Economia & Negócios

Mulheres movimentam microcrédito

Mariana Cerigatto
| Tempo de leitura: 5 min

Elas trabalham por conta própria e muitas arcam sozinhas com as despesas da casa. E, além de tudo, são responsáveis por movimentar a economia: são as mulheres que fecharam 53% dos contratos de microempréstimos do Banco do Povo Paulista (BPP) de Bauru concedidos no período de um ano. Focadas nas necessidades da família, elas “se viram” como microempreendedoras sem mesmo precisar sair de casa.

As atividades são muito diversificadas. Mas, se houver uma maioria, elas se referem a negócios direcionados à confecção, venda de lingerie, tratamento de beleza, costura, entre outras. Até dentistas têm recorrido ao crédito do BPP.

A cabeleireira Edilaine de Fátima Rodrigues, de 33 anos, é uma dessas trabalhadoras que se encaixam no perfil de microempreendedora que optou por trabalhar em casa. Ela conta que, através de um empréstimo de R$ 1 mil do BPP, foi possível comprar os produtos de beleza e estruturar seu pequeno salão, localizado na Vila Monlevade.

Em apenas cinco meses, ela consegue avaliar como positiva a experiência. “Uma amiga me indicou o financiamento e, devido ao Banco do Povo, consegui montar meu próprio negócio, pagando parcelas bem baixas”, ela relata. “Hoje, o lucro que tiro diariamente tem tornado a atividade rentável, já consegui bastante clientes”, afirma a cabeleireira, satisfeita.

Edilaine diz que, além de taxa juros baixa (0,7% ao mês), o microcrédito foi muito bem-vindo para manter a atividade em sua própria moradia. “Eu quis fazer o empréstimo justamente para poder me manter trabalhando em casa”, informa a cabeleireira, que cuida de uma filha pequena e é a chefe da família, já que seu marido se encontra atualmente desempregado.

Conforme observa Tatiana Rosária Rodrigues, diretora da Divisão de Serviços da Secretaria Municipal de Desenvolvimento Econômico e também coordenadora do Banco do Povo Paulista (BPP) de Bauru, são as mulheres que têm assumido os rumos da economia familiar e, ao mesmo tempo, permanecido em casa cuidando dos filhos.

Crescimento

A constatação foi feita em um ano pela entidade: 53% dos contratos de microcrédito do BPP foram concedidos a mulheres. Segundo examina a coordenadora da unidade de Bauru, a adesão ao benefício é positiva pela “ala feminina”. “Essas mulheres conseguem crescer e se desenvolver após o pequeno empréstimo, sendo que mantêm as parcelas pagas”, menciona.

O indício de uma parcela da população feminina ocupando posição de chefes de família corresponde a 34,9%, sendo que parte delas trabalha em suas próprias residências. O dado é da Pesquisa Nacional de Amostras de Domicílio (PNAD), referente ao ano de 2008 e divulgada em 2009. O estudo também mostra que aumentou, em dez anos, de 2,4% para 9,1% o número de mulheres declaradas chefes de família, apesar da presença de um cônjuge no lar.

Mas não só a população feminina tem se dado bem ao optar pelo pequeno financiamento com taxas mínimas mensais. Homens também podem servir de exemplo, já que 47% deles recorreram ao microcrédito durante último ano no Banco do Povo Paulista de Bauru.

Contudo, na avaliação de Tatiana, há uma diferença no perfil de homens e mulheres que aderem ao programa.

“O homem microempreendedor é aquele que realiza pequenos serviços informais fora de casa, é o chamado ‘marido de aluguel’. Ele faz os mais variados trabalhos caseiros como pintor, pedreiro, eletricista”, explica.

“Já a mulher que busca o financiamento é aquela que precisa ficar na casa dela, dividindo-se entre os cuidados com os filhos e os afazeres domésticos. É aquela costureira autônoma, doceira, salgadeira”, destaca.

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Formalização

No caso de muitos que desejam expandir o pequeno negócio e torná-lo um espaço formal de trabalho, a adesão ao financiamento fornecido pelo Banco do Povo Paulista (BBP) pode dar o pontapé inicial para tornar o empreendimento legalizado e formalizado.

Quem ilustra a afirmação é o serigrafista Eli Marcos Silva, que com 38 anos é dono de seu próprio negócio. Ele conta que começou a trabalhar em casa, com a ajuda da família.

“Com os empréstimos, fui comprando tudo o que precisava: máquinas, impressoras, até conseguir formalizar a empresa no ramo de serigrafia”, relata o empreendedor, que é dono da “Eli Arte”, que fica no Núcleo Mary Dota.

Ele recorreu ao BBP e hoje já está em seu quinto financiamento. “Foi a única forma de conseguir tocar minha profissão adiante. Comecei a trabalhar fazendo imãs de geladeira, e, aos poucos, a atividade foi se diversificando”, salienta. Com o valor do microcrédito, o empresário conseguiu amparar a estrutura necessária para desenvolver sua atividade, e hoje está construindo até um barracão próprio para atender seus clientes. “Tenho que agradecer primeiro a Deus por essa oportunidade e, depois, ao Banco do Povo”, comenta.

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Mais sobre o Banco do Povo

O Banco do Povo Paulista (BPP) é um programa de microcrédito produtivo desenvolvido pelo governo do Estado de São Paulo, em convênio com prefeituras municipais. A função do Banco do Povo é promover geração de emprego e renda por meio da concessão de microcrédito para o desenvolvimento de pequenos negócios.

O valor do crédito varia de R$ 200,00 a R$ 5 mil para pessoa física e de R$ 200,00 a R$ 7.500,00 para pessoa jurídica. Pode-se pagar o financiamento em até 36 meses, com uma taxa de juros de 0,7% ao mês. As parcelas mensais variam entre R$ 100,00 a R$ 250,00.

Em Bauru, o BPP funciona no interior do Poupatempo, que fica na avenida Nações Unidas, 4-44, no Centro. Mais informações podem ser obtidas pelo telefone (14) 3366-6118 e site www.bancodopovo.sp.gov.br.

As exigências aos candidatos ao crédito são: desenvolver atividade produtiva (formal ou informal); residir há mais de dois anos no município e ter endereço fixo; ter nome limpo no Cadin, SCPC e Serasa; ter o total de vendas de até R$ 240 mil nos últimos 12 meses; maior de idade ou emancipado legalmente e a alienação fiduciária dos bens financiados.

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