A Prefeitura de Bauru protocolou ontem o recurso que demonstra a desaprovação do resultado apontado pelo Censo 2010 do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) indicando a existência de 335.888 habitantes na cidade. No documento, o secretário municipal de Finanças, Marcos Garcia, contesta o resultado e utiliza como base de argumentação o aumento de eleitores e o não-cadastramento de estudantes que fixam residência na cidade.
Garcia informou que os principais pontos abordados no recurso encaminhado ao IBGE tratam do crescimento no número de eleitores bauruenses e a quantidade de estudantes vindos de outras cidades.
“Entre 2000 e 2010, o número de eleitores teve um aumento de 22%, enquanto a contagem do Censo indicou um crescimento de apenas 7,4%. Outra questão que abrange a parte de metodologia. Solicitamos que os estudantes de fora de Bauru entrem no cálculo caso eles tenham casa na cidade”, explicou o secretário.
Sobre este assunto, o prefeito Rodrigo Agostinho avaliou que o potencial de Bauru como polo regional não foi levado em consideração. “Não foram contabilizados os mais de 35 mil estudantes universitários nem as pessoas que são da região, mas acabam vivendo em Bauru”, destacou ao afirmar que essa falta de sintonia com a quantidade de pessoas que vivem na cidade pode gerar inconvenientes na hora de estruturar orçamentos e atender o público presente no dia a dia bauruense.
“Apesar de não ocorrer redução no Fundo de Participação de Municípios (FPM), a gente provavelmente sofra redução de Bolsa Família, repasses da Saúde e até mesmo efetivo policial. Reduzir a população de Bauru pode significar, inclusive, a perda da possibilidade de recebermos o próximo Batalhão da Polícia Militar”, enumerou Rodrigo.
Investimentos
Além disso, o prefeito lembrou o trabalho que tem sido realizado para conquistar o interesse de iniciativas privadas, como a vinda de shoppings e empresas de logística, definindo a redução da população como um fator de risco que pode tornar Bauru menos atrativa.
“Este recurso demonstra nossa preocupação com o trabalho que foi feito e com o planejamento que temos em relação à cidade. Queremos conhecer mais a fundo nossa realidade demográfica para montar estratégias de política pública efetivas”, acrescentou.
Rodrigo afirmou não considerar necessária a recontagem da população, frisando que o recurso visa apenas contestar a metodologia de apuração do IBGE no Censo 2010. Segundo ele, algumas falhas de execução foram encontradas em bairros de Bauru, o que despertou a preocupação sobre possíveis prejuízos à cidade.
A campanha realizada através do site JCNet identificou 98 famílias bauruenses que entraram em contato com o Jornal da Cidade por não terem sido visitadas pelos recenseadores do IBGE.
“Em Bauru, a quantidade de lixo é de 400 mil habitantes, a quantidade de imóveis comporta 400 mil habitantes, o consumo de água e energia é de uma cidade com 400 mil habitantes, os eleitores representam uma cidade de 400 mil habitantes. Com isso, temos diversos indicadores que demonstram a realidade de 400 mil pessoas vivendo na cidade”, concluiu Rodrigo.