Brasília - Apesar de dados mundiais apontarem para queda de aids no mundo, as regiões Norte e Nordeste do Brasil apresentam tendência inversa. Boletim de aids divulgado no ano passado pelo Ministério da Saúde mostra que, entre 2004 e 2008, os números da doença passaram de 1.967 para 2.817 no Norte e de 4.988 para 6.011 no Nordeste. “Estados e municípios precisam se mobilizar. A doença recuou em algumas partes do País, mas mostra um comportamento preocupante em outras áreas”, observou o representante do Programa das Nações Unidas para Aids, Pedro Chequer.
O diretor do Departamento de DST-Aids e Hepatites Virais do Ministério da Saúde, Dirceu Greco, afirma que, em números nacionais, os casos de aids no País estão estabilizados. “O perfil da doença mudou. De epidemia concentrada em poucos Estados, ela se espalhou, algo que traz uma certa dificuldade”, disse.
Dentro dos próximos dias, o governo federal deverá divulgar números mais atualizados da aids. Mesmo assim, Greco já avisa ser impossível o Brasil conseguir atingir a meta da Organização das Nações Unidas (ONU) de zerar o número de novas infecções por aids e de mortes pela doença até 2015.
O Brasil responde por um terço dos casos da América Latina. Apesar desse indicador, Chequer afirma que a situação é bastante confortável. “É preciso lembrar que o País concentra 50% da população da região.”
Estima-se que 33,3 milhões de pessoas sejam portadoras do vírus da aids no mundo, mas a epidemia está começando a se desacelerar e até a ser revertida, segundo um relatório divulgado ontem pela Organização das Nações Unidas (ONU).
O total de soropositivos em 2009 era ligeiramente inferior aos 33,4 milhões do ano anterior. Mas estima-se que cerca de 10 milhões de pacientes em países pobres não tenham acesso a medicamentos importantes para controlar a doença.
Crianças e grupos marginalizados, como usuários de drogas e profissionais do sexo, também têm menos chances de receber tratamento do que os demais pacientes, de acordo com o relatório da Unaids (agência da ONU para o combate à doença).
“Pela primeira vez, podemos dizer que estamos rompendo a trajetória da epidemia de aids. Paramos e começamos a reverter a epidemia. Menos gente está sendo contaminada com o HIV, e menos gente está morrendo de aids”, disse Michel Sidibé, diretor-executivo da Unaids.
Desde o início da epidemia, na década de 1980, mais de 60 milhões de pessoas já foram contaminadas pelo vírus, e quase 30 milhões morreram. A aids pode ser controlada com remédios, mas não há cura.