Regional

Após confusão de noite, fazenda é reintegrada em Pederneiras

Vitor Oshiro
| Tempo de leitura: 2 min

Pederneiras – Durante todo o dia de ontem, ocorreu a reintegração de posse da fazenda 2N em Pederneiras (26 quilômetros de Bauru). Apesar da retomada ter sido feita de forma pacífica, na noite anterior, houve uma confusão no local.

Na ocasião, os integrantes da Federação da Agricultura Familiar (FAF), que ocupavam a fazenda, acionaram a Polícia Militar (PM) denunciando vários disparos de armas de fogo que, segundo eles, estavam sendo feitos por funcionários contratados pelo proprietário do local.

Segundo os policiais que atenderam a ocorrência, não foi possível confirmar o fato, pois, os funcionários alegaram que os disparos foram efetuados pelos ocupantes. Ainda segundo eles, não foram encontradas quaisquer armas ou munição.

Durante a manhã de ontem, foi realizada a reintegração de posse da área, que envolveu 60 famílias e 49 barracos. Segundo o tenente-coronel do 4º Batalhão da Polícia Militar (BPMI-4), Nelson Garcia Filho, apesar de demorada, a reintegração ocorreu de forma tranquila.

“Não tivemos nenhum problema. O proprietário do local cedeu os caminhões para levar as famílias até um centro comunitário da região. Durante a noite, fizemos o patrulhamento no local após a denúncia dos disparos justamente para evitar qualquer problema na hora e na reintegração”, declarou Garcia.

As famílias foram levados ao centro comunitário Horto Aimorés, também na cidade de Pederneiras. Márcia Cristina Lopes, uma das militantes, afirmou que, desde ontem, o movimento mudou a bandeira de FAF para Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST). “Fizemos essa mudança para aumentar nossa força. Assim, temos mais organização para lutar pelos nossos direitos. O Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) irá decidir em breve o destino dessas propriedades da região”, aponta.

Em relação à confusão, ela afirmou que os disparos já estavam sendo efetuados há alguns dias. “Estávamos todos assustados. Há três noites não tínhamos sossego. Eles estavam atirando para nos assustar”, reclama.

A fazenda 2N foi ocupada no último dia 9 por famílias que foram retiradas horas antes de outra propriedade da região em mais uma reintegração da polícia. Na ocasião, as famílias que precisaram sair da fazenda Faxinal foram encaminhadas a um centro comunitário, porém, segundo os militantes, como o espaço era muito reduzido, foi preciso a nova ocupação na propriedade 2N.

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