Brasília - A presidente eleita, Dilma Rousseff, anunciará na próxima semana os nomes de Antonio Palocci e Gilberto Carvalho para a Casa Civil e a Secretaria-Geral da Presidência, respectivamente. Palocci desejava ir para a Casa Civil desde o começo, mas chegou a considerar a alternativa de assumir a Secretaria-Geral. Dilma tinha dúvidas sobre colocá-lo na pasta. Sempre disse que não queria superministros.
A presidente eleita acabou se convencendo de que Palocci era a melhor opção para gerenciar o governo.
A Casa Civil será desidratada, e já perdeu musculatura com a transferência do Minha Casa, Minha vida e do PAC (Programa de Aceleração do Crescimento) para o Planejamento. Medidas adicionais serão tomadas para reduzir o aspecto administrativo-gerencial que a pasta teve nos últimos anos.
Após divulgar os nomes dos ministros que terão assento no Palácio do Planalto, a petista enfrentará a fase mais crítica na formação do ministério: negociar cargos com os dez partidos da base de apoio, além do PP e PTB.
Ela ainda precisa definir o destino de outras pastas do Planalto, caso das secretarias de Comunicação Social e Relações Institucionais. Para a primeira, não há nome certo, ao menos por ora. No caso da segunda, a tendência é que Alexandre Padilha permaneça como o responsável pelas articulações do Executivo com o Congresso. Havia a possibilidade de que ele fosse indicado para a Saúde, mas essa hipótese estaria praticamente descartada, conforme afirmam integrantes da transição.
Dilma avalia que Padilha fez um bom trabalho no governo Lula. Sua permanência na pasta não significa, entretanto, que a Saúde siga nas mãos do PMDB. Tudo indica uma negociação complicada, já que o partido não quer perder esse território.
Dilma Rousseff oficializou anteontem sua equipe econômica: Guido Mantega (Fazenda), Alexandre Tombini (Banco Central) e Miriam Belchior (Planejamento).
De saída do Planejamento, é certo que Paulo Bernardo continuará ministro, mas seu futuro ainda não foi decidido. A hipótese mais forte nos últimos dias é que assumisse as Comunicações, hoje com o PMDB. O Ministério da Previdência foi igualmente apontado como alternativa.
José Eduardo Cardozo, um dos coordenadores da transição, terá espaço na Esplanada, mas seu endereço não foi fixado. Ele pode ir para a Justiça ou assumir outro órgão com status de ministro.
Apesar dos problemas com as provas do Enem, Fernando Haddad deve continuar na Educação. Setores do PT queriam designar o senador Aloizio Mercadante (PT-SP) para a vaga, mas ele deve ir para outra pasta, possivelmente Ciência e Tecnologia, comandada pelo PSB.
Dilma recebeu a proposta de criar mais um ministério, o de Portos e Aeroportos, que seria ocupado por um nome do PMDB. A ideia surgiu para atender um pedido do partido do vice-presidente eleito, Michel Temer.