Tribuna do Leitor

SAÚDE A SANGUE FRIO


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Se somos impotentes para mudar o embrutecido, o selvagem, o desumano sistema de governo, pelo menos vamos forçar a mudança do modo como pensam, já que os políticos de hoje, de ontem e os de amanhã pensam, pensaram e hão de pensar sempre com a cabeça - não com o coração. Prova-o a nossa realidade sanitária caótica, que fere a dignidade humana. Nada de pieguice falar de coração, porquanto queremos expressar a nossa repugnância a um modo violento, bruto, cínico, aviltante de tratar o próximo, e que passa quase que desapercebido. Porque já foram longe demais. O caos é nacional, planetário. E a população aceita. Ninguém vem conscientizar ninguém de nada. Pelo contrário: procuram nos jogar nas profundezas abissais do absurdo da desigualdade. Basta ver que os desvios milionários nunca são desviados para a, mas da saúde. Que mundo é este? Que ser é esse que dizem humano? Está tudo ferrado e tem gente querendo acabar de ferrar. 

Todo político devia ter obsessão pelo tema saúde, ser obcecado por melhorar o atendimento na saúde e corrigir as injustiças. Porém só se lembram da saúde do outro em épocas de eleição. Obsessão mesmo é, sempre foi e sempre será, pelo poder. A dor, sendo do outro; a doença, sendo do outro; o desespero, sendo do outro; a tragédia, sendo do outro — não interessa. O que há é indiferença, ganância, manipulação de sentimentos. Flores de retórica que dão frutos amargos. Blá-blá-blá sem fim. São pagos, e muito bem pagos, para serem o que são. Pagamos caro. 

O sangue de um prefeito, governador e secretários, presidente e ministros, fazedores de leis, executores e julgadores, era para ferver nas veias pela saúde de todos, e passar aos subordinados tal efervescência, a ebulição do entusiasmo. Porém, não há fervor, porque neles o sangue corre frio, morno ou gelado. Não fosse assim, seria diferente. O resultado é o genocídio que atravessa os anos com indumentária de normalidade. Os indivíduos são exterminados por esse sistema. 

Portanto, a saúde é encarada a sangue frio. 

Julio Diogo

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