São Paulo - Rômulo Dias, presidente da credenciadora de cartões Cielo, disse que um dos reflexos positivos das medidas do Conselho Monetário Nacional (CMN) é “ensinar a pessoa física a pagar”. O CMN subiu o percentual de pagamento mínimo da fatura exigido pelos emissores de cartões.
Dias ressaltou que as mudanças não afetam diretamente os negócios da Cielo, já que a empresa não emite os plásticos. Mas o executivo disse que, como integrante do mercado, considera a alteração “salutar para evitar o superendividamento” do consumidor.
Leonel Andrade, presidente da Credicard, também apoiou as alterações feitas pelo governo. Na avaliação do executivo, “o crédito rotativo não necessariamente deve ser incentivado”. E destacou que, no Brasil, esse tipo de financiamento, via cartão, é “visto como produto de emergência”.
Andrade disse também que o aumento do pagamento mínimo não deve afetar as operações dos emissores porque, no país, a maioria já trabalha dentro dos novos percentuais de exigência estabelecidos.
Quanto à redução do número de tarifas cobradas, Boanerges Ramos Freire, consultor em varejo financeiro, acredita que a medida ajudará o consumidor a escolher um cartão. “Fica muito mais fácil entender o que é cobrado e decidir que emissor oferece mais vantagens”, disse.
Antes da divulgação das novas normas do CMN, a indústria de cartões vinha discutindo uma autorregulação referente aos aspectos que foram modificados pelo governo.
Em nota, a Associação Brasileira das Empresas de Cartões de Crédito e Serviços (Abecs) disse que “tem colaborado com as autoridades federais visando a aperfeiçoar o mercado de meios eletrônicos de pagamento”.