Georgetown - Os governos da Unasul aprovaram ontem um pacote de medidas com punições a nações sul-americanas que romperem a ordem democrática, numa cúpula que passará à história como a primeira sem atritos entre seus participantes.
O “protocolo democrático” assinado em Georgetown havia sido definido na véspera pelos países integrantes da União de Nações Sul-Americanas (Unasul).
“Nós já assinamos”, disse o venezuelano Hugo Chávez a jornalistas na saída de uma reunião. Ele esclareceu que o documento foi aprovado por consenso, e que a única mudança em relação ao documento aprovado pelos ministros foi o uso do termo “protocolo” em vez de “cláusula”.
O documento estabelece sanções diplomáticas, políticas e comerciais contra qualquer golpe de Estado ou tentativa de golpe de Estado na América do Sul, explicou o chanceler do Equador, Ricardo Patiño.
Entre as sanções previstas estão restrições ao comércio, fechamento de fronteiras terrestres e suspensão de operações aéreas.
O pacote é um claro apoio à democracia no Equador, onde em 30 de setembro ocorreu uma rebelião policial que o governo de Rafael Correa qualificou como tentativa de golpe de Estado.
A Unasul reagiu rapidamente na ocasião e realizou em Buenos Aires uma reunião extraordinária para celebrar a vitória de Correa contra a repressão. A mobilização foi uma das últimas ações públicas do ex-presidente argentino Néstor Kirchner, então secretário-geral da Unasul, que morreria semanas depois, vítima de um infarto.
A cúpula de Georgetown contou com as presenças dos presidentes da Argentina, Suriname, Equador, Guiana, Colômbia, Paraguai, Brasil e Venezuela. Os governos de Peru, Bolívia, Uruguai e Chile enviaram outros representantes que não seus presidentes.
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Reunião termina sem secretário-geral
Georgetown - A reunião de presidentes da Unasul acabou, contudo, sem um novo nome para ocupar a Secretaria-geral do órgão. Desde a morte do ex-presidente argentino Néstor Kirchner, em 27 de outubro, ainda não foi escolhido um novo líder.
A discussão estava na agenda da reunião, mas não como prioridade.
“Só houve uma conversa a respeito”, informou Kwame McCoy, porta-voz do presidente da Guiana, Bharrat Jagdeo. “Não havia candidatos formais”.
Na lista de possíveis sucessores, estão o presidente de Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva, que deixará a Presidência em 1º de janeiro, e o ex-presidente uruguaio Tabaré Vázquez.
Anteontem, o presidente do Paraguai, Fernando Lugo, afirmou que os líderes se esforçariam para que Lula aceitasse o cargo de secretário-geral da organização.
No entanto, os assessores do presidente brasileiro já expressaram que Lula, que também participará da cúpula da Guiana, não deve aceitar a proposta. Segundo o porta-voz da Presidência, Marcelo Baumbach, qualquer especulação de que Lula assumirá é “infundada” e que não está em seus planos “postular ou aceitar esse cargo no momento.”
Lugo disse que o processo é demorado. “Acho que o eixo, a funcionalidade da Unasul é a Secretaria-Geral. Foram necessários dois anos para encontrar esse candidato (Kirchner) porque, para ser candidato, uma das condições mais fortes é que é preciso ser um ex-presidente e que haja consenso. Se possível, unanimidade”, relatou.
“Devemos novamente buscar um candidato que tenha um perfil integracionista e que esteja envolvido na construção de uma pátria grande. Ele deve ter o perfil de poder aglutinar, unir, somar”, avaliou Lugo, que considera que Lula gera ‘o consenso necessário para a Secretaria-Geral de Unasul’.
No entanto, os assessores do presidente brasileiro já expressaram que Lula, que também participará da cúpula da Guiana, não deve aceitar a proposta. Segundo o porta-voz da Presidência, Marcelo Baumbach, qualquer especulação de que Lula assumirá é “infundada” e que não está em seus planos “postular ou aceitar esse cargo no momento.”
O Brasil não apresentou nenhum nome, mas espera que o novo secretário-geral seja alguém com projeção política e trânsito em todos os continentes. Como não houve a apresentação formal de indicados, o governo brasileiro não se manifestou a favor de nenhum país.