Turismo

Extremadura


| Tempo de leitura: 3 min

Cruzar milênios pela ponte romana sobre o rio Guadiana e saborear um almoço no qual o presunto ibérico pata negra é só o aperitivo causam absolutamente o mesmo furor. E deixam você muito mal acostumado. Porque enquanto se perde nos pueblos - e no tempo - de Extremadura, na Espanha, espera ansiosamente a próxima refeição.

A viagem é toda assim. Prazeres simples. Históricos. De uma ponta à outra dessa região espanhola na fronteira com Portugal, você vai seguir passos imperiais. Atravessar muralhas, invadir palácios. Vai degustar tudo o que a terra dá.

A estrada leva primeiro à Capital, Mérida. Ou Emérita Augusta, voltando a 25 a.C. Nesse trecho à beira do Guadiana, Octávio Augusto fundou um importante núcleo econômico, militar e cultural do seu império. A vila começou com a ponte. Essa mesmo que você pisa agora. Incrédulo e admirado.

A caminhada pela belíssima estrutura, que esparrama seus arcos por 800 metros, desperta reações diversas. É tudo pedra. É resistente. Ainda forma um cenário incrível com as ilhas naturais e as águas claras do rio. E até com a ponte de ferro à la Santiago Calatrava que aparece ao fundo, fora de foco, é verdade. Ela foi construída em 1993 para tirar da original o peso da modernidade. No fim da ponte, outro assombro: ruínas do fórum romano e vestígios da fortaleza militar muçulmana do século 9.

Já no centro, construções modernas contam a passagem do tempo. A Plaza España de palmeiras e casinhas é o espelho das praças sul-americanas. Entre ruas comerciais e restaurantes, de repente surgem as colunas do Templo de Diana.

Então dá para entender por que Mérida foi declarada Patrimônio da Humanidade. Antes mesmo de ficar sem ar diante dos bem guardados anfiteatro e teatro romanos, é hora de sentar, explorar, deixar a imaginação tomar conta.

No anfiteatro, gladiadores e animais selvagens lutavam diante de 14 mil pessoas. O teatro, em forma de semicírculo, é ainda mais impressionante com suas colunas sobrepostas. Tudo o que foi descoberto com as escavações está no Museu Nacional de Arte Romana, bem ali do lado. O museu é espetacular. Todo de tijolos e com iluminação natural, guarda 50 mil peças decorativas, estátuas, templos, colunas...

Quando você pensa que viu de tudo, surpreende-se à saída da cidade. O Aqueduto dos Milagros acompanha a estrada por 830 metros. O carro segue entre oliveiras e castanheiras, a boca enche d’água e o pensamento viaja até milênios atrás. Com a herança romana, à espera da próxima refeição.

____________________

Bate-volta

Badajoz

Bem na fronteira com Portugal, é a cidade mais populosa de toda a Extremadura e única que tem aeroporto. Também exibe pelas ruas monumentos históricos. Destaque para a Plaza Mayor e para a Alcazaba, ou fortaleza militar, excelente exemplar da arquitetura muçulmana. A catedral do século 13 vale a visita. Informações no site turismo.badajoz.es.

Jerez de los Caballeros

Capital da Ordem do Templo, Jerez ficou mais conhecida por ser um importante polo de criação de porcos ibéricos. Não à toa, está na rota do jamón e realiza sempre em maio a feira do jamón. Informações no site turismo.jerezcaballeros.es.

Malpartida de Cáceres

Na vila a 14 quilômetros de Cáceres está o Museo Vostell, com obras do artista alemão Wolf Vostell. Ele usa objetos cotidianos, como carros destruídos e motos, para questionar a modernidade. Entrada: 2 euros. Informações no site museovostell.org.

Comentários

Comentários