagens de nascimento e mortes de estrelas, planetas e outros corpos celestes.

Por que vamos mudar?

O homem está degradando a Terra e em breve não teremos mais como morar aqui. A população mundial tem crescido de forma exponencial nos últimos 200 anos. A cada 40 anos dobramos o número de pessoas a ponto dos cálculos preverem que em 2600, se a população da Terra ficar em pé, estaremos ombro a ombro, tocando-nos. O consumo de eletricidade deixará nosso planeta de tal forma quente que a Terra será incandescente!

Para que esses dados fiquem perto da realidade, até 2600 faltam 590 anos, a idade do Brasil, ou seja, daqui a 6 ou 7 gerações de sua família. Olhe que raciocínio intrigante: não precisamos mudar agora, mas procurar um novo planeta faz parte de uma estratégia inteligente enquanto espécie. Não precisamos fazer as malas agora e nem alugar o veículo para o transporte, mas nossos filhos, netos e bisnetos terão que pensar nisto, quase que obrigatoriamente!

Alberto Consolaro é professor titular da USP em Bauru e escreve todas as segundas-feiras no JC

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