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Polícia Federal desmantela quadrilha que distribuía drogas em Bauru e região

Mariana Cerigatto
| Tempo de leitura: 7 min

A Polícia Federal (PF), através da Operação “Filial Bauru”, desmantelou ontem em Bauru e região um grupo de dez pessoas acusadas de pertencer a uma quadrilha de tráfico de drogas. Seis mulheres e quatro homens, incluindo dois traficantes, foram presos em flagrante. Os nomes não foram divulgados pela polícia.

Na região eram introduzidos por esse grupo aproximadamente 150 quilos de drogas mensalmente, entre cocaína, maconha e crack. Foi detida ainda uma pessoa em Ponta Porã (MS), que também ajudaria na distribuição dos entorpecentes.

Durante as apreensões realizadas ontem nos bairros Santa Edwirges, Jaraguá e Vila Industrial, em Bauru, além do município de Agudos, em torno de 2,5 quilos de maconha, sendo parte delas hidropônica (produzida na água e com maior teor de THC, princípio ativo da droga), foram recolhidos, junto com projéteis de calibres diversos.

Os acusados pertenceriam a uma organização criminosa, liderada por um presidiário da cidade de Serra Azul, Antônio Sérgio Alves, conhecido como Bolívia. Duas das mulheres detidas são esposa e filha dele. No meio do grupo há uma enfermeira do Hospital de Base (HB) envolvida, acusada de desviar medicamentos para serem, posteriormente, diluídos na cocaína traficada.

A operação contou com a participação de policiais federais de outras delegacias do Interior do Estado de São Paulo e aconteceu simultaneamente à “Operação Matriz”, deflagrada por Caxias do Sul (RS), em vários Estados brasileiros (leia mais na página 23).

“A ação, em função do combate ao tráfico de drogas, foi batizada de ‘Filial Bauru’ em razão de sua ligação à operação ‘Matriz’, realizada pela PF de Rio Grande do Sul, que cumpriu em torno de 50 mandados de prisão em cinco Estados. A ‘Matriz’ teve Ponta Porã (MS) como alvo em comum da ‘Filial Bauru’”, explicou o delegado da PF de Bauru, Enio Bianospino, coordenador da operação.

Desde julho

As investigações da operação de Bauru tiveram início em julho deste ano, após a apreensão de 5 quilos de cocaína na rodovia SP 321. No decorrer das investigações, 14 pessoas já haviam sido detidas, assim como 100 quilos de drogas - incluindo substâncias diversas - que foram recolhidos em nove apreensões. Somando-se às prisões realizadas ontem na região, 24 envolvidos foram presos desde julho.

“A deflagração de hoje (ontem), que localizou essas dez pessoas, se faz importante já que, além de desmantelar uma quadrilha na cidade, conseguimos localizar pessoas que não poderiam ser alcançadas por policiamento ostensivo, de investigação convencional”, ressalta Bianospino.

Ontem, a PF de Bauru deu cumprimento a 11 mandados de prisão e 21 mandados de busca domiciliar contra integrantes da organização criminosa, que tinha pessoas envolvidas ainda em Ponta Porã (MS). Nove pessoas de Bauru foram detidas, uma de Agudos e também outra de Ponta Porã.

Os acusados de Bauru foram localizados em pontos diversos da cidade, como Parque Jaraguá, Santa Edwirges e Vila Industrial. As mulheres detidas estão na Cadeia Pública Feminina de Avaí e os homens foram encaminhados para o Centro de Detenção Provisória (CDP) de Bauru.

Existe a hipótese de que alguns membros acusados de pertencer à organização criminosa que foi desmantelada ontem possam pertencer a outras organizações, como a facção do Primeiro Comando da Capital (PCC).

“Bloqueamos duas contas bancárias que eram usadas especificamente para administrar recursos do PCC”, indicou Bianospino.

Parte dos 2,5 quilos da maconha foi encontrada dentro de um urso de pelúcia, junto à munição. A substância tinha uma peculiaridade: era hidropônica, tipo de maconha com maior teor de THC, substância que reforça os efeitos da droga e, por isso, é vendida mais barato.

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Chefe da quadrilha comandava o esquema da prisão em Serra Azul

A Polícia Federal (PF) de Bauru acusa o presidiário Antônio Sérgio Alves, o Bolívia, de ser o líder da organização criminosa desmantelada na operação “Filial Bauru”, deflagrada ontem. Durante todo o curso das investigações, o detento permaneceu recolhido na penitenciária de Serra Azul, na região de Ribeirão Preto.

“A droga vinha do Paraguai e passava pela cidade de Ponta Porã (MS), de onde o fornecedor trazia a droga para a região através da orientação do chefe da quadrilha. Em Bauru e região eram distribuídos cerca de 150 quilos de drogas mensalmente, incluindo substâncias diversas, como maconha, crack e cocaína”, revela o delegado da PF Enio Bianospino.

A quadrilha se estruturava da seguinte maneira: havia o líder, que estava preso e fazia uso do celular para contatar demais membros da organização. Uma espécie de “gerente” cuidava do fornecimento, enquanto comparsas cuidavam do depósito. O restante dos envolvidos respondia efetivamente pela distribuição.

“O tráfico de drogas, assim como qualquer tipo de comércio, se desenvolve em uma cadeia, que vai da produção até o consumidor final. A base que foi atacada nessa operação Filial foi a da distribuição dos entorpecentes em Bauru e região. Ou seja, as drogas tinham um atacadista em Ponta Porã, que dividia os entorpecentes em determinadas quantidades. Chegando em Bauru, a droga era pulverizada por alguns traficantes, que por sua vez, pulverizavam para algumas bocas de fumo”, esclarece Carlos Alberto Fazzio Costa, delegado chefe da PF de Bauru.

“A deflagração da ‘Filial Bauru’ foi baseada em variadas diligências, se tornando um trabalho bastante difícil que exigiu muito empenho dos policiais fora dos horários comuns de trabalho, inclusive em situações de urgências externas. Também foram necessárias autorizações judiciais para garantir sigilos telefônicos, para que os suspeitos pudessem ser identificados e as provas realmente produzidas”, apontou o delegado coordenador da operação Bianospino.

Um exemplo de rastreamento telefônico foi o realizado pelo Serviço de Inteligência da Polícia Federal, para que fosse possível acompanhar as ligações de Antônio Sérgio Alves, apontado como chefe da quadrilha.

As investigações continuarão através de perícias e interrogatórios, a fim de localizar mais suspeitos.

A reportagem entrou em contato com a assessoria de imprensa da Secretaria de Administração Penitenciária (SAP) solicitando mais informações sobre Antônio Sérgio Alves - como o motivo de sua prisão - e as medidas adotadas em relação ao fato dele usar telefone celular de dentro da penitenciária de Serra Azul. Entretanto, até o fechamento desta edição não houve retorno.

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Enfermeira é presa acusada de adulterar cocaína

Em meio ao grupo de pessoas presas em Bauru durante a operação da Polícia Federal (PF) denominada “Filial Bauru” estava uma enfermeira do Hospital de Base (HB), acusada de desviar substâncias medicamentosas da entidade e diluí-las em meio à cocaína.

“Ela se prevalecia da condição de enfermeira para desviar substâncias, levando-as para sua casa. Ela depositava esses medicamentos e, posteriormente, os fornecia para a esposa do presidiário que seria o líder da quadrilha. Essas substâncias eram passadas para uma equipe que fazia a dissolução delas na cocaína”, explica o delegado da PF de Bauru Enio Bianospino, também coordenador da operação.

“Assim, os comprimidos de medicamentos, como analgésicos e anestésicos, eram triturados no liquidificador e, em seguida, misturados à cocaína”, alega.

Com esse procedimento, a quantidade de cocaína resultava em um maior volume e era vendida mais barata. “Essas informações surgiram durante a investigação, mas nenhuma quantidade de droga foi localizada na casa da enfermeira acusada”, frisou o delegado.

“Isso traz um sério risco à segurança e saúde das pessoas, principalmente aos consumidores, que podem acreditar que estão consumindo um teor da substância correndo o risco de ter overdose. Por isso, foi muito importante desmontar essa quadrilha de nossa região, pois ela estava realmente atingindo a saúde pública e a segurança dos cidadãos de nossa cidade”, destacou Bianospino.

Os delegados da PF ainda atentam para o número significativo de mulheres envolvidas com o tráfico. “Os maridos são presos e as esposas acabam assumindo a gerência do tráfico com a orientação do marido de dentro do presídio. São membros de uma mesma família que se unem para conduzir as atividades do tráfico dentro de uma organização criminosa maior”, aponta Carlos Alberto Fazzio Costa, delegado chefe da PF de Bauru.

A assessoria de imprensa do Hospital de Base informou que a instituição não foi procurada pela polícia em relação à prisão da funcionária. Segundo o órgão, trata-se de uma auxiliar de enfermagem que estava afastada há meses do trabalho, em licença médica.

Ainda segundo a assessoria, no inventário do hospital não consta a falta inexplicada de medicamentos e que o HB está à disposição da Polícia Federal. Se for concluída a necessidade, será instaurado inquérito para apurar o suposto desvio de medicamentos, conclui a assessoria.

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