Regional

Garota morre após surra dos pais

Vitor Oshiro
| Tempo de leitura: 3 min

Cafelândia - Violência sem limites ou apenas um corretivo exagerado e desmedido? A população da cidade de Cafelândia (83 quilômetros de Bauru) está dividida entre esses dois conceitos desde ontem, quando uma menina de 15 anos morreu após ter levado um surra dos pais.

O caso começou na tarde de anteontem, quando Larissa Rafaela Kondo de Lima, 15 anos, saiu com uma amiga para dar um passeio. A garota chegou em sua casa, localizada na rua Camargo Antônio de Andrade, no bairro Pena, por volta das 18h30 e sua mãe, Márcia Kondo de Lima, 42 anos, questionou sobre a demora da menina.

Assim, após pressionar Larissa e uma vizinha, a mãe, que foi descrita como uma mulher evangélica e bastante rígida, acabou descobrindo que a filha estava aos beijos com um garoto de sua escola na praça Santa Isabel, na região central da cidade. Com isso, Márcia teria dado uma surra de cinta na garota.

Por volta das 20h, o pai da menina, o motorista José Carlos de Lima, 38 anos, chegou a casa e novamente teria batido na garota, porém, desta vez, a surra teria tido maior intensidade.

Por volta da 1h, os pais acordaram com a vítima tomando um banho. Ao entrar no banheiro, encontraram Larissa atordoada e passando mal. Quando perceberam a gravidade da situação, eles acionaram a Polícia Militar (PM) e o socorro. A menina foi levada para Santa Casa de Cafelândia, porém, chegou ao local com convulsões e inconsciente. Posteriormente, ela foi conduzida ao Hospital Estadual de Bauru, onde acabou morrendo por volta das 6h30.

O corpo da garota foi conduzido ao Instituto Médico Legal (IML) de Bauru. No local, o médico legista apontou que a causa da morte foi um edema pulmonar.

O delegado de Cafelândia, Adílson Carlos Vicentini Batanero, afirma que, em depoimento, a mãe da garota alegou que José Carlos teria agredido a vítima inclusive com chutes na cabeça. Entretanto, o pai teria negado o fato ao delegado.

No momento em que a garota apanhava, além dos pais, estavam na casa ainda os dois irmãos menores de Larissa, com idades de 7 e 12 anos. O delegado afirmou que eles alegaram não ter visto a ação.

O pai de Larissa não foi autuado por homicídio, mas por lesão corporal dolosa seguida de morte. “Homicídio é quando a pessoa tem a intenção de matar. E, ao que tudo indica, não foi isso que ocorreu. Foi uma infelicidade. O dolo incluído na autuação é devido ao fato da mãe ter relatado os chutes e assim ele sabia das consequências que sua ação poderia ocasionar”, pontua. Caso condenado, a pena para este crime é de 4 a 8 anos de prisão.

O motorista José Carlos foi detido em flagrante e encaminhado para a Cadeia Pública de Promissão. Porém, na tarde de ontem, o advogado da empresa em que trabalha, Luiz Poli Neto, conseguiu o relaxamento do flagrante e ele foi liberado da unidade prisional.

Já a mãe de Larissa, Márcia de Lima, ficou em estado de choque ao saber que a filha havia morrido. Ela precisou ser medicada e internada. Ainda não foi divulgado o que será feito em relação a ela em termos criminais. O corpo de Larissa de Lima foi encaminhado de volta para Cafelândia, onde foi velado no Velório Municipal e sepultado ainda no final da tarde de ontem.

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Linhas de investigação

Apesar de ter solicitado a prisão em flagrante de José Carlos pelo crime de lesão corporal dolosa seguida de morte, o delegado Batanero também segue outra linha de investigação importante.

Segundo ele, foi encontrado ao lado da garota um frasco de xampu vazio e o fato poderia indicar até mesmo um suicídio por envenenamento, visto que a ingestão de algumas substâncias também pode causar edema pulmonar.

A hipótese também passou a ser investigada após o laudo do IML de Bauru, que apontava a ausência de lesões no cérebro de Larissa. “É uma linha de investigação que estamos traçando também. Não é algo que podemos descartar totalmente”, completa.

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