O projeto executivo da Estação de Tratamento de Esgoto (ETE) do Distrito Industrial I, a obra de maior valor das últimas décadas do município, aponta que serão necessários R$ 100 milhões para a construção dos quatro módulos. A informação foi dada pelo prefeito Rodrigo Agostinho, em Brasília. Ele confirmou o valor, mas ressalvou que o custo, detalhado em um memorial descritivo de engenharia e instalação, vai sofrer modificações em razão de a-justes que serão solicitados à empresa contratada para elaborar o projeto.
“Esta é a primeira apresentação do projeto executivo. O custo total para instalar a ETE do Distrito Industrial é de R$ 100 milhões. Mas nós vamos discutir modificações no projeto, que é bastante complexo, e só depois é que ele será apresentado”, disse Rodrigo.
O projeto executivo foi contratado pelo Departamento de Água e Esgoto (DAE) por licitação junto à ETEP Consultoria Gerenciamento e Serviços, de São Paulo. O levantamento começou a ser realizado em 12 de abril deste ano, com prazo de 210 dias para sua execução. O projeto custou R$ 1.992.450,00.
A versão final do detalhamento da obra deve trazer modificações na forma e no conteúdo. O prefeito não quis adiantar detalhes, mas a tecnologia a ser empregada no tratamento de esgoto tem mais de um apontamento no projeto. Apesar disso, o projeto básico já havia definido a tecnologia para realizar o recebimento, tratamento e destino do esgoto que hoje chega in natura ao rio Bauru, através de sub ramais de interceptores, originários de diferentes pontos de córregos que cortam a área urbana local.
O próprio prefeito pediu mudanças no estudo. Ao invés de construir os módulos em concreto armado, por exemplo, Agostinho solicitou que o estudo da ETEP levasse em conta a construção desses dispositivos com manta. A capacidade de tratamento por cada um dos quatro módulos também foi alterada.
Em razão da necessidade de verificar detalhes do projeto, o prefeito desistiu de protocolar uma cópia do estudo junto ao Ministério das Cidades ontem, em Brasília (DF). “Nós temos de adequar este estudo ao padrão do Ministério das Cidades e isso exige algumas modificações. Como temos pontos a discutir, vamos ver antes e depois encaminhar”, contou.
Agostinho também comentou que a tendência será licitar a parte da estrutura comum da ETE juntamente, pelo menos, com o primeiro módulo. “Nós temos condições de licitar o primeiro módulo para coloca-lo em operação até o final de 2012. Vamos discutir esta questão com a Câmara e licitar por módulo”, disse Agostinho.
A vontade pessoal do prefeito é contratar todo o projeto. Mas a questão será superar a resistência em torno de financiamento, o que implica em aumentar o endividamento da cidade. “Pela situação atual das contas da prefeituras, Bauru tem condições de obter financiamento. Mas se contar a dívida da Cohab, que tem só uma pequena parte em fase de negociação de pagamento, não dá. Então, acho que vai dar para licitar um módulo da estação”, referendou.
Mas, até lá, o Executivo e o DAE terão de realizar vários ajustes no programa, no cronograma de obras e nas explicações em torno de opções já tomadas ainda na fase de construção de interceptores. À medida da avaliação dos processos em andamento, os questionamentos se ampliam em torno do método escolhido, os parâmetros técnicos e o custo.
De outro lado, o projeto executivo também vai trazer o apontamento do esgoto industrial. A coleta realizada recentemente aponta contaminação em pelo menos três pontos analisados. Não há notícia de medidas adotadas pelo DAE para resolver esta situação. Segundo o projeto, este elemento pode colocar em risco o processo de tratamento. A correção tem de ser feita antes do início da operação do sistema.
O custo da ETE, previsto no projeto executivo, não inclui o restante da rede de interceptores que o DAE terá de instalar. A previsão é de licitação para quatro trechos, um deles já contratado na bacia do rio Bauru, por R$ 19 milhões. O outro trecho, tem a revisão concluída pela autarquia. Mas falta o aval do Executivo para a abertura da licitação.
Projeto básico
A maior parte da obra da ETE é de engenharia civil, inclusive nos três módulos que atuarão por reatores anaeróbicos (UASB), avaliados no projeto básico em R$ 27,5 milhões no total. Estes e outros custos vão mudar no projeto executivo.
O detalhamento dos custos também apontou , dentro dos R$ 40 milhões de equipamentos e instalações, R$ 13,8 milhões somente para filtros aerados. As fases da obra estão definidas em Termo de Ajustamento de Conduta (TAC), com prazos e obrigações definidos com o Ministério Público do Meio Ambiente.
O Fundo de Tratamento de Esgoto (FTE), criado em abril de 2006 para custear as obras do sistema de tratamento, conta com saldo de R$ 41 milhões. O DAE conta com licença de instalação tanto para a ETE Vargem Limpa, principal, quanto para a ETE Candeia, em instalação no Núcleo Gasparini e com capacidade para atender cerca de 40 mil habitantes. Faltarão as licenças de operação para as duas ETEs.
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Concepção do tratamento
O projeto básico havia definido o processo de tratamento em Bauru, em 2008. Se ele for mantido, a operação da ETE do Distrito Industrial vai se dar em três fases. Mas a administração está revendo estas escolhas.
A primeira fase é o do gradeamento grosseiro e fino dos dejetos, que retira areia e o resíduo mais denso, que é recolhido para o aterro sanitário.
Na fase anaeróbia, um reator atua com uma manta de lodo onde fica o esgoto mais denso e com fluxo ascendente. O processo vai clarificando as bactérias, permanecendo a água e desprendendo o gás. Nesta etapa foi incluída a redução de nitrato (anóxica).
No filtro biológico aerado entra a fase das bactérias aeróbicas, que trabalham com oxigênio. Há a injeção de oxigênio no sistema através de compressores de ar, o que cria bolhas na água e essas bactérias vão realizando outra etapa do tratamento. Um segundo decantador separa o que sobrou de lodo do restante do material líquido, decompondo as partículas sólidas que ficaram.
A fase terceária é de desinfecção, com adição de cloro em um tanque. Depois disso, a água retorna tratada aos mananciais.