Bauru se tornará um marco na iniciativa de intervir e coibir crimes de violência contra a mulher na cidade com a inauguração do Centro de Referência de Atendimento à Mulher em Situação de Violência. O espaço, que ficará na rua Antônio Xavier de Mendonça, 2-15, Jardim Nasralla, será inaugurado às 10h desta sexta-feira e já começará a desenvolver trabalhos de atendimento psicossocial, jurídico e até de amparo com mulheres, sejam adolescentes ou maiores de 18 anos, que foram vítimas de violência - principalmente doméstica.
O espaço foi criado pela Prefeitura juntamente com a Secretaria do Bem-Estar Social (Sebes) e está sob os cuidados de Darlene Tendolo, titular da Sebes. Ela comemora a conclusão do projeto que começou a ser idealizado no ano passado e tem garantia de continuidade.
“O projeto foi aprovado junto à Secretaria Nacional de Políticas Públicas do governo federal para atender as mulheres vítimas de violência. Uma equipe de assistentes sociais, psicólogos, agentes sociais, defensores públicos, entre outros profissionais trabalharão no sistema de garantia de direitos para essas mulheres”, observa Darlene.
A mulher que sofreu violência, muitas vezes não sabe dos direitos que ela pode usufruir e têm medo de dar andamento no processo do boletim ocorrência registrado junto à Delegacia de Defesa da Mulher (DDM). Portanto, ela pode ir de livre e espontânea vontade ao centro de referência, que a orientará sobre qual atitude que deve tomar diante da situação que está vivendo.
“Todas as mulheres, também adolescentes, poderão procurar o centro de referência. As adolescentes são um caso à parte porque muitas vezes é necessária uma intervenção do Conselho Tutelar, mas é importante que elas saibam que o local está aberto para atendê-las.
Algumas que sofrem agressões e procuram primeiro o Pronto Socorro Central podem em seguida procurar o centro de referência, mesmo sem ter registrado boletim de ocorrência junto à Polícia Militar (PM) ou à Polícia Civil”, explica Darlene.
Abrigo
As mulheres que se enquadram nesses casos e necessitam de abrigo, já que muitas precisam sair de casa por ameaça de morte, possuem um local específico para esse tipo de atendimento desde 2009. O abrigo para mulheres e filhos que sofreram violência doméstica aloja atualmente três mulheres e oito crianças que moram no local sem tempo determinado para saída. “Essas mulheres têm todo o acompanhamento psicossocial nesse abrigo e só saem de lá quando estiverem preparadas. Não existe um período, por exemplo, três meses, para que elas permaneçam e vão embora. É um trabalho complexo. Algumas já saíram de lá empregadas, mudaram-se para outras cidades e hoje têm uma vida normal”, revela Darlene Tendolo.
Cerca de 250 casos de violência como esses em Bauru já estavam sendo acompanhados pelo Centro Integrado de Atenção a Vítimas de Violência (Ciavi), e também pelo Centro de Referência Especializado de Assistência Social (Creas).
Entretanto, além dessa demanda, a secretária estima que o centro de referência atenderá pelo menos 40 casos por mês. As mulheres que passarem pela entidade e necessitarem de abrigo, terão o benefício.
“No Brasil, cerca de 2,7% dos abrigos são para mulheres, então Bauru já representa um marco porque eu desconheço um centro de referência como este no Estado de São Paulo. Se a demanda aumentar, existe a possibilidade de ampliar esse abrigo, que hoje tem capacidade para 20 pessoas. Nós trabalharemos também com a prevenção da violência junto às comunidades com palestras e visitas”, afirma Darlene.
• Serviço
O Centro de Referência de Atendimento à Mulher em Situação de Violência fica na rua Antônio Xavier de Mendonça, 2-15, Jardim Nasralla. O telefone para obter outras informações é o do Creas: (14) 3234-1090.
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Casos de violência
De acordo com Flávia Regina dos Santos Ueda, delegada titular da Delegacia de Defesa da Mulher (DDM), o órgão policial atende cerca de 100 casos por mês de violência contra a mulher. O número é significativo, mas diminuiu com a chegada da lei “Maria da Penha”. “Esse é um trabalho em equipe porque não adianta a vítima registrar o boletim de ocorrência se ela não tiver uma estrutura de apoio. A média de registros são 100 por mês, e com a lei Maria da Penha esses casos diminuíram muito”, diz. A delegada ainda destaca que as mulheres que usam os benefícios dessa lei conseguem êxito. “Em muitos casos o juiz já decreta a prisão preventiva para o agressor.”